Guaramiranga: ineficiência pública limita crescimento
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Redação
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Polo de atração turística no Maciço de Baturité, a "Suíça Cearense" poderia estar sediando mais eventos culturais
Guaramiranga. Este município, distante 110km de Fortaleza, é conhecido nacionalmente como a "Suíça Cearense" e a "Terra das Flores". É visto também como lugar com potencial para grandes eventos culturais e para o fomento da economia na serra. Entretanto, enfrenta atualmente uma crise: a inoperância da Prefeitura Municipal.
Esgoto a céu aberto pode ser visto nas comunidades carentes da cidade. Falta saneamento básico na maioria dos bairros da sede e na zona rural a situação ainda é mais precária. Moradores esperam providências fotos: Bruno Gomes
Quem visita Guaramiranga entre segunda e quinta-feira percebe visivelmente que não existe movimentação na cidade. Há apenas dois restaurantes funcionando. A realidade só muda quando chega o fim de semana, quando turistas e proprietários de casas situadas na área urbana ou rural chegam. A grande maioria é proveniente de Fortaleza.
Mesmo assim, a Suíça Cearense só praticamente triplica a sua quantidade de visitantes quando são realizados grandes eventos como os Festivais de Jazz e Blues; Nordestino de Teatro; de Vinho; e o recente 1º Festival Letras, Flores e Vinhos. Entretanto, a população local revela que, em época de atividades culturais, quando congregam uma maior quantidade de pessoas, agrava-se o abastecimento de água, e o trânsito torna-se caótico, quando inúmeros veículos circulam na cidade.
Além disso, o município oculta outro problema: a ausência de saneamento básico e o racionamento diário de água. Um exemplo dessa situação pode ser constatado nos bairros Frei Domingos e Santa Edwirges, situados em morros na área urbana, e nos povoados Agostinho e Linha da Serra, vinculados ao distrito de Forquilha, na zona rural.
Nestes locais, onde residem famílias de baixa renda, elas são obrigadas a conviver com o esgoto a céu aberto, onde os dejetos correm por entre as vielas, 24 horas. E, segundo os moradores locais, diariamente há racionamento de água do meio-dia às 16 horas. O acúmulo do lixo no sopé dos morros onde estão Frei Domingos e Santa Edwirges também é outro agravante.
"Sofremos com essa sujeira, com o mau cheiro e tudo que é de ruim, todos os dias. Estou aqui há 30 anos e nada mudou. Entra prefeito, sai prefeito e tudo continua do mesmo jeito", desabafa o pedreiro Francisco José Lima Ramos, da comunidade Frei Domingos.
A reclamação é sustentada também por outra moradora do bairro, a dona de casa Cristiana Soares. "O descaso da Prefeitura está deixando a gente passar mal e até com problema de saúde porque o esgoto passa na nossa porta", frisa.
No bairro Santa Edwirges, o problema não é apenas de saneamento básico. A água, que já é racionada todos os dias, também falta em quase todos os meses. Quem não tem caixa d´água é obrigado a pedir ajuda aos vizinhos que possuem o equipamento. "É um sofrimento muito grande. A gente não tem água direito e ainda tem que sair com uma lata na cabeça pra pedir ajuda", revela a dona de casa Marinês Rodrigues.
Nesta mesma comunidade, os moradores reclamam também que não há iluminação pública. "Ficamos no escuro total. As pessoas só sabem que tem casa aqui em cima do morro quando é de dia", destaca a dona de casa Fátima Laurindo.
Na zona rural a situação não é diferente. Nos povoados de Linha da Serra e Agostinho, os poços profundos não conseguem levar água para as famílias que ali vivem porque as bombas estão quebradas. "As bombas queimam sempre e a Prefeitura demora mais um mês para trazer uma nova. Aí fica tudo muito complicado. O sofrimento é grande, e ainda tem a falta de apoio do prefeito", ressalta o pedreiro Augusto Ferreira.
