Hospitais, escolas e moradia: o que daria para fazer com os R$ 6,3 bi destinados aos partidos

Fundo eleitoral e fundo partidário somam um montante que daria para construir mais de 500 escolas; a democracia precisa custar tanto?

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 11:29)
Legenda: Financiar a democracia é necessário. O problema é o peso cada vez maior ao contribuinte
Foto: Ilustração gerada com auxílio de inteligência artificial

Os partidos políticos em atividade no Brasil vão receber R$ 6,3 bilhões em dinheiro público neste ano de 2026. O valor soma o Fundão Eleitoral (R$ 4,9 bilhões) e o Fundo Partidário (R$ 1,4 bilhão, estimativa). É o maior volume da história, e sai do bolso do contribuinte.

Financiar a democracia é legítimo. Campanha tem custo, e o recurso público, fiscalizado, é mais transparente e pode ajudar a reduzir o caixa dois. O princípio não está em discussão.

Entretanto, vale dimensionar a conta.

Com R$ 6,3 bilhões, seria possível construir e equipar 10 hospitais do porte do Hospital Universitário do Ceará — o maior hospital público do Estado, com 832 leitos, que custou cerca de R$ 600 milhões em construção e compra de equipamentos.

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Há algo igualmente sugestivo. O valor daria também para:

  • Erguer 547 escolas de tempo integral;
  • 52 mil moradias populares.

São comparações, não propostas. O dinheiro da política não viraria hospital nem escola por um passe de mágica. Porém, o exercício serve a uma reflexão necessária: o país que ainda carece de leito, de vaga e de teto destina, sem maior resistência, um valor bilionário a campanhas políticas.

A democracia vale o investimento. A pergunta é outra: precisa custar tudo isso?