ZPE será apresentada a estrangeiros
Momento é considerado propício para o Ceará mostrar o equipamento que tem para dar força à exportação no Estado
O assessor especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado do Ceará, Antônio Balhmann, considera que esse é o momento para o Ceará mostrar para o mundo e para o Brasil um fato novo da economia brasileira, que são as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação). No Ceará, esta freezone é a única do Brasil que opera em dimensões adequadas. "Nós temos umas frentes que estão abertas. É um cenário complicado, pela imagem que o Brasil está tendo lá fora, pelo aspecto econômico e político que se incorpora extremas dificultadas, mas mesmo assim não estamos desanimando e acho que é a hora de mostrar o que temos", analisa.
Balhmann comenta que passou alguns dias na China, junto com o presidente da ZPE do Ceará, Mário Lima Júnior, visitando várias zonas livres, inclusive as que foram pioneiras no planeta. Agora, ambos estão em cima dessa pauta, mobilizando cada setor do Estado e verificando as possibilidades de, com a ZPE, tornarem-se exportadores no mercado que o Brasil perdeu.
O assessor especial para Assuntos Internacionais do Estado comenta que são vários os setores estudados para se instalarem na ZPE do Ceará. Um deles é o de roupas e confecções. Ele acrescenta que ainda vão definir quantas empresas seriam necessárias dentro da ZPE para serem competitivas no mercado internacional, como existe na China.
Balhmann destaca o setor dos calçados, em que muitas empresas que vieram para o Ceará na época do ex-governador Ciro Gomes, estão produzindo lá fora, em ZPEs. "Já falei com alguns empresários e estou num processo de convencimento de trazê-los para dentro da ZPE do Ceará. Passando a produzir no Brasil e gerar aqui as dezenas de milhares de empregos que eles geram fora", comenta. De acordo com Balhmann, as empresas estão instaladas na Nicarágua, Vietnã, China e Índia.
"Queremos apresentar a ZPE do Ceará como uma alternativa viável com logística boa e porto bom", enfatiza. Entre as facilidades de produzir na ZPE é a questão de que não há imposto, operar com qualquer moeda e qualquer banco do mundo. "Aqui é um ambiente como as grandes ZPEs do mundo", declara.
Nova legislação
O assessor do Estado informa ainda que uma legislação para operação da Zona de Processamento no Brasil corre na Câmara Federal. "Fui relatar da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC) e ela (a legislação) já está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) para ir para Plenário (da Câmara dos Deputados). Isso vai dar mais competitividade para a ZPE do Brasil e do Ceará", afirma Balhmann. A novidade brasileira é a viabilização definitiva do sistema de zona de processamento de exportação no País. "Existem 22 projetos no Brasil, mas o único que tem se firmado com grandes investimentos é o do Ceará", reforça o assessor sobre o desempenho.
Negociação por refinaria
Quando o assunto é refinaria, Balhmann disse que prefere manter o tema reservado, mas que está trabalhando e o governador Camilo Santana, pessoalmente, quando esteve na China, ajudou na construção dessa perspectiva. Desde o cancelamento do projeto pela Petrobras, o chefe do executivo estadual empreendeu uma campanha de captação de um investidor internacional para viabilizar a refinaria cearense, o que tomou mais força com a entrada de Balhmann no governo e a negociação com empresários chineses.
"O que é certo é que nós, hoje, temos uma nova base de negociação desse sonho do Ceará, sem a Petrobras. Esse é o fato novo", afirma sobre o que vem discutindo com Camilo.
Prioridade
Segundo informou o assessor, existe uma nova base no acordo entre Brasil e China e na seleção de prioridades nos negócios, tanto no país asiático, como do Brasil. Ele garantiu que, ao participar de uma negociação entre o governo federal - através do Ministério de Planejamento - e o Ministério do Comércio Chinês, a refinaria é uma das prioridades da pauta. "Foi colocada como a primeira da lista", disse.