Cuidados emperrados

É incrível se admitir que este País, numa época em que especial anseio social tem marcado seu dia a dia, esteja mais envolto em questões políticas - mais ainda pela proximidade das eleições municipais -, do que para a solução de problema atual, gravíssimo e inadiável, que tem marcado esses dias.

Nenhum brasileiro, por certo, pretenderia retirar da política seu real valor, como um dos condutores dessa enorme máquina administrativa, vez que deveria agir em consonância com os cuidados que o País merece receber.

Muito embora a essa realidade imponha-se valor de dimensões acanhadas, considerando a magnitude territorial, o considerável número de habitantes, a força de trabalho e as riquezas naturais, além de um sem-número de peculiaridades que o consideram uma grande nação, ao Brasil não se justifica não ter, na sua "ordem do dia", um magnífico esforço compatível à especial esperança de seu povo.

A enormidade e complexidade da nação brasileira, por si só, impede que, em campanhas eleitorais, presentemente, a qual se avizinha, se use desse direito de postular cargos eletivos, unicamente por vaidade dos pretendentes, sem olhar para sua compatibilidade com o que almejam exercer. É constitucional não haver exigência dos candidatos terem esse ou aquele grau escolar; por outro lado, não há contemporização de estar qualquer postulante muito aquém das reais necessidades brasileiras.

Em qualquer área em que o País exerça sua autonomia político-administrativa, não se pode indicar um setor que dispense o trabalho competente da classe política. As noticiadas eleições fazem precisa indicação aos municípios e suas representações. Não se aventaria de desnecessidade de serem muito bem cuidados, mas os livrando de atos ímprobos que lhes cause menoscabo, certo de que nossa expressiva cidadania quer zelo num porvir de retidão.

Antonio Caminha Muniz Filho

Advogado


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