Sem limites para Trump

Organizações como a das Nações Unidas (ONU) e a dos Estados Americanos (OEA) condenaram duramente a agressão

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Para o presidente norte-americano, Donald Trump, não há limites. Como detentor da mais formidável máquina de guerra do mundo, após sucessivas ameaças dirigidas ao venezuelano Nicolás Maduro Montes, enfim conseguiu sequestrá-lo e levá-lo aprisionado, com a esposa, para Nova York, onde ele responderá por acusações ligadas ao tráfico internacional de drogas.

A operação, planejada durante meses e concluída em menos de três horas, mostrou eficiência e rapidez. Porém, ao atacar Caracas durante a madrugada para levar Maduro, Trump desrespeitou a soberania de uma nação independente, contrariando todos os princípios do direito internacional. A ação foi praticada inclusive à revelia do Congresso dos EUA, causando mal-estar entre os parlamentares.

Organizações como a das Nações Unidas (ONU) e a dos Estados Americanos (OEA) condenaram duramente a agressão, planejada pela inteligência da poderosa nação do norte, afrontando o princípio da autodeterminação dos povos. Mas, por trás da prisão de Maduro para responder pelas acusações de que é alvo, há também interesses como o do controle das reservas de petróleo do país atacado, hoje as maiores do planeta, num total de 303 bilhões de barris, 17% do total de reservas mundiais.

Aliás, atacar ou, mesmo, invadir outros países faz parte da cartilha de Washington desde, pelo menos, 1954, quando a Agência Central de Inteligência (CIA) orquestrou o golpe de Estado que depôs o então presidente da Guatemala, Jacobo Árbenz (1913-1971). Outros tantos suceder-se-iam àquele, ao longo da Guerra Fria, com a presença militar direta ou indireta dos EUA. Basta consultar, leitor, os livros de História.

Agora, ao manifestar o desejo de comprar a Groenlândia à Dinamarca, Trump reforça o propósito anunciado assim que assumiu a Presidência. Sua geopolítica se baseia, neste caso em particular, na expansão da zona de influência dos EUA no Atlântico Norte, diante da constante movimentação de navios da Rússia e China. O ataque à Venezuela realmente abre um precedente perigoso. Trump subverte todas as normas, desrespeita acordos e ameaça inclusive ocupar militarmente o território de um país que, como os EUA, também é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

E um ataque a um país-membro da OTAN geraria, em tese, a reação de todos os demais. Todavia, ao que parece, na concepção de Trump, de nada valem acordos, tratados ou princípios diplomáticos quando prevalecerem os interesses dos Estados Unidos. Há, mesmo, muitos motivos para a apreensão mundial, diante de suas provocações.

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