Quando me ouvir no rádio

Escrito por Rico Rodriguez producaodiario@svm.com.br
17 de Fevereiro de 2025 - 06:00
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Legenda: Rico Rodriguez é docente do Curso de Design do Centro Universitário UniFanor Wyden

Aos meus 10 anos de idade, meu pai, que era taxista, chegou em casa trazendo um radinho de pilha portátil japonês. Eu não sabia o que eram Ondas Curtas, AM, FM, apenas me divertia com aquela caixinha de música eletrônica. Bastava girar o dial e, num plural de vozes, chiados e canções, escolhia as que mais me apraziam atenção às notícias que vinham depois.

Hoje, adulto, consciente do poder da comunicação, compreendo que o rádio é ímpar em sua capacidade de (des)informar, emocionar e conectar pessoas, pois alcança democraticamente a todos – chegando a lugares que outras mídias não alcançam. Além de entretenimento, o rádio faz chegar a todos informações de utilidade pública em áreas como saúde e direitos civis, transformando vidas. 

O rádio amplificou as vozes de líderes comunitários, artistas regionais e especialistas locais. Com o avanço da tecnologia, o rádio se fundiu ao som "3 em 1"; atualmente, ao celular, ao smartphone, ao relógio digital. Redes sociais, plataformas on-line, podcasts não tornam o rádio obsoleto, apenas ampliam seu alcance; sua essência permanece: um meio que fala direto ao coração.

Para preservar seu poder, é preciso equilibrar tradição e inovação, usando tecnologia para aprimorar a qualidade sem perder a conexão humana que o define, bem como demarcar seu espaço na luta contra “fake news”, com programas que ensinem o público a separar o falso do fato, atuando com transparência, sem sensacionalismos.

Gugleilmo Marconi, Nikola Tesla e Pe. Roberto Landell trouxeram essa poderosa ferramenta de comunicação ao mundo, e Freddie Mercury a imortalizou em sua Radio Ga Ga: Let's hope you never leave, old friend (Vamos torcer para que você nunca nos deixe, velho amigo)/ Like all good things, on you we depend (Como todas as coisas boas, dependemos de você).

Quando, em 2023, um cantor jovem, como Jão, entoa “Quando me ouvir no rádio/ Será que vai dar pra perceber/ Que tudo que eu canto ou falo/Ainda é só sobre você”;  bem, é certo: o velho amigo nunca nos deixará.

Rico Rodriguez é docente do Curso de Design do Centro Universitário UniFanor Wyden