Fiec: “Ceará poderá liderar o futuro verde, tecnológico e digital”

Ricardo Cavalcante, presidente da entidade, falou ontem, 28, na cerimônia de entrega do Mérito Industrial a quatro grandes empresários cearenses

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 04:47)
Legenda: Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, fala na cerimônia com a qual a entidade homenageou quatro industriais cearenses
Foto: Egídio Serpa
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Há um futuro cada vez mais verde, digital e tecnológico, e é nele que já ingressou o estado do Ceará, “que tem todas as condições para ocupar posição de protagonismo nesse novo cenário”, mas para isso terá de vencer obstáculos importantes como as elevadas taxas de juros, “que comprometem investimentos produtivos, dificultam a expansão dos negócios e reduzem a competitividade da indústria” – disse o presidente da Federação das Indústrias (Fiec), Ricardo Cavalcante, ao falar ontem para cerca de 1,2 mil pessoas na cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Industrial e da Ordem do Mérito Industrial aos empresários Joaquim Caracas, Aline Ferreira, Cláudio Dias Branco e Francisco de Assis Neto. O evento é tradicional e celebra o Dia da Indústria. 

Antes de iniciar seu pronunciamento, Ricardo Cavalcante pediu aos presentes um minuto de silêncio, em homenagem ao jovem empresário Marcos Dias Branco, acionista do Grupo M. Dias Branco e irmão de um dos homenageados da noite. Ele faleceu na quarta-feira, 27, em Fortaleza.

E o gigantesco e repleto e bem decorado auditório do La Maison silenciou de verdade. 

A cerimônia foi prestigiada pelo presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, pelos ex-presidentes da Fiec Beto Studart, Fernando Cirino e Jorge Parente, pela vice-governadora Jade Romero e pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Romeu Aldigueri.   

Durante 30 minutos, o presidente da Fiec, com a voz embargada, disse que “há momentos em que a vida nos impõe silêncio antes das palavras; isso nos ajuda a compreender melhor o valor da presença, da família, do legado e de tudo aquilo que verdadeiramente importa; e é com esse sentimento de respeito, gratidão e serenidade que damos sequência a esta noite”. 

Ricardo Cavalcante passou a falar da indústria e de sua importância na vida das pessoas. “Ela está presente no cotidiano da sociedade. No alimento que chega à mesa das famílias, nos hospitais, nas escolas, nos meios de transporte, na tecnologia que conecta pessoas e transforma negócios”, disse ele. 

Em seguida, recordou a I Feira da Indústria Fiec, realizada no último mês de março no Centro de Eventos do Ceará, que recebeu, durante seus dois dias, 110 ml visitantes deste e de outros estados, incluindo estudantes, empresários, profissionais e famílias. E afirmou que “as nossas fábricas produzem muito mais do que bens de consumo, produzem oportunidades, cidadania e transformação social”.  

E com visível entusiasmo e orgulho revelou: 

“Hoje a indústria responde por 91% das exportações cearenses. Saímos de pouco mais de 300 produtos exportados no início da década de 1990 para mais de 1.700 produtos presentes em nada menos que 147 países. O Ceará consolidou uma indústria diversa, competitiva, inovadora e cada vez mais conectada às grandes cadeias globais.” 

E acrescentou, pondo mais entusiasmo na voz: 

“Olhando para o futuro, o Ceará reúne condições extraordinárias para liderar uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro. Temos energia limpa, posição estratégica, conectividade internacional e um setor produtivo preparado para transformar esses ativos em desenvolvimento, inovação, empregos qualificados e competitividade global”. 

Mas pisando no chão da realidade nacional, Ricardo Cavalcante afirmou: 

“Nosso país precisa de avançar na construção de um ambiente de maior previsibilidade, equilíbrio fiscal, segurança jurídica e competitividade. Também precisamos de enfrentar com seriedade a escassez de mão de obra qualificada, especialmente diante das profundas transformações tecnológicos que já estão redefinindo a indústria mundial, e esta talvez seja uma das grandes missões do nosso tempo: preparar pessoas para os desafios do futuro. Por isto, investir na educação deixou de ser apenas uma necessidade social, mas uma exigência estratégica para o desenvolvimento econômico.” 

