'Pernambuco tem reação mais rápida que o Ceará'
Situação do Estado se difere da configurada em Pernambuco, que mergulhou rapidamente em dificuldades
O Ceará demorou mais a entrar na crise em comparação a outros estados. Assim, também terá uma recuperação mais lenta. A análise é do economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Luiz Alberto Esteves, que palestrou na última sexta (1º) no I Encontro de Entidades Públicas de Previdência do Ceará, na sede da instituição financeira. "O Ceará foi sempre mais estável. Quando a economia do Estado caiu, foi menos que os outros estados do Nordeste. Então, ele cresce lento também. É como se o ciclo do Estado fosse mais bem ajustado. Isso é uma coisa boa", analisa Esteves.
O economista-chefe do banco avalia que o Nordeste, de um modo geral, mostrou-se mais resistente às dificuldades econômicas. "O Brasil entrou na crise no final do segundo semestre de 2014. E a região Nordeste só foi entrar mesmo no meio de 2015. Então, tivemos um lapso temporal", compara ele.
Entretanto, Esteves avalia que os estados da região apresentaram diferentes reações ao momento de dificuldades. "Teve estado do Nordeste que entrou (na crise) lá atrás, junto com o Brasil. Pernambuco é um exemplo. Foi o primeiro Estado a entrar na crise e hoje ele está saindo mais rápido", afirma
Essas diferentes manifestações nos estados nordestinos são explicadas por fatores peculiares de cada uma das economias, avalia Esteves. "A Bahia, por exemplo, tem um setor de petróleo e gás muito parrudo. É um setor que quase virou pó, por causa da Lava Jato. O Ceará não estava tão exposto a esse tipo de coisa. Então, não foi tão complicado. Pernambuco cortou muitos investimentos públicos que iriam fazer uma grande diferença. Aqui no Ceará, tinha isso também, mas não era tanto. Então, a economia ela sofreu menos", analisa ele.
O economista-chefe diz que a boa situação fiscal do Ceará pode ter contribuído para que a crise por aqui tenha se manifestado de uma forma diferente, mas avalia que também ocorreu o movimento inverso. "A situação fiscal fica melhor quando o ciclo (da crise econômica) é mais bem comportado", argumenta.
Crescimento
A atividade econômica do Ceará cresceu 0,54% no segundo trimestre deste ano em comparação ao primeiro, aponta o Índice de Atividade Econômica Regional do Ceará (IBCR-CE). Os dados são dessazonalizados, ou seja, ajustados com base nos impactos de fatores típicos de determinadas épocas do ano. O dados são considerados como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), indicador oficial do desempenho da economia.
O resultado cearense ficou melhor que a média nacional, que apresentou crescimento de 0,25% no trimestre de abril a junho ante o período de janeiro a março, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).
Cenário externo favorável
Embora o Brasil ainda não tenha saúde fiscal e conviva com uma grave crise política, o cenário internacional figura como positivo na retomada da economia, de acordo com o estrategista-chefe do BTG Pactual Asset Management, João Scandiuzzi. O representante do banco também palestrou na última sexta no I Encontro de Entidades Públicas de Previdência do Ceará.
"Os Estados Unidos estão com um crescimento 'OK'. Não está um crescimento espetacular, mas está bom, por volta de 2%, que é um pouquinho acima do potencial deles, mas na medida em que você não tem um estimulo muito forte para a economia, significa que o FED (banco central norte-americano) pode continuar a subir juros, mas de uma maneira muito gradual. O dólar não fica tão forte globalmente, e isso acaba sendo bom para o Brasil", analisa.
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