Ausências e presenças

À medida que as areias de 2020 se esvaem celeremente no interior da ampulheta irreversível do tempo, está claro que este foi um ano atípico sob vários aspectos. Em especial, pelas ausências – primeiramente, dos entes queridos e amigos que se foram, de forma cruel e surpreendente, abalando tantas famílias, dilacerando lares pelo desaparecimento súbito de pais, mães, filhos… 

Tanta gente arrebatada pela intensidade de um vírus que, detectado inicialmente na China, alastrou-se pelo planeta, causando mortes, paralisando e desestabilizando a economia mundial. Ausentamo-nos, todos nós, pela imperiosa necessidade de nos protegermos da Covid-19, de nossas atividades corriqueiras, do nosso trabalho e dos lazeres tão necessários ao cotidiano social. 

Tivemos que nos afastar, por força até da urgência em protegê-los, de nossos idosos, as mais frágeis e potenciais vítimas da pandemia! Muitos empregos foram perdidos, diante da longa paralisação econômica mundial. E, com a ausência de trabalho, vieram a depressão, angústia, preocupações para tantos pais e mães de famílias que se viram desamparadas. Porém, muitas também foram as presenças da dedicação dos profissionais da saúde no socorro às vítimas da doença, nos períodos mais críticos. 

Assim, também, a mobilização de cidadãos e instituições em socorro às famílias carentes, moradores de rua ou todos aqueles que, desempregados pela pandemia, viram-se repentinamente jogados às raias do desespero. Atos concretos de solidariedade, amor, carinho e disponibilidade estiveram presentes e compensaram, por outro lado, as grandes tormentas que transpusemos. 

A história futura registrará este ano como um dos mais complicados dos tempos atuais. Todos nós, que o atravessamos desde o início, sabemos bem o que cada um viveu, sentiu, sofreu, mas que algo recebeu também de positivo e bom, da parte de seus semelhantes.

Gilson Barbosa

Jornalista


Assuntos Relacionados