Ceará quer atrair fábrica de uniformes da Latam
Além do próprio hub, Estado procura oportunidades de investimentos da cadeia produtiva da empresa
Enquanto disputa com Natal (RN) e Recife (PE) pelo hub da Latam no Nordeste, o governo cearense procura atrair outros investimentos relacionados ao equipamento para o Estado. Uma oportunidade que já está sendo negociada é a atração de uma fábrica, para a Zona de Processamento e Exportação do Ceará (ZPE-CE), que confeccione os uniformes da empresa e das outras companhias administradas pela Latam na América do Sul.
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De acordo com César Ribeiro, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, um representante da companhia já teria visitado as instalações da ZPE-CE e a possibilidade "está no radar da Latam". Ele afirma ter reforçado para a empresa, em encontro realizado no início do mês, a intenção do Estado em não só trazer a operação do hub, mas de uma indústria que trabalhe o valor agregado em cadeia produtiva da Latam.
"É importante abrir o canal de comunicação para que as pessoas não enxerguem apenas um único investimento, mas o potencial que o Estado tem para receber vários em cima de uma única estrutura", destaca o secretário. Ribeiro acrescenta ainda que a Latam controla sete companhias na América Latina. "De repente, trazer um hub para fazer a produção desses uniformes aqui no Ceará saindo para a América do Sul seria fantástico".
Durante o Fórum de Venture Capital realizado ontem pela AmCham Fortaleza - Câmara Americana de Comércio, Ribeiro afirmou que o projeto do hub da Latam só não se viabiliza hoje por conta da queda da demanda por passagens aéreas, afetada pela recessão econômica. "Eles disseram que a demanda do Brasil para os Estados Unidos caiu 50%. Hoje não justifica fazer esse investimento. Mas já está melhorando", pontua.
De acordo com o secretário, a companhia até já admite, com uma melhora do cenário, assumir um pouco do risco da demanda por passagens aéreas para investir no projeto. "Eles também sabem que o Ceará agora, com a Fraport, mostra-se um grande potencial de hub não só para a Latam. Então ela já começou a identificar que o horizonte é muito bom para ela e para outras empresas, que a gente já estava também conversando".
Investimento
Destacando que o hub da Latam é um projeto prioritário para o governo e também para a companhia, o titular da Pasta de Desenvolvimento Econômico aponta que a concretização do investimento depende mais da retomada da demanda por passagens aéreas internacionais do que do governo cearense. "A gente está com uma grande expectativa de, nos próximos meses, anunciar alguma coisa em relação a isso".
A Latam já conversa com a Fraport para pensar um projeto em comum em relação ao hub. Ribeiro pondera, entretanto, que isso não quer dizer que algo esteja definido ainda, uma vez que a companhia sul-americana também está em contato com o Consórcio Inframérica, operador do terminal de São Gonçalo do Amarante, em Natal. "Mas não há condição melhor para o hub da Latam que o Estado do Ceará", defende.
O secretário destaca ainda que a própria Latam reconheceu que o governo do Estado fez o seu "dever de casa" para criar um ambiente atrativo. "Toda a questão de incentivos, de todos os impostos que cabiam à Prefeitura e ao Estado, o governo fez a lição de casa. Conseguiu com a base aérea a ampliação da área para fazer um terminal muito maior, colocou a estrutura toda à disposição, fizemos um grupo de trabalho", lista o titular.
Projeto
Em relação à concessão do Aeroporto Internacional de Fortaleza - Pinto Martins, arrematada pela Fraport, a Latam teria afirmado que era "a única coisa que faltava", segundo Ribeiro. Isso porque o projeto só seria realizado em um aeroporto administrado pela iniciativa privada. "Eles falaram: 'na verdade, vocês não conseguiram um privado, vocês conseguiram o privado' - reconhecendo a eficiência da administração da Fraport ", ressalta.
A operadora alemã assina, no dia 28 de julho, o contrato de concessão do terminal cearense e de Porto Alegre (RS), também arrematado pela empresa. De acordo com o secretário, há uma expectativa de que o governador Camilo Santana vá mais uma vez à sede da empresa, em Frankfurt, na Alemanha, até o fim do mês, para ratificar o interesse e o potencial econômico do Ceará. "É importante estar perto, tanto o Estado quanto a Prefeitura".
Ribeiro ressalta ainda que a Fraport também pode ampliar o potencial do Estado no transporte de cargas, o que beneficiaria principalmente o agronegócio. "O Ceará é grande produtor de flores e frutas, assim como pescados e atum, mas temos uma deficiência na movimentação de carga aérea por questão de linhas. Trazer a Fraport e, obviamente, a Lufthansa, abre oportunidades na logística de carga aérea para o Ceará", aponta.