Teatro Rachel de Queiroz está com rachaduras há mais de um ano. Esta interditado e já perdeu grandes eventos culturais//Entulhos podem ser vistos em algumas áreas do Centro da sede, onde há maior fluxo de turistas no fim de semana
As cisternas implantadas também estão sem água. Os moradores atribuem a ausência do líquido à seca. "Sem chuva não tem como encher o tanque", diz Ferreira. Sem a água, ele revela que a população local é obrigada a comprar água de particulares.
Descaso
A reclamação pelo descaso da Prefeitura de Guaramiranga quanto à melhoria na qualidade de vida da população urbana e rural, estende-se também em outros setores que sobrevivem na cidade. Um deles é a área da gastronomia. Na última terça-feira foi possível observar a ausência de visitantes nos únicos dois restaurantes que estavam funcionando no município.
O proprietário do restaurante La Taberna food e drinks (um dos únicos abertos na cidade durante a semana), Luciano Soares de Sousa, observa que há um ano e meio o setor de bares e restaurantes vem enfrentando uma crise quando o assunto é a ausência de clientes nos estabelecimentos. Em especial, segundo ele, de segunda a quinta-feira.
"O fim de semana até que lota a cidade, mas não o suficiente para dizermos que estamos bem. Os empresários sobrevivem aqui só de três dias, ou seja, temos 12 dias no mês, apenas, para sobreviver", explica.
Para o empresário, a fragilidade no setor é resultado da ausência de uma mobilização entre iniciativa privada e poder público. "Eu atribuo esse momento fraco a falta de organização. Empresários e Prefeitura têm que se unir para que venham mais pessoas à cidade e que todos os dias tenhamos turistas em nossos estabelecimentos", pontua.
O município de Guaramiranga guarda ainda um outro grande problema. O fechamento de um equipamento cultural que já foi palco de um dos grandes festivais instalados na cidade: o Teatro Rachel de Queiroz, que abrigava o Festival de Jazz e Blues, atividade cultural que ocorre há 15 anos, durante o Carnaval.
O evento deixou de ser realizado no espaço há três anos, segundo Rachel Gadelha, da empresa Via de Comunicação, que criou e realiza o evento na cidade de Guaramiranga. Ela revela que dois foram os motivos que fizeram com que o Festival de Jazz e Blues saísse do teatro para ser realizado em um campo de futebol, situado a alguns metros do equipamento cultural.
"Saímos de lá porque o teatro nunca foi concluído e faltava sempre alguma coisa. Durante os anos de festival tínhamos sempre que levar algo para lá, como cadeiras, lâmpada, material de higiene, espelhos. É como se ele tivesse se deteriorando antes mesmo de ser inaugurado, se é que já foi inaugurado algum dia. Além disso, o teatro foi se tornando pequeno para a dimensão do evento e observamos a precariedade dele, como rachaduras e infiltrações. Passamos até um laudo de um engenheiro, sobre o local, para a Prefeitura, mas nunca foi resolvido", revela Rachel Gadelha.
A empresária destaca ainda que, diante da situação, o festival foi transferido para o campo de futebol que foi denominado como Cidade do Jazz e Blues. Entretanto, Rachel explica que, com a mudança, vieram também mais despesas como investimento na montagem do evento no espaço, já que a Prefeitura, segundo ela, entra como apoio na questão de conservar a infraestrutura da cidade, e não com recursos financeiros.
"Mas é bom lembrar que o fechamento do Teatro Rachel de Queiroz é uma responsabilidade de todos nós, sociedade, Prefeitura e artistas. Deixar o teatro nessa situação não é correto, pois ele não é apenas uma edificação e sim um símbolo cultural para o Interior do Estado. Inclusive, se ele estivesse funcionando, poderíamos até inserir alguma atividade do festival nele", frisa Rachel.
Justificativas
De acordo com o titular da Secretaria de Infra-Estrutura de Guaramiranga, José Jones Alves, o Teatro Rachel de Queiroz apresentou rachaduras há apenas um ano, mas, mesmo assim, só foi interditado, segundo ele, há um mês quando um engenheiro civil constatou que o problema no local ocorreu devido a acomodação do solo.
"O Festival Jazz e Blues mudou de lugar por questão de logística. Tivemos eventos nele até pouco tempo, pois não oferecia risco. Agora temos um projeto de requalificação e estamos aguardando liberação de recursos do governo Estadual para fazer o trabalho, inclusive reurbanizando a praça em frente ao teatro", justifica.
