Weintraub é exonerado do MEC após chegar aos Estados Unidos

O ex-ministro entrou no país ainda com passaporte diplomático vigente, já que exoneração só foi oficializada ontem em edição extra do Diário Oficial da União. Weintraub responde a dois inquéritos no STF; caso gera polêmica

Fotografia de Abraham Weintraub
Legenda: Abraham Weintraub já está nos Estados Unidos, segundo irmão do ex-ministro
Foto: Agência Brasil

O ex-ministro Abraham Weintraub deixou o Brasil e está nos Estados Unidos. Demitido do Ministério da Educação (MEC) na quinta-feira (18), ele foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ontem, após chegar a Miami. De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, Weintraub viajou ainda na sexta-feira (19). O ex-ministro embarcou antes de ser oficializada sua demissão e acessou o país estrangeiro se apresentando como chefe da pasta no Brasil. Como ministro de Estado, Weintraub tem direito a passaporte diplomático.

A assessoria do MEC não soube dizer qual é, neste momento, o paradeiro do ministro, nem se ele continua em Miami depois de ter desembarcado na cidade. Informou apenas que, apesar das restrições impostas pelos EUA aos brasileiros por causa da pandemia da Covid-19, Weintraub não foi impedido de entrar e que "comprou a passagem com dinheiro dele".

Segundo o decreto do presidente, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, Weintraub deixou a pasta "a pedido". Oficialmente não foi definido o sucessor.

Apoios

Após a confirmação de que Weintraub chegou aos Estados Unidos, deputados aliados ao Governo Bolsonaro foram às redes sociais dar "graças a Deus" pela notícia, enquanto a oposição acusou o ex-ministro da Educação de fugir do país.

Filho 03 de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou uma notícia sobre a decisão do senador Fabiano Contarato (Rede-ES) de protocolar no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de apreensão do passaporte de Weintraub para evitar que ele saísse do Brasil. Em cima da notícia, Eduardo comentou: "Se isso não é perseguição eu não sei o que é".

Outros bolsonaristas também se manifestaram sobre a decisão do ex-ministro da Educação. "Graças a Deus pq do jeito que as coisas andam por aqui não temos a menor segurança jurídica", disse a deputada Bia Kicis (PSL-DF) em uma rede social.

O deputado Filipe Barros (PSL-PR) também escreveu que "Graças a Deus" Weintrab "já está nos EUA".

"Fuga"

Na oposição, a notícia de que Weintraub já está nos Estados Unidos foi interpretada como uma fuga do ex-ministro, que é alvo do inquérito das fake news, que tramita no Supremo Tribunal Federal. Ele também é investigado na corte por racismo, por ter publicado um comentário sobre a China e uma suposta responsabilidade do país asiático pela pandemia do novo coronavírus.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Alessandro Molon (RJ) afirmou que "todas as circunstâncias da ida de Weintraub para os EUA mostram que se tratou muito mais de uma fuga da Justiça do que de uma transferência funcional".

"Este ato é ainda mais afrontoso por envolver um aumento tão vultoso de salário, em uma posição que envergonha o Brasil. Nossas instituições não podem permitir tamanha desfaçatez", disse Molon.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede) classifica o ex-ministro da Educação como um fugitivo internacional, e diz que ele deve ser deportado dos Estados Unidos e preso no Brasil. "Não pedimos a prisão de Weintraub à toa. Sabemos sua índole. Se está nos EUA, está fugindo", diz Rodrigues.

Banco Mundial

Weintraub foi indicado para ocupar uma das 25 cadeiras do Conselho da Diretoria-Executiva do Banco Mundial (Bid). Ao titular desse cargo, cabe representar não apenas o Brasil, mas também outros países da América Latina, como Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago.

A indicação atrapalhou os planos do ministro da Economia, Paulo Guedes, para o cargo e representa a segunda derrota dele no campo internacional nesta semana. O nome foi mal recebido por integrantes do banco e provocou reação no Brasil: uma carta contra a nomeação, com mais de 250 assinaturas de economistas, intelectuais, parlamentares e artistas foi encaminhada ao organismo internacional.

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