É preciso que tudo mude...

Escrito por
Fábio Sobral fabio.maia.sobral@gmail.com

A câmara dos deputados dos Estados Unidos aprovou no dia 10/03 um pacote de ajuda aos cidadãos americanos para o enfrentamento da pandemia de covid 19.

Isso inaugura a transição para uma nova forma de relação entre o Estado e a população, superando o modelo Thatcher, na Inglaterra, e Reagan, nos EUA, de cortes de gastos públicos e transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos.

Porém, Joe Biden não está orientando a economia americana para um novo Welfare State (Estado de Bem-Estar). Há uma nova característica. Não se trata de um retorno a uma sociedade onde os ganhos de renda sejam baseados nas rendas obtidas com o trabalho. Nos Estados Unidos, a transformação se dá por meio de complementações de renda. Cheques são destinados às residências.

Direitos trabalhistas e sociais foram esmagados por governos conservadores por 40 anos. Governos dos dois principais partidos americanos, Democrata e Republicano. Não serão reconstruídos os direitos. Mas a renda deverá ser complementada pelo Estado.

Há uma mudança visível nos EUA e na União Europeia. O capitalismo não sobreviverá sem manter a capacidade de consumo. Rendas complementares se tornaram indispensáveis, quando antes eram uma heresia.

Enquanto isso, um estado de bem-estar social está sendo construído na China. As camadas médias em breve serão compostas por 550 milhões de pessoas. E depois por 750 milhões. Números estonteantes. A distribuição de renda chinesa é promovida com a elevação de salários. Um modelo clássico de Welfare State.

O mundo mudou. No Oriente há distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida com o crescimento da renda. No Ocidente, há as complementações das rendas familiares. Dois modelos distintos com um mesmo diagnóstico: não há como o capitalismo continuar a existir com a fórmula neoliberal do abandono das populações a sua própria sorte. A luta encarniçada e desigual pela sobrevivência não poderá se manter. O próprio capitalismo sucumbe se tudo for mantido igual.

Parafraseando o magistral Tomasi di Lampedusa por meio de seu personagem, príncipe Salina, em “O Leopardo”, é preciso que tudo mude para que permaneça como está.

Fábio Sobral
Professor de economia da UFC

Assuntos Relacionados
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira
19 de Março de 2026
Rosette Nunes Correia Lopes é advogada
Rosette Nunes Correia Lopes
18 de Março de 2026
Consultor pedagógico
Davi Marreiro
17 de Março de 2026
Filipe Papaiordanou é advogado
Filipe Papaiordanou
15 de Março de 2026
Mávia Ximenes é fisioterapeuta
Mávia Ximenes
14 de Março de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
13 de Março de 2026
Saraiva Júnior é escritor
Saraiva Júnior
12 de Março de 2026