A inauguração do novo Centro de Engenharia do Google em São Paulo (o segundo do Brasil - o primeiro é em Belo Horizonte) nessa quarta-feira (27) é o reflexo de como a gigante de tecnologia tem visto o Brasil como um pilar para as soluções globais da companhia.
Instalado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), localizado na Cidade Universitária da USP, na capital paulista, o novo complexo foi projetado para abrigar até 400 funcionários e começa a funcionar em julho deste ano.
O prédio passou por uma reforma que uniu a tradição da arquitetura, já que o edifício é de 1940, com a modernidade dos escritórios do Google.
Longe de ser apenas um mercado consumidor, o país atrai investimentos crescentes da empresa por uma combinação de fatores: excelência acadêmica e comportamento do usuário brasileiro.
O Brasil como "laboratório global" de tecnologia
O usuário brasileiro é conhecido por adotar novas tecnologias de forma muito rápida. Esse comportamento transformou o país em um "laboratório vivo" para o Google testar soluções inovadoras antes de lançá-las globalmente.
Engenheiros locais tiveram participação direta em funcionalidades, incluindo a transformação do mecanismo de busca em um agente inteligente que executa tarefas complexas, além do desenvolvimento de protocolos de segurança para o avanço da IA.
"A funcionalidade que você pode conversar com a busca e fazer perguntas mais complexas é um time em Belo Horizonte que é responsável por isso. A partir de uma necessidade que é mais prevalente nos usuários brasileiros, eles trabalham para gerar um impacto de forma global", afirma o vice-presidente global de Engenharia para a Busca do Google, Bruno Possas.
Líder da engenharia em São Paulo, Alexandre Freire cita o fator de autenticação nas contas do Google com vídeo selfie como outro exemplo criado no Brasil.
"Você pode gravar um vídeo para colocar a sua biometria como um fator de autenticação e recuperação de conta. A gente conseguiu testar ela primeiro aqui no Brasil. Funcionou muito bem, tiveram mais de 1 milhão de usuários ativando isso no primeiro mês de uso. Depois a gente vai lançando em outros locais", explica Freire.
Talento brasileiro
O Google reconhece o alto nível dos profissionais brasileiros e quer evitar a "fuga de cérebros" para o exterior.
A abertura do novo centro visa não apenas reter esses especialistas no país, oferecendo oportunidades globais sem que precisem deixar o Brasil, mas também repatriar engenheiros que já estavam trabalhando fora.
Além disso, a empresa mantém programas de treinamento, estágios e capacitação em áreas de ponta, como algoritmos, análise de dados e Inteligência Artificial, para formar as próximas gerações de desenvolvedores.
A escolha da Cidade Universitária (USP) para sediar o novo centro faz parte da estratégia da companhia em manter proximidade com grandes universidades.
A localização permite criar uma ponte direta entre a USP, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o mercado corporativo, acelerando o ritmo da inovação através de parcerias científicas contínuas.
Novo prédio preserva estruturas históricas
O edifício do IPT, construído na década de 1940, foi totalmente revitalizado para integrar seu valor arquitetônico histórico à infraestrutura característica dos escritórios do Google.
Vários elementos foram preservados, como piso de madeira, janelas e escadas originais. O local tem espaço de convivência, restaurante, salas de videoconferência e uma área de descanso com redes. Em breve, haverá um café aberto ao público.
O prédio abriga também o primeiro Accessibility Discovery Center (ADC) da América Latina, que é um laboratório dedicado ao desenvolvimento, divulgação de tecnologias assistivas e colaboração direta com a comunidade das pessoas com deficiência.
Além disso, o Google Safety Engineering Center (GSEC) da América Latina fica na mesma estrutura e tem como finalidade ser um hub para disseminar os princípios de segurança por padrão do Google e promover novas formas de combater ameaças on-line.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite do Google Brasil.