Alves revela que a cidade não está abandonada, e que a Prefeitura faz o possível, dentro do seu quadro orçamentário. "Tenho quase certeza que Guaramiranga é a cidade mais pobre do Ceará. Aqui vêm muito rico é verdade, mas aqui mesmo não existe agricultura, não há indústria e a pessoas vivem da Prefeitura ou da aposentadoria", conta.
Quanto a falta de água e luz nas comunidades onde sobrevivem famílias de baixa renda na zona urbana, o secretário avalia que é necessário maior empenho também dos órgãos competentes, a Cagece e a Coelce. Segundo ele, ofícios já foram enviados às duas Companhias a fim que as mesmas invistam na cidade, com o apoio da Prefeitura, tanto no saneamento básico como na iluminação pública, respectivamente.
"Estamos, inclusive, com projeto piloto na comunidade de Pirambu, o menor bairro da cidade, para reurbanizar o local, com saneamento básico. No entanto, precisamos de parceria, pois a Prefeitura não tem recursos", revela Alves.
Com relação ao problema de desabastecimento de água na zona urbana de Guaramiranga, o titular da Secretaria de Infra-Estrutura do município confirma que as comunidades rurais não estão desassistidas e que quando os motores dos poços profundos param de funcionar a Prefeitura imediatamente troca o equipamento. "Trabalhos 24 horas na zona rural. E em breve chegará um carro pipa para abastecer as comunidades que estão com o problema", finaliza.
DENISE NUNES
REPÓRTER
ENQUETE
Como é viver nesta cidade polo do Maciço?
"Aqui é muito difícil de viver. A água é difícil e quando falta tem que sair pedindo aos vizinhos, com os baldes na mão. Fora isso o esgoto a céu aberto é muito ruim. O mau cheiro é insuportável"
Antônio Aldenir
Garçom
"Aqui na comunidade está faltando tudo. Água, saneamento básico e também iluminação. A gente fica no breu quando é noite. As ruas todas no escuro. Estamos abandonados pela Prefeitura"
José Ivan Maciel Façanha
Jardineiro
Guaramiranga. Este município, distante 110km de Fortaleza, é conhecido nacionalmente como a "Suíça Cearense" e a "Terra das Flores". É visto também como lugar com potencial para grandes eventos culturais e para o fomento da economia na serra. Entretanto, enfrenta atualmente uma crise: a inoperância da Prefeitura Municipal.
Esgoto a céu aberto pode ser visto nas comunidades carentes da cidade. Falta saneamento básico na maioria dos bairros da sede e na zona rural a situação ainda é mais precária. Moradores esperam providências fotos: Bruno Gomes
Quem visita Guaramiranga entre segunda e quinta-feira percebe visivelmente que não existe movimentação na cidade. Há apenas dois restaurantes funcionando. A realidade só muda quando chega o fim de semana, quando turistas e proprietários de casas situadas na área urbana ou rural chegam. A grande maioria é proveniente de Fortaleza.
Mesmo assim, a Suíça Cearense só praticamente triplica a sua quantidade de visitantes quando são realizados grandes eventos como os Festivais de Jazz e Blues; Nordestino de Teatro; de Vinho; e o recente 1º Festival Letras, Flores e Vinhos. Entretanto, a população local revela que, em época de atividades culturais, quando congregam uma maior quantidade de pessoas, agrava-se o abastecimento de água, e o trânsito torna-se caótico, quando inúmeros veículos circulam na cidade.
Além disso, o município oculta outro problema: a ausência de saneamento básico e o racionamento diário de água. Um exemplo dessa situação pode ser constatado nos bairros Frei Domingos e Santa Edwirges, situados em morros na área urbana, e nos povoados Agostinho e Linha da Serra, vinculados ao distrito de Forquilha, na zona rural.
Nestes locais, onde residem famílias de baixa renda, elas são obrigadas a conviver com o esgoto a céu aberto, onde os dejetos correm por entre as vielas, 24 horas. E, segundo os moradores locais, diariamente há racionamento de água do meio-dia às 16 horas. O acúmulo do lixo no sopé dos morros onde estão Frei Domingos e Santa Edwirges também é outro agravante.
"Sofremos com essa sujeira, com o mau cheiro e tudo que é de ruim, todos os dias. Estou aqui há 30 anos e nada mudou. Entra prefeito, sai prefeito e tudo continua do mesmo jeito", desabafa o pedreiro Francisco José Lima Ramos, da comunidade Frei Domingos.
A reclamação é sustentada também por outra moradora do bairro, a dona de casa Cristiana Soares. "O descaso da Prefeitura está deixando a gente passar mal e até com problema de saúde porque o esgoto passa na nossa porta", frisa.
No bairro Santa Edwirges, o problema não é apenas de saneamento básico. A água, que já é racionada todos os dias, também falta em quase todos os meses. Quem não tem caixa d´água é obrigado a pedir ajuda aos vizinhos que possuem o equipamento. "É um sofrimento muito grande. A gente não tem água direito e ainda tem que sair com uma lata na cabeça pra pedir ajuda", revela a dona de casa Marinês Rodrigues.
Nesta mesma comunidade, os moradores reclamam também que não há iluminação pública. "Ficamos no escuro total. As pessoas só sabem que tem casa aqui em cima do morro quando é de dia", destaca a dona de casa Fátima Laurindo.
Na zona rural a situação não é diferente. Nos povoados de Linha da Serra e Agostinho, os poços profundos não conseguem levar água para as famílias que ali vivem porque as bombas estão quebradas. "As bombas queimam sempre e a Prefeitura demora mais um mês para trazer uma nova. Aí fica tudo muito complicado. O sofrimento é grande, e ainda tem a falta de apoio do prefeito", ressalta o pedreiro Augusto Ferreira.
Teatro Rachel de Queiroz está com rachaduras há mais de um ano. Esta interditado e já perdeu grandes eventos culturais//Entulhos podem ser vistos em algumas áreas do Centro da sede, onde há maior fluxo de turistas no fim de semana
As cisternas implantadas também estão sem água. Os moradores atribuem a ausência do líquido à seca. "Sem chuva não tem como encher o tanque", diz Ferreira. Sem a água, ele revela que a população local é obrigada a comprar água de particulares.
Descaso
A reclamação pelo descaso da Prefeitura de Guaramiranga quanto à melhoria na qualidade de vida da população urbana e rural, estende-se também em outros setores que sobrevivem na cidade. Um deles é a área da gastronomia. Na última terça-feira foi possível observar a ausência de visitantes nos únicos dois restaurantes que estavam funcionando no município.
O proprietário do restaurante La Taberna food e drinks (um dos únicos abertos na cidade durante a semana), Luciano Soares de Sousa, observa que há um ano e meio o setor de bares e restaurantes vem enfrentando uma crise quando o assunto é a ausência de clientes nos estabelecimentos. Em especial, segundo ele, de segunda a quinta-feira.
"O fim de semana até que lota a cidade, mas não o suficiente para dizermos que estamos bem. Os empresários sobrevivem aqui só de três dias, ou seja, temos 12 dias no mês, apenas, para sobreviver", explica.
Para o empresário, a fragilidade no setor é resultado da ausência de uma mobilização entre iniciativa privada e poder público. "Eu atribuo esse momento fraco a falta de organização. Empresários e Prefeitura têm que se unir para que venham mais pessoas à cidade e que todos os dias tenhamos turistas em nossos estabelecimentos", pontua.
O município de Guaramiranga guarda ainda um outro grande problema. O fechamento de um equipamento cultural que já foi palco de um dos grandes festivais instalados na cidade: o Teatro Rachel de Queiroz, que abrigava o Festival de Jazz e Blues, atividade cultural que ocorre há 15 anos, durante o Carnaval.
O evento deixou de ser realizado no espaço há três anos, segundo Rachel Gadelha, da empresa Via de Comunicação, que criou e realiza o evento na cidade de Guaramiranga. Ela revela que dois foram os motivos que fizeram com que o Festival de Jazz e Blues saísse do teatro para ser realizado em um campo de futebol, situado a alguns metros do equipamento cultural.
"Saímos de lá porque o teatro nunca foi concluído e faltava sempre alguma coisa. Durante os anos de festival tínhamos sempre que levar algo para lá, como cadeiras, lâmpada, material de higiene, espelhos. É como se ele tivesse se deteriorando antes mesmo de ser inaugurado, se é que já foi inaugurado algum dia. Além disso, o teatro foi se tornando pequeno para a dimensão do evento e observamos a precariedade dele, como rachaduras e infiltrações. Passamos até um laudo de um engenheiro, sobre o local, para a Prefeitura, mas nunca foi resolvido", revela Rachel Gadelha.
A empresária destaca ainda que, diante da situação, o festival foi transferido para o campo de futebol que foi denominado como Cidade do Jazz e Blues. Entretanto, Rachel explica que, com a mudança, vieram também mais despesas como investimento na montagem do evento no espaço, já que a Prefeitura, segundo ela, entra como apoio na questão de conservar a infraestrutura da cidade, e não com recursos financeiros.
"Mas é bom lembrar que o fechamento do Teatro Rachel de Queiroz é uma responsabilidade de todos nós, sociedade, Prefeitura e artistas. Deixar o teatro nessa situação não é correto, pois ele não é apenas uma edificação e sim um símbolo cultural para o Interior do Estado. Inclusive, se ele estivesse funcionando, poderíamos até inserir alguma atividade do festival nele", frisa Rachel.
Justificativas
De acordo com o titular da Secretaria de Infra-Estrutura de Guaramiranga, José Jones Alves, o Teatro Rachel de Queiroz apresentou rachaduras há apenas um ano, mas, mesmo assim, só foi interditado, segundo ele, há um mês quando um engenheiro civil constatou que o problema no local ocorreu devido a acomodação do solo.
"O Festival Jazz e Blues mudou de lugar por questão de logística. Tivemos eventos nele até pouco tempo, pois não oferecia risco. Agora temos um projeto de requalificação e estamos aguardando liberação de recursos do governo Estadual para fazer o trabalho, inclusive reurbanizando a praça em frente ao teatro", justifica.
Alves revela que a cidade não está abandonada, e que a Prefeitura faz o possível, dentro do seu quadro orçamentário. "Tenho quase certeza que Guaramiranga é a cidade mais pobre do Ceará. Aqui vêm muito rico é verdade, mas aqui mesmo não existe agricultura, não há indústria e a pessoas vivem da Prefeitura ou da aposentadoria", conta.
Quanto a falta de água e luz nas comunidades onde sobrevivem famílias de baixa renda na zona urbana, o secretário avalia que é necessário maior empenho também dos órgãos competentes, a Cagece e a Coelce. Segundo ele, ofícios já foram enviados às duas Companhias a fim que as mesmas invistam na cidade, com o apoio da Prefeitura, tanto no saneamento básico como na iluminação pública, respectivamente.
"Estamos, inclusive, com projeto piloto na comunidade de Pirambu, o menor bairro da cidade, para reurbanizar o local, com saneamento básico. No entanto, precisamos de parceria, pois a Prefeitura não tem recursos", revela Alves.
Com relação ao problema de desabastecimento de água na zona urbana de Guaramiranga, o titular da Secretaria de Infra-Estrutura do município confirma que as comunidades rurais não estão desassistidas e que quando os motores dos poços profundos param de funcionar a Prefeitura imediatamente troca o equipamento. "Trabalhos 24 horas na zona rural. E em breve chegará um carro pipa para abastecer as comunidades que estão com o problema", finaliza.
DENISE NUNES
REPÓRTER
ENQUETE
Como é viver nesta cidade polo do Maciço?
"Aqui é muito difícil de viver. A água é difícil e quando falta tem que sair pedindo aos vizinhos, com os baldes na mão. Fora isso o esgoto a céu aberto é muito ruim. O mau cheiro é insuportável"
Antônio Aldenir
Garçom
"Aqui na comunidade está faltando tudo. Água, saneamento básico e também iluminação. A gente fica no breu quando é noite. As ruas todas no escuro. Estamos abandonados pela Prefeitura"
José Ivan Maciel Façanha
Jardineiro