Bolsonaro: "O senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa"

O Governo francês havia dito que Bolsonaro mentiu ao firmar compromisso com questões ambientais em reunião do G20

Legenda: A maior parte do dinheiro oferecido pelas nações europeias é para ser utilizado no combate à série de incêndios
Foto: AFP

O presidente Jair Bolsonaro cobrou nesta terça-feira (27) desculpas e recuo sobre internacionalização da floresta amazônica vindas de Emmanuel Macron. Em troca, o governo brasileiro receberia os US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) oferecidos pelo G7 para a Amazônia.

"Então, para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele [Macron] vai ter retirar essas palavras e, daí, a gente pode conversar", disse. "Primeiro, ele retira, depois ele oferece e daí eu respondo", ressaltou.

Durante reunião da cúpula na última semana, o governo francês declarou que “em vista da atitude do Brasil nas últimas semanas", Macron "não tem escolha a não ser constatar que Bolsonaro mentiu para ele durante a cúpula de Osaka" do G20 em junho. O Palácio do Eliseu também anunciou que se opõe ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul por Bolsonaro " não respeitar seus compromissos com a mudança climática nem agir na questão da biodiversidade". A internacionalização jurídica da floresta, no entanto, não consta no documento final do G7, apesar de ter sido citada por Macron no encontro.

 

"Eu falei isso [não aceitar os recursos]?", questionou. "Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, me chamou de mentiroso. Depois, as informações que eu tive, é que a nossa soberania está em aberto na Amazônia", acrescentou. Na noite de segunda-feira (26), o Palácio do Planalto havia informado que o montante, anunciado pelo presidente francês Emmanuel Macron, seria rejeitado em meio a uma crise diplomática aberta com a França.

 

Bolsonaro e Macron têm protagonizado troca de críticas na questão da preservação da Amazônia. O francês disse esperar que "os brasileiros tenham logo um presidente que se comporte à altura" do cargo. E o brasileiro apoiou comentário ofensivo à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

Perguntado se pediria desculpas a Brigitte, após zombaria com a aparência da primeira-dama, Bolsonaro disse que não a ofendeu e, irritado com a insistência dos repórteres, encerrou a entrevista, acrescentando que os jornalistas "não merecem a consideração".

"Não queiram levar para esse lado, que a questão pessoal e familiar eu não me meto. Eu sei porque falei para o cara não entrar nessa área. Se continuar pegunta nesse padrão, vai acabar a entrevista, vai acabar a entrevista", repetiu. "Realmente o jornalismo, vocês não merecem a consideração", disse Bolsonaro, abandonando a entrevista.

No final de semana, ao comentar uma publicação do presidente brasileiro em sua página no Facebook, o seguidor Rodrigo Andreaça escreveu: "É inveja presidente do Macron pode crê (sic)".

A mensagem foi publicada junto a uma imagem, na qual se vê uma foto de Bolsonaro e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, abaixo de um retrato de Macron e de sua mulher Brigitte.

O perfil de Bolsonaro respondeu a Andreaça: "Não humilha, cara. Kkkkkkk", dando a entender que as recentes críticas de Macron ao presidente brasileiro seriam motivadas por inveja da esposa do brasileiro.

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