Superintendente do Ministério Saúde no Ceará prega 'união' e diz que o inimigo de todos é o 'vírus'

A minimizar conflitos entre estado e governo federal, novo representante do Ministério diz querer unir segmentos na luta contra a pandemia

Em meio às divergências entre o governo estadual e o governo federal diante das medidas adotadas para o combate à pandemia, o cearense Roberto Rocha Araújo tomou posse, na última sexta-feira (26), como novo Superintendente do Ministério da Saúde no Ceará

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o representante do Ministério no Estado tenta colocar panos quentes na relação conturbada entre o Planalto e os governadores. Ele se coloca como um "servidor" do Ceará na luta contra o vírus e pede união para derrotar o único inimigo do poder público nesse momento: o coronavírus.

Confira os principais trechos da entrevista:

Quais serão suas prioridades como Superintendente do Ministério da Saúde no Ceará? 

Temos que cuidar dos enfermos e, principalmente, de vacinar o povo. O povo precisa ser vacinado. É claro que 115 mil vacinas (da CoronaVac, que chegaram nesta quarta-feira ao Ceará) não vão resolver o problema. Vamos trabalhar diuturnamente para trazer mais. Buscar os entendimentos e pacificação. Eu me coloco como um servidor do estado do Ceará. O primeiro dia (de trabalho) foi conhecer os gestores da Superintendência. Fiz uma reunião com todos eles, entendendo as demandas, as necessidades. Recebemos o cargo com um senso de responsabilidade imenso. 

 A sua posição é estratégica para área da Saúde neste momento. Sabemos que há uma tensão política entre Estado e Governo Federal. Como o senhor vai mediar isso?   

O vírus é o maior inimigo que nós temos, ele não tem sem raça nem credo.  É importante deixar ao largo ideologias, projetos partidários, respeitando as posições. Mas o caminho é de união e de pacificação, sensibilizando os segmentos da sociedade. Precisamos reunir todas as forças.  

Todo mundo está perdendo. É momento de darmos as mãos, focarmos no inimigo comum que é o vírus. O inimigo não é o governador Camilo, não é o prefeito Sarto, não é o presidente Bolsonaro, não é o ministro nem o secretário. Cada um tem sua competência. Devemos unir os segmentos, inclusive os médicos que atendem na estrutura de plano de saúde. O inimigo não é o gestor público. 

Quando o presidente Bolsonaro veio ao Ceará, houve uma troca de farpas com o governador...  

O presidente esteve aqui dia 26, eu estava tomando posse. Não tive contato com a comitiva, não tive contato com a agenda presidencial. Estou no primeiro momento, conhecendo a estrutura da Superintendência, para entender como funciona a gestão e efetivar o planejamento de curto, médio e longo prazo. Todas as demandas que vierem estamos à disposição. 

Qual será a sua relação com as autoridades políticas do Estado? Chegou a conversar com prefeitos, governador ou deputados?  

Estou à disposição das autoridades constituídas. Os três dias iniciais foram para compreender a estrutura da Superintendência: saber como pode ser otimizado e melhor servir a comunidade. Nesta quinta-feira (4) tenho uma audiência com o presidente da Assembleia, deputado Evandro leitão (PDT). Temos que diagnosticar os pontos fortes e fracos. Otimizar os processos. Temos servidores do Ministério da Saúde cedidos aos estados e municípios, são mais de 1.400 servidores trabalhando no Governo do Estado. Sendo remunerados pelo Governo federal.  

Estamos acompanhando os números, com muita atenção e preocupação e interagindo nos diversos segmentos e otimizando os processos. É fundamental fazer o link com o Governo do Estado e federal. Nosso sentimento é de unir e de pacificar.  

Governadores estão se aproximando do Congresso Nacional para comprar vacinas, independentemente do Governo Federal. Qual posicionamento do Ministério da Saúde em relação a isso? 

Ainda é um Projeto de Lei que ainda não foi sinalizado, ainda não quero me pronunciar porque não existe um dispositivo legal. Quando houver, o ministério vai se manifestar. Sem Projeto de Lei, ainda é especulação. Estamos analisando e seguiremos as diretrizes do ministro para reunir os melhores esforços. 

Como você avalia a condução governador Camilo Santana no combate à pandemia?  

Quem tem que avaliar o governador não sou eu, são as pessoas. Eu sou um servidor, e quero me ombrear ao governador e aos 184 prefeitos para atender as demandas à medida que elas forem surgindo. A avaliação não tem que ser do Ministério da Saúde, tem que ser do povo. Precisamos urgente deixar de lado as diferenças e darmos as mãos, e unirmos em prol da sobrevivência das famílias. Cada um tem sua esfera de competência e responsabilidade.  

Perfil 

Roberto Rocha Araújo é contador por formação e mestrando em administração na Universidade de Fortaleza. Foi assessor especial da presidência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e conselheiro substituto do Sebrae Ceará. Tomou posse dia 26 de fevereiro, começou na função no dia 1° de março, com uma reunião com todos os gestores do colegiado.

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