Globalização, nova ordem mundial e o Brasil

Escrito por
Aldairton Carvalho producaodiario@svm.com.br
Aldairton Carvalho é advogado
Legenda: Aldairton Carvalho é advogado

Durante décadas, a globalização foi apresentada como um destino inevitável da humanidade. Um mundo de fronteiras diluídas, mercados integrados, circulação irrestrita de capitais, pessoas e ideias. A crença dominante era a de que a interdependência econômica reduziria conflitos, diluiria rivalidades históricas e produziria uma ordem internacional mais estável e cooperativa. A globalização, tal como concebida no pós-Guerra Fria, não acabou por completo, mas perdeu seu caráter universal e idealista.

Em seu lugar, surge uma globalização seletiva, estratégica e profundamente política, marcada por disputas de poder, segurança nacional e controle de recursos críticos.A virada começou de forma silenciosa: crises financeiras, disputas tecnológicas, conflitos regionais e o uso explícito de sanções econômicas como instrumento de política externa. Cadeias produtivas passaram a ser vistas não apenas como vetores de eficiência, mas como vulnerabilidades estratégicas e o Estado, que muitos acreditavam estar em declínio, voltou ao centro do tabuleiro.

Hoje, tecnologia, energia, alimentos, semicondutores, minerais estratégicos e dados são tratados como ativos de segurança nacional. A lógica do livre mercado deu lugar à lógica do interesse nacional.
Nesse novo cenário, o sistema internacional se organiza, na prática, em torno de três grandes polos: Estados Unidos, potência militar, tecnológica e financeira dominante no Hemisfério Ocidental; China: centro industrial e financeiro da Ásia, com crescente influência sobre o Hemisfério Sul por meio de comércio, financiamento, infraestrutura e tecnologia e Rússia: potência militar e energética, cuja estratégiase baseia na reconfiguração de espaços geopolíticos, sobretudo na Europa e na Eurásia.

Em um mundo tripolar, países que não definem claramente sua inserção estratégica acabam sendo pressionados de forma indireta, muitas vezes em condições menos favoráveis provando que “não escolher” também é uma escolha, geralmente a pior delas.

Caberá ao Brasil decidir com qual polo existe maior convergência de interesses, menor risco de conflito e maior possibilidade de preservação da soberania.

Aldairton Carvalho é advogado

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