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PIB do País sobe 0,2% no 2º tri e acena com saída da recessão

Segundo o IBGE, a alta ocorreu em relação ao primeiro trimestre deste ano, que já tinha demonstrado melhora

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Brasileiros voltaram a consumir um pouco mais com o salário real subindo, o que puxou o crescimento do setor de serviços no 2º trimestre (0,6%). O PIB da agropecuária ficou estável, enquanto o da indústria caiu 0,5%
Foto: Fotos: LUCAS MOURA / HONÓRIO BARBOSA

Rio. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, de 0,2% em relação ao primeiro trimestre de 2017, foi puxado por serviços e consumo, afirmou nessa sexta-feira (1º), a coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Em relação ao segundo trimestre de 2016, a alta foi de 0,3%.

Do lado da produção, o comércio (com alta de 1,9% ante o primeiro trimestre) puxou os serviços. Pelo lado da demanda, o destaque foi o consumo das famílias, com alta de 1,4%. "O crescimento foi puxado por serviços e consumo das famílias", destacou Rebeca, lembrando que o consumo das famílias já tinha registrado queda menor no primeiro trimestre.

Entre a série de fatores para explicar a alta do consumo das famílias, Rebeca Palis citou a massa salarial crescendo em termos reais, "porque o salário real está crescendo, com a forte desaceleração da inflação".

"O aumento do salário real mais que compensou a queda na ocupação", afirmou Rebeca Palis, lembrando que houve também o efeito positivo da liberação dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Outros fatores por trás da alta do consumo das famílias são as taxas de juros menores, embora o crédito ainda esteja caindo em termos reais.

No geral, para a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o destaque positivo do PIB do segundo trimestre deste ano foi o consumo das famílias, enquanto o destaque negativo foi a queda dos investimentos (de 0,7% ante o primeiro trimestre e de 6,5% em relação ao segundo trimestre de 2016).

Trajetória ascendente

Segundo Rebeca Palis, o crescimento do PIB do segundo trimestre deste ano confirma a trajetória mais positiva da atividade econômica. "Olhando o ciclo, a partir do segundo semestre do ano passado, estamos em trajetória ascendente", afirmou, mostrando um gráfico com a variação do PIB acumulado em quatro trimestres. A pesquisadora frisou que o IBGE não data os ciclos econômicos, identificando o término da recessão, mas reconheceu que essa trajetória ascendente é "coerente com a saída de uma recessão".

Construção

Para ela, o ajuste fiscal conduzido pelos governos federal e estaduais afetou o desempenho da construção. A construção teve um recuo de 7,0% no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado, a principal contribuição negativa para o PIB industrial, que encolheu 2,1% no período. "Tem uma parte importante da construção que tem a ver com o setor público. Se você tem que fazer ajuste fiscal - e isso está acontecendo nos três níveis, especialmente no governo federal e Estados -, o mais fácil de cortar é investimentos. A parte de investimento público realmente está sofrendo", contou Rebeca.

Quanto ao setor privado, a recuperação também é muito gradual, de médio e longo prazo. No segundo trimestre, a construção teve perda tanto pela parte imobiliária quanto pela infraestrutura, disse Rebeca. "Quem mais investe é governo e empresas. A família investe pouco, é muito menor comparado ao setor público e empresas", explicou a pesquisadora.

Setores

O PIB de serviços subiu 0,6% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2017. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o PIB de serviços mostrou queda de 0,3%.

O PIB da indústria, entretanto, ficou negativo na mesma base de comparação: caiu 0,5% no segundo trimestre ante os três primeiros meses de 2017. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o PIB da indústria apresentou queda de 2,1%.

O PIB da agropecuária, por sua vez, ficou estável no segundo trimestre contra o primeiro trimestre de 2017. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o PIB da agropecuária mostrou alta de 14,9%.

Investimentos

O mau desempenho do setor de construção afetou os resultados dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) encolheu 6,5% no segundo trimestre ante igual trimestre de 2016. No mesmo período, o Consumo do Governo diminuiu 2,4%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2017, o Consumo do Governo caiu 0,9% no segundo trimestre deste ano, pressionado pelos gastos menores de governos estaduais. A FBCF encolheu 0,7% nesse tipo de comparação, com uma queda de 2,0% na Construção.

Recessão

Especialistas consideram que, embora modesto, o crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre deste ano indica que o país começa a deixar para trás a recessão econômica. O resultado também ajuda a consolidar a tendência verificada no primeiro trimestre do ano, quando, favorecido pelos bons resultados da agropecuária, o PIB cresceu 1%, interrompendo dois anos de quedas consecutivas.

Opinião do especialista

Resultado ainda não confirma recuperação

O resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, que registrou um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, mostra, na verdade, que a economia brasileira ainda não se recuperou. Mostra que ela ainda está com dificuldade de confirmar uma recuperação mais clara, embora já se diga que esse resultado de 0,2% seja uma garantia de retomada, eu não acredito.

Já no caso do PIB do Ceará, nós ainda precisamos dos dados nacionais para complementar as nossas estimativas para o segundo trimestre. Mas estamos com a expectativa de vir um resultado melhor do que o brasileiro, assim como ocorreu no primeiro trimestre. Ainda há muitas variáveis a serem analisadas mas, a primeira vista, a gente deve continuar melhorando. A própria prévia do Banco Central aponta que muito provavelmente a gente vá chegar num resultado positivo no segundo trimestre, tanto na comparação com o segundo trimestre do ano passado, como na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Flávio Ataliba
Diretor geral do Ipece

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