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Balança comercial do CE tem déficit de US$ 73 mi

Saldo é resultado de US$ 94,5 milhões exportados e US$ 167,8 milhões importados no quarto mês deste ano

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, a balança comercial do Ceará tem déficit de US$ 131 milhões. No período, as exportações somam US$ 618,9 milhões e as importações US$ 749,9 milhões
Foto: Kid Júnior

A balança comercial cearense apresentou déficit de US$ 73,3 milhões em abril, o maior desde julho de 2016, quando registrou saldo negativo de US$ 449,7 milhões. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Estado exportou US$ 94,5 milhões em abril, 50,8% a menos do que em março, 24,7% a mais que em abril de 2016. Quanto às importações cearenses, elas alcançaram US$ 167,8 milhões em abril, uma queda de 33,3% ante março deste ano, mas uma alta de 73% em relação a abril de 2016.

Nos quatro primeiros meses do ano, a balança comercial do Ceará acumula déficit de US$ 131 milhões. As exportações no 1º quadrimestre somam US$ 618,9 milhões, 97,3% maior que em igual período do ano passado. Já as importações de janeiro a abril corresponderam a US$ 749,9 milhões, volume 25,6% superior ao registrado no 1º quadrimestre de 2016.

Em março, o Estado havia registrado déficit de US$ 59,3 milhões. Apenas em fevereiro, a balança comercial cearense foi superavitