SDE quer ações de curto prazo para economia reagir
Questões relacionadas à seca, infraestrutura e métodos para destravar investimentos foram os mais citados em reunião
A estratégia para alavancar a economia cearense em meio a crise deve ser centrada em ações de curto prazo que visam os destraves burocráticos e de financiamento, segundo concluiu o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Cesar Ribeiro, após reunião com representantes do setor produtivo local. Em reunião na sede da SDE na tarde de ontem, o secretário recebeu demandas que tratam de antigos gargalos: seca, infraestrutura e investimento (crédito e financiamento).
"A gente sabe que o problema da seca, de infraestrutura e investimento existem, mas temos que trazer justamente esses atores e encontrar algumas ações curtas, factíveis de serem realizadas e que certamente vão fazer a economia andar de forma mais rápida. Isso vai beneficiar o movimento da economia local, a produção e é isso que a gente quer: melhorar e destravar algumas ações importantes para o desenvolvimento econômico do Estado", afirmou o secretário, alertando a todos que não quer trabalhar o PIB cearense considerando o impulso dado pela CSP, "para não ficar cômodo".
Destravar bilhões
Antes de mesmo de compilar as sugestões dos empresários - as quais serão enviadas à SDE até a próxima segunda-feira (17) -, Ribeiro informou de um termo de cooperação fechado entre o governo do Estado e o Banco do Brasil (BB), que deve destravar pelo menos R$ 2 bilhões em crédito para indústrias que têm o pedido reavaliado.
Todas ações que o BB poderá fazer para auxiliar o Ceará no destrave de investimentos pela iniciativa privada deve ser apresentada no próximo dia 20 de abril, segundo o titular da SDE, quando o governador Camilo Santana deve apresentar com detalhes o termo de cooperação.
"Inclusive, já tenho agenda com o Marcos (Holanda), no BNB (Banco do Nordeste do Brasil), onde vamos fazer da mesma forma: tentar algumas ações práticas, não apenas termos de cooperação, mas ações de curto, médio e longo prazo na concessão de crédito, abertura de financiamento que são tão importantes pro setor privado", revelou.
Apelos e sugestões
Na mesa, com representantes do setor produtivo, Ribeiro ouviu do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, que "a agricultura irrigada praticamente se esfacelou" nos últimos anos. Apoiado por Carlos Prado - que representava a Federação das Indústrias do Ceará, mas é do setor de agronegócio -, Saboya defendeu critérios mais rígidos ao definir a prioridade do uso da água, assim como a utilização de armazéns que acondicionem comida aos animais.
"Eu acho que se nós tivéssemos nos próximos dois anos adotando algumas medidas que entendemos necessárias, nós poderemos recuperar a economia", afirmou, classificando como essencial promover uma "mudança radical da visão do homem na convivência com o semiárido".
Também representando a Fiec, Firmo de Castro ponderou sobre os objetivos do trabalho liderado pela SDE, que promete reunir as secretarias de governo para destravar as demandas apontadas por cada setor e cobrar datas para isso de cada uma delas. Ele ainda defendeu a definição de uma metodologia que atenda a esses interesses.
"Quer na área tributária, quer na área ambiental tem muitos procedimentos estatais que estão vencidos. Acho que muitas ações de modernidade podem ser executadas em proveito de todos no Estado do Ceará. Agora, imaginar que o resultado daí ser um impulso no desenvolvimento, obviamente, seria muito pretensioso", ponderou o consultor. Já o articulador da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae-CE, Antônio Elgma, levou à SDE sugestões de ações de rápido retorno, como Ribeiro pretende. A primeira diz respeito à Rede Simples, visando a simplificação de abertura de empresas no Estado.
"O Estado do Ceará foi pioneiro na década de 1990 no que diz respeito às compras públicas e tem volume de compra muito grande. Então, podemos desenvolver ações para que a micro e a pequena empresas possam participar dessas licitações e fazer com que esses recursos, ao invés de sair do Ceará, possam ficar dentro do Estado", citou, apontando ainda a necessidade de modernização da legislação relacionada à economia digital e cultura empreendedora. Ainda participaram da reunião com na SDE representantes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE) e da Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do Ceará (Facic).
Pontos de vista
"Temos que trazer esses atores e encontrar algumas ações curtas, factíveis de serem realizadas"
Cesar Ribeiro
Secretário de Desenvolvimento Econômico
"Acho que, se nós tivéssemos adotando algumas medidas necessárias, poderemos recuperar a economia"
Flávio Saboya
Presidente da Faec
"Acho que muitas ações de modernidade podem ser executadas em proveito de todos no Estado do Ceará"
Firmo de Castro
Consultor da Fiec