Após registrar banhistas no canal do CAC, Cogerh pede reforço policial

No último final de semana, empresa que faz manutenção do canal relatou que havia paredão de som e venda de bebidas alcoólicas vizinho ao canal do 'eixo emergencial'

Brejo Santo
Legenda: Cogerh entra com pedido, junto à Polícia Militar, para fiscalizar o eixo emergencial do Cinturão das Águas do Ceará (CAC)
Foto: Lorena Tavares

Após registrar a presença de banhistas e atos de vandalismo ao longo do chamado ‘eixo emergencial’ do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) entrou com um pedido junto à Polícia Militar para fiscalizar o empreendimento estadual. Desde o último dia 24 de outubro, as águas do Rio São Francisco completaram o percurso de 53 quilômetros, que está em fase de testes.

De acordo com o gerente regional da Cogerh no Cariri, Alberto Medeiros, até o último final de semana era percebida a presença isolada de crianças. Agora, já foram registrados adultos, incluindo o uso de paredão de som e venda de bebidas alcoólicas, vizinho ao CAC. “Houve depredação do canal e de equipamentos”, denuncia.

Outra situação grave, registrada pela Companhia, foi a tentativa de abertura da comporta que leva a água até o Riacho Seco, que será responsável por transportar a água, pelo curso natural, até o Rio Salgado, seguindo pelo Rio Jaguaribe até o Açude Castanhão. Este trajeto só está previsto para acontecer no primeiro semestre do ano que vem. “Isso é muito perigoso. Pode sair uma quantidade grande de água, que descerá na estrutura e pode causar acidentes graves”, alerta Medeiros.

Por conta destes episódios, relatados pela empresa que realiza a manutenção do canal, a Cogerh tem feito um trabalho educativo com os moradores do entorno, mas tem sido insuficiente. “Agora, vai intensificar a fiscalização com o batalhão da Polícia Militar Ambienta. Qualquer pessoa sendo pega nesta estrutura causando algum dano, será responsabilizada”, alerta o gerente da companhia. A fiscalização já será feita neste final de semana pelos agentes de segurança.

Na semana passada, um carro caiu dentro do canal e, apesar de ninguém ficar ferido gravemente, causou poluição da água a partir do óleo expelido pelo automóvel. “Há vários riscos. A própria questão do uso indevido da água bruta, o risco de afogamento. Estamos tentando fazer com que entendam isso. Como não está tendo sucesso, vamos procurar uma maneira mais forte de conter isso”, reforçou Medeiros.  

Caminho das águas

Da barragem de Jati, do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), a água chega até Missão Velha, onde há um desemboque que levará até o Riacho Seco, seguindo pelo rio Batateira, que forma o Rio Salgado, principal afluente do rio Jaguaribe. Deste último, por seu fluxo natural, dará aporte ao maior reservatório do Estado, garantindo a segurança hídrica de Fortaleza.

Apesar de atingir os 53 quilômetros em fase de testes, a Secretaria de Recursos Hídricos realizou um estudo que indica a liberação deste montante hídrico apenas no primeiro semestre do ano que vem, no período chuvoso, onde a eficiência da condução da água é menor. “Se enviasse agora, teria muita perda por infiltração, evaporação e a própria retirada das pessoas”, detalhou o superintendente da Sohidra, Yuri Castro.

A expectativa para a liberação da água é grande pelas cidades ao longo dos rios. Segundo Medeiros, a Cogerh já recebeu diversas demandas de abastecimento. “Inclusive, a cidade de Icó já precisaria da água. Por isso, o cuidado para não ter o uso indevido e o risco de estar poluindo”, finaliza.  

  

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