Em seguida, o presidente da Fiec transmitiu um conjunto de informações sobre as atividades que a entidade, por meio do Sesi e do Senai, desenvolve na área da educação, preparando e qualificando a mão de obra para os diferentes ramos da atividade industrial. 

Referiu-se ao IEL, considerando-o um “instrumento estratégico de desenvolvimento de lideranças, inovação empresarial e qualificação executiva”, de que são exemplos as várias missões técnicas já realizadas e a serem realizadas nos principais centros mundiais do conhecimento. Também destacou o Observatório da Indústria, hoje uma referência nacional em inteligência de dados, com soluções voltadas para o desenvolvimento sustentável. 

O presidente da Fiec fez questão de ressaltar a “virtuosa relação” que sua entidade, ao longo dos últimos anos, construiu entre o setor produtivo, o poder público, a academia e a sociedade, e essa integração “tem sido fundamental para posicionar o nosso estado entre os protagonistas da economia de baixo carbono”, razão pela qual o Ceará tem “posição estratégica nos debates sobre transição energética, hidrogênio verde, energias renováveis e data centers”. 

Tudo isto é muito bom, mas é preciso avançar mais. Ricardo Cavalcante disse:  

“Precisamos garantir infraestrutura adequada, especialmente na área da transmissão energética, condição indispensável para viabilizar os grandes investimentos que estão chegando ao nosso estado. Temos condição de liderar uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro, e não podemos perder essa oportunidade histórica”. 

Depois, Ricardo Cavalcante dedicou-se a falar sobre os homenageados da noite, dirigindo a cada um deles uma palavra de carinho personalizado. (Esta coluna publicou, ontem, o perfil resumido dos quatro) 

Sobre Joaquim Caracas, dono de mais de 36 patentes registradas na área da engenharia de construção, ele disse: “Poucas pessoas conseguem atravessar a vida mantendo acesa a capacidade de se inquietar diante do convencional. Você nunca se acomodou frente àquilo que parecia pronto. Você ajudou a construir uma cultura de inovação”. 

Sobre Aline Ferreira, falou Ricardo Cavalcante: “Sua trajetória representa algo muito especial para a indústria contemporânea. Representa a força de uma liderança construída não apenas pela competência técnica, mas também pela sensibilidade humana. Sua presença inspira confiança e respeito, e inspira pessoas a acreditarem mais em si mesmas. Sua trajetória honra não apenas o Grupo Aço Cearense, mas honra também a força, a inteligência e a sensibilidade da mulher brasileira.” 

Joaquim Caracas e Aline Ferreira receberam do presidente da Fiec a Medalha do Mérito Industrial, comenda que, por óbvios motivos, será entregue em outra oportunidade ao terceiro ganhador, o industrial Cláudio Dias Branco. 

A Ordem do Mérito Industrial, outorgada pela CNI, foi entregue a Francisco de Assis Neto, que, nas palavras de Ricardo Cavalcante, é exemplo do empresário que cresce sem perder a simplicidade, “sendo esta sua característica mais admirável”. O presidente da Fiec elogiou a contribuição do grupo empresarial de Assis Neto, que “ajudou a ampliar a presença da indústria nordestina no cenário internacional”. E acrescentou: “Você é um empresário admirado, um líder respeitado e um ser humano que compreendeu desde cedo que o verdadeiro sucesso só faz sentido quando ajuda outras pessoas a crescerem, também.” 

Após o discurso de Ricardo Cavalcante, houve a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito e da Ordem do Mérito Industrial, na sequência do que os três homenageados – com a comenda balouçando sobre o peito – disseram poucas palavras de agradecimento. Cada um deles foi muito aplaudido. Francisco de Assis Neto falou por apenas 15 segundos, recebendo por isto mesmo uma salva forte e demorada de aplausos. 

Depois da entrega das medalhas, no encerramento da cerimônia, a vice-governadora Jade Romero prometeu falar pouco. E cumpriu a promessa. Disse, em três minutos, que a Fiec é um importante parceiro do governo estadual e elogiou “a visão estratégica do seu presidente Ricardo Cavalcante”. Em seguida, enalteceu os  homenageados da noite, ressaltando “o trabalho e a inquietude benfazeja de cada um”. 

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