Intrigas do fundo do Poço

Escrito por
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira producaodiario@svm.com.br
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira é diretor de Cultura e Cidadania da Fundação Sintaf
Legenda: Luiz Carlos Diógenes de Oliveira é diretor de Cultura e Cidadania da Fundação Sintaf

As paredes do Mercado do Peixe, na bela enseada do Mucuripe, em Fortaleza, registram pouco da saga de quatro bravos jangadeiros cearenses, em 1941. Amplamente noticiada no Brasil e motivo até para filme do festejado cineasta Orson Welles, a Política da Boa Vizinhança norte-americana, menos histriônica, porém já insidiosa, orientava seus passos na América Latina, com fins de hegemonia econômica mundial.

A aventura destes pescadores ancora em uma realidade de luta de classes, velada, pregressa, na Praia do Peixe, depois Praia de Iracema, hoje Poço da Draga. Velejaram rumo ao Distrito Federal, durante 61 dias, ao sabor dos ventos e guiados pelos astros.  Jacaré, Jerônimo, Manuel Preto e Tatá levavam no samburá, além de víveres e água, reivindicações de direitos trabalhistas e sociais historicamente negados. Getúlio Vargas acendera uma esperança.

Jacaré, determinou-se, antes, a se alfabetizar com a ajuda da Professora Lyrisse Porto, na Colônia de pescadores Z-1. O domínio da leitura e da escrita robusteceram-lhe a natureza de dirigente, representante de categoria. Escreveu o Diário de Bordo da viagem, que hoje só se tem notícias nos arquivos dos jornais da época, do Rio de Janeiro e de Fortaleza. O Diário que ficou famoso e foi parar no museu do Ceará e pretende contar toda a história foi escrito por outras mãos. Guiadas por cabeças habilidosas, pregam a harmonia social entre a caridade assistencialista, praticada por uma minoria privilegiada, e a apatia miserável dos que não lutam por direitos iguais de cidadania e de democracia real. A Política da Boa Vizinha também se dá entre classes sociais.

Jacaré, visionariamente, sonhava com formação universitária para seus descendentes. Isabel, líder comunitária do Poço da Draga, sucedendo sua mãe nas causas do desenvolvimento comunitário, segue também a trilha aberta por aquele líder. 

Não para exibir títulos universitários, que já os têm, mas para fortalecer a musculatura da consciência política crítica, adquirida no exercício cotidiano da práxis. Que seu Diário de Bordo não se extravie, tal qual o do Jacaré, perdido nas intrigas do fundo do poço...
 
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira é diretor de Cultura e Cidadania da Fundação Sintaf
 

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