Exposição em Ibiapina retrata legado histórico do Padre Fco. Pinto, mártir morto em evangelização

Ele foi o 1º missionário jesuíta no Ceará. O evento expõe pinturas que ajudam a contar sua trajetória missionária

Legenda: Estão expostas quatro pinturas, uma delas mostra o Padre com uma flecha no peito, em sinal ao martírio
Foto: Arquivo

Foi aberta ontem (11), na Igreja Matriz de Ibiapina, uma exposição em memória ao mártir Padre Francisco Pinto, primeiro missionário jesuíta no Ceará, morto em 11 de janeiro de 1608 durante a evangelização indígena na Chapada da Ibiapaba. A celebração de um missa, presidida pelo padre jesuíta Eugênio Pacelli SJ, marcou a abertura oficial da exposição fotográfica. A Igreja está situada em frente à praça que leva o nome do religioso.

O professor e pesquisador Adauto Leitão estudou a história do mártir jesuíta e teve a ideia de dar início, ainda em 2016, ao processo de canonização do Padre Francisco Pinto. Para Adauto, a exposição fotográfica transcende o escopo puramente religioso e entra no aspecto da memória coletiva do povo, constituindo-se, assim, num importante evento para a região.

"Um dos objetivos é consolidar o lugar símbolo do Padre Francisco Pinto, que foi aqui em Ibiapina, apesar de suas andanças e benfeitorias por vários locais. Inclusive, o nome topônimo da cidade de Ibiapina advém do nome dele", detalha.

A curadora do evento e pesquisadora da Diocese de Tianguá, professora Francisca Oneide, explica que serão expostos quatro quadros que retratam a vida do Padre Francisco, incluindo o momento do seu martírio. A exposição terá ainda artigos relacionados ao religioso e um fragmento de um livro que está sendo escrito pela própria pesquisadora.

"Estudei o legado do Padre Francisco Pinto e sei o quão importante ele foi para região. Foi ele quem trouxe o evangelho para Ibiapina. Se notabilizou também por ser o responsável pela alfabetização e catequização dos indígenas e tem grande influência na formação de Messejana", ressaltou. Em Messejana, aliás, foi construído um memorial em sua homenagem.

História

"No livro que estou escrevendo quero deixar eternizado todos esses feitos do mártir religioso. Inclusive, alcancei uma grande graça por intermédio do Padre Francisco Pinto", complementou Oneide. A exposição terá entrada franca e as obras ficarão expostas até hoje (12).No entanto, Oneide afirma que o a duração do evento pode ser estendida - para o restante da semana - mediante a procura.

Nascido em Portugal, em 1552, Padre Pinto entrou no noviciato dos Jesuítas, em Salvador, em dezembro de 1568, aos 16 anos. Na Bahia, fez seus estudos superiores, onde se formou em Latim, sendo perito em Tupi-Guarani, principal grupo indígena do Brasil.

Ainda no século XVII começou a viajar pelo Nordeste, nas capitanias de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em 1607, ao receber a missão de realizar uma jornada do Ceará ao Maranhão, chamada de "Jornada do Maranhão", na companhia do auxiliar padre Luís Figueira, estabelece um núcleo com os índios potiguares num aldeamento denominado "Paupina", hoje centro de Messejana. Sua missão se estendeu pela Barra do Ceará até Mucuripe, incluindo Parangaba e Messejana em busca de alcançar o Maranhão.

Em 11 de janeiro de 1608, Pe. Francisco Pinto, em missão na Ibiapina, foi morto por uma tribo indígena chamada Tocajirus. "Mataram ele com uma flechada, depois esmagaram sua cabeça com tacape", conta Oneide.

Canibais

Essa tribo, segundo Leitão, tinha hábitos canibais e foi dizimada pelas demais tribos que não teriam aceito o episódio grotesco.

"Padre Pinto era muito querido por todos. De 70 aldeias que existiam na região, quis o destino que a mais hostil cruzasse seu caminho".

Martírio

A pioneira Missão Evangelizadora do Ceará foi registrada no diário do jesuíta Luís Figueira. Nele é contado o martírio sofrido na Serra da Ibiapaba, ocorrido no dia 11 de janeiro de 1608, quando índios da etnia dos Tocajirus, numa emboscada no alto da Serra da Ibiapaba, atacaram violentamente o grupo. A Iconografia de época, que é o estudo descritivo da representação visual de símbolos e imagens, mostra uma flecha no peito do padre Francisco Pinto, significando, simbolicamente, a morte por martírio. Uma gravura do trágico evento encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal.

Etapas da santificação

Com a prova de que praticou em grau heróico todas as virtudes cristãs, o bispo instaura a cerimônia de abertura do processo e é declarado Servo de Deus. Depois, os documentos vão para Roma, para análise pelos peritos da Causa dos Santos. Com o parecer favorável, é declarado Venerável. Na segunda etapa, para os mártires, não são exigidos milagres. O candidato é proclamado Beato ou Bem Aventurado e já pode ser venerado. Na terceira etapa, a Igreja pede um milagre comprovado. Só depois é canonizado, incluído no Cânone ou seja, na lista dos Santos. O pesquisador Adauto Leitão reforça, no entanto, não ser possível prever em qual destas etapas está o processo, tampouco quando - e se - ocorrerá a Santificação.

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