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Ceará produz 1 em cada 4 pares de calçados no Brasil; veja o que esperar para 2025

Especialistas estão otimistas para o próximo ano, mas ponderam haver incertezas

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
02 de Novembro de 2024 - 07:00
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Legenda: Empregabilidade cearense no setor de calçados chega a quase 70 mil postos de trabalho formais
Foto: Fabiane de Paula

O polo calçadista cearense tem potencial de crescimento para 2025. A combinação de mão de obra qualificada, incentivos fiscais atrativos e as novas oportunidades decorrentes dos impactos da tragédia no Rio Grande do Sul no setor calçadista contribuem para um ambiente favorável.

Atualmente, 1 em cada 4 pares de sapatos fabricados no Brasil já é feito no Ceará, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Os dados compreendem o acumulado de 2023, totalizando 224,9 milhões de produtos. Já neste ano, o Estado sofreu o baque da saída da Paquetá. Por outro lado, a chegada da Arezzo para assumir a fábrica pode recuperar a produtividade local do segmento. 

O Grupo Paquetá é do Rio Grande do Sul e está em recuperação judicial desde abril de 2019
Legenda: O Grupo Paquetá é do Rio Grande do Sul e está em recuperação judicial desde abril de 2019
Foto: Kid Junior

No cenário nacional, "a situação também foi difícil para todo o setor", segundo o consultor especializado Luís Coelho. “A questão econômica do País e da economia mundial fizeram as empresas reduziram a capacidade de produção para poder ser sustentar”, observa. 

Conforme o especialista, apesar de a indústria cearense não ter sofrido como o polo gaúcho, afetado pelas enchentes, ainda há incertezas para o próximo ano.

Entre elas, o aumento dos custos industriais devido à reoneração da folha de pagamento e a valorização do dólar, que embora beneficie as exportações, impacta negativamente a importação de insumos como solados e acabamento.

“Os resultados dependerão do cenário macroeconômico, mas acredito que para o Ceará não haverá grandes mudanças. Uma das principais dificuldades do ramo é a mão de obra, porém o mercado cearense possui essa disponibilidade", avalia. 

"É importante destacar que não se trata de mão de obra barata, pois o custo é similar ao de outros estados. Outro fator positivo são os incentivos fiscais atrativos", completa. 
 

Ceará poderá ter aumento da produção, avalia economista 

Fábrica da Arezzo, em Uruburetama, deve exportar calçados pelo Porto do Pecém
Legenda: Fábrica da Arezzo, em Uruburetama, deve exportar calçados pelo Porto do Pecém
Foto: Ingrid Coelho

Para o economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Coimbra, a tendência será de crescimento.

“Considerando sua participação de 25% na produção nacional de calçados, o Ceará possui um grande potencial para absorver o crescimento do setor, já que sua estrutura produtiva tem se mantido e, em alguns casos, até melhorando a capacidade”, analisa.

“Outro ponto é a menor concorrência proveniente das indústrias da serra gaúcha, que foram afetadas pelas fortes chuvas do início do ano. Então, existe a potencialidade até de ter um crescimento maior na produção do Estado”, destaca. 

Além disso, acrescenta, o aumento da renda da população, a redução da taxa de desemprego e o forte crescimento do PIB cearense criam um cenário favorável para o setor.

O segmento de calçados é o segundo que mais emprega em todo o Ceará, atrás apenas da indústria da construção civil. Em agosto de 2024, o saldo de postos de trabalho no Estado no setor era de 68,3 mil empregos, conforme dados da Abicalçados, com base em registros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

Setor em expansão 

Presente em Horizonte desde 1996, a Vulcabras testemunha o bom momento do setor no Ceará. A companhia vendeu mais de 25 milhões de pares de calçados em 2023 e iniciou neste ano uma expansão "que soma 8.030 m² aos 132.080 m² já existentes, totalizando 140.110 m² de área construída".

Segundo a empresa, a unidade na Região Metropolitana de Fortaleza é uma indústria de ponta, "altamente conectada e equipada com o que há de melhor e mais avançado para a produção de calçados esportivos, que entrega o melhor do esporte para milhares de brasileiros".

A fábrica de horizonte possui 12 mil colaboradores em uma área total de 246 mil m², com 140,1 mil m² de área construída, onde são produzidas as marcas Mizuno, Olympikus e Under Armour.

A reportagem também procurou as empresas Arezzo e Grendene, mas ambas não responderam aos questionamentos. 

Resultado das eleições nos EUA poderá afetar setor, diz economista 

Candidatos lutam por voto a voto no país
Legenda: Candidatos lutam por voto a voto no país
Foto: Reprodução/Instagram

De acordo com o assessor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Lauro Chaves Neto, fatores externos também irão influenciar.

"O setor calçadista, que trabalha muito com exportação, está sujeito a uma série de variáveis que aumentam a incerteza para 2025. Temos, por exemplo, o resultado das eleições americanas, o que pode implicar", aponta, lembrando do risco de mudanças na política de tarifas

"Temos as questões dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que têm o poder de afetar bastante a economia europeia. Tudo isso faz com que as exportações de calçados tenham um componente de incerteza maior. Assim, juntando o fator interno ao externo, podemos concluir que a expectativa do setor calçadista é de crescimento, porém moderado, para 2025", pondera.

 

 

 

 

 

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