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Potencial do Cipp é mostrado a cearenses e portugueses

O nível de segurança para investimento no Pecém foi um dos temas abordados ontem em evento na sede da Fiec

Escrito por
Bruno Cabral - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: O presidente da Aecipp, Fernando Moura, disse que existe um grau de desconhecimento muito grande dos empresários cearenses em relação às oportunidades de negócios no Cipp
Foto: Fotos: Rodrigo Carvalho/JL Rosa

Tendo em vista as oportunidades de negócios oferecidas pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), sobretudo para prestadores de serviços e fornecedores de materiais, evento com empresários cearenses e portugueses apresentou os setores com maior potencial de crescimento no complexo. "O Pecém é uma ilha de oportunidades", disse o presidente da Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Aecipp), Fernando Moura.

Durante a palestra "Pecém: A nova ordem industrial e logística do Ceará", realizada na tarde de ontem na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Moura destacou o nível de segurança para investimento no Cipp, o apoio do Governo do Estado, a malha viária do complexo, a segurança energética e os grandes investimentos como o da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). "Que outro estado tem um investimento de US$ 5,4 bilhões, empregando 12 mil pessoas?", questiona.

Apesar das oportunidades, o presidente da Aecipp diz que muitos cearenses não se dão conta do potencial do Cipp. "Percebo que existe um grau de desconhecimento muito grande dos empresários cearenses em relação às oportunidades de negócios que tem no complexo, com quase R$ 29 bilhões investidos lá. Tem grandes empresas e muita gente trabalhando", diz.

Devido a esse desconhecimento, Moura afirma que grande parte dos serviços de fornecimentos de materiais, por exemplo, é realizada por empresas de fora. "Além do volume da oportunidades de negócios, também há muitos desafios que a gente tem que vencer, e esses desafios também são sinônimos de oportunidades", acrescenta. A Aecipp reúne 14 empresas, que geram mais de 6.100 empregos diretos e um faturamento anual projetado superior a R$11,9 bilhões.

Momento de união

Para Armando Abreu, presidente da Câmara Brasil-Portugal no Ceará, promotora do evento, o atual momento de crise é propício para que os empresários se unam em busca de soluções conjuntas. "Hoje, todo mundo se queixa de que estamos em crise, mas os negócios não caem de para-quedas, então a ideia é incentivar o relacionamento das pessoas", disse. "A presença portuguesa no Ceará está relacionada à hotelaria, energias renováveis e construção civil. E em 2014, o investimento português foi o maior investimento estrangeiro aqui no Ceará", observa.

Segundo Abreu, o objetivo do encontro é estimular o empresário local a participar da cadeia produtiva relacionadas à operação das principais empresas do complexo. "O Pecém tem algumas empresas âncora, como a CSP, as térmicas, e a Wobben, em cujo entorno há uma série de outras indústrias paralelas de serviços, de fornecimento de equipamentos, de produtos. A ideia é aproveitar isso", diz.

O empresário português Marcos Correia, presidente da Socorpena Construções, está há oito anos no Ceará, em Caucaia, e aposta no potencial de crescimento do litoral oeste do Estado para os próximos anos, principalmente pela influência do Porto do Pecém. E, diante do momento de crise, ele diz que o empresário não pode ficar dependendo do governo. "Estamos a ser altamente muito penalizados pelo momento que Brasil está a passar. E acho que iniciativas como esta (da Câmara Brasil-Portugal no Ceará) podem garantir a sobrevivência das empresas".

Correia destaca que o momento requer ajuda mútua dos setores empresariais e industriais. "Não devemos confiar essa missão a nenhum governo, porque é a nossa sobrevivência que está em risco", afirma. Embora diga que a situação no Ceará esteja melhor do que em outros estados, ele se diz temeroso porque não vê surgir novos projetos.

O vice-presidente da Câmara Brasil-Portugal no Ceará, José maria Zanocchi, ressaltou que o Cipp oferece possibilidade de parcerias entre Brasil e Portugal em diversos setores, "mas é preciso alguma mobilização para afastar o pessimismo e olhar para a frente. Já há a percepção lá fora de que, depois da crise, o Brasil sairá mais forte".

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