Cultivo em ambiente protegido é sucesso na Ibiapaba

Com telados e estufas, o plantio de frutas e legumes acontece com maior produtividade e um consumo menor de agrotóxicos. O investimento tecnológico tornou a região referência no Estado

Legenda: Cultivo em ambiente protegido favorece produção de tomate, cultura bastante vulnerável às pragas
Foto: Arquivo

Difundido a partir de 2006 com a floricultura, o cultivo em ambiente protegido se tornou fundamental na região da Ibiapaba há, pelo menos, uma década. Municípios como São Benedito e Guaraciaba do Norte se notabilizaram, nos últimos anos, por este tipo de produção que reduz o ataque de pragas, aumenta a produtividade e agrega valor aos frutos e legumes. A partir de telados e estufas, o resultado tem sido significativo para o investimento.

O produtor Gleyson de Sousa Silva, 36, de São Benedito, iniciou o trabalho em cultivo protegido em 2014, junto com dois irmãos. A herança do trabalho no campo vem do pai, que já na década de 1980 trabalhava com milho, feijão e mandioca. Depois, a partir da compra de um motor, para melhorar a irrigação, ampliou para tomate, cenoura, beterraba e couve-flor. "A gente tinha muita perda por praga, principalmente a broca pequena".

Há seis anos, iniciou com a produção de tomate em 2.500m². No ano seguinte, quadruplicou para um hectare. Hoje, já soma três hectares que são cultivados paralelamente com o maracujá. "Quando termino a colheita do tomate, na mesma hora já fica do maracujá. Tem toda estrutura montada. Quando precisa ser substituída, remove. Às vezes, também faço com pimentão", descreve Gleyson.

Resultados

O tomate é uma cultura que sofre muito com pragas, além da broca, somam-se a traça e a mosca minadora. "Produzir sem ser em ambiente protegido é inviável", acredita o produtor. Gleyson calcula que, na época em que trabalhava em campo aberto, principalmente em período chuvoso, a perda chegava a 70%. Hoje, soma de 80 a 100 toneladas do fruto por hectare. "Além disso reduzi o uso de agrotóxicos em 75%. Outras conseguem eliminar até 90%. Além da produtividade maior, pode-se apostar no cultivo orgânico, que agrega valor", exemplifica.

Atualmente, Gleyson comercializa a produção para a Central de Abastecimento (Ceasa) de Tianguá. De lá, através de distribuidores, as hortaliças da região da Ibiapaba chegam ao Piauí, Maranhão e até ao Pará. O analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão, observa que o maracujá tem se destacado pelo padrão de qualidade, a boa apresentação no mercado e o preço diferenciado. Hoje, a caixa de 18 quilos custa R$ 23, o mesmo no entreposto da Ceasa na região do Cariri, por exemplo, mas que é oriundo do Pernambuco.

O morango também vem se valorizando e garantindo boa renda. A caixa, na Ceasa de Tianguá, custa R$ 25, colhida na própria região, enquanto no Cariri, que é procedente de Minas Gerais, varia de R$ 20 a R$22. "Já tem um padrão de exportação, e os produtores estão se aperfeiçoando em outras culturas, como o abacate-betânia, que tinha um padrão escuro e se tornava prejudicial para se colocar no mercado", exemplifica Odálio.

Investimento

O gerente regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), em São Benedito, Carlos Dias, acredita que o controle sanitário intenso foi responsável pela ampliação do uso das tecnologias. Porém, o investimento ainda é alto: o custo de telado em uma área de 12x50m fica em torno de R$ 30 mil. Já Gleyson calcula um gasto médio de R$ 50 mil por hectare, somando mão de obra. "Mas vale a pena com certeza", reforça o produtor.

Para implementar, geralmente os produtores conseguem apoio nas próprias lojas ou através de um empréstimo bancário. "Quando colhe, faz o pagamento", exemplifica Carlos. A vida útil de um telado varia de cinco a seis anos. "Como garante uma produtividade boa, compensa", reforça o gerente da Ematerce. O próprio órgão estadual oferece assistência técnica aos agricultores, uma das exigências para conseguir crédito bancário. O interessado pode procurar o escritório regional em São Benedito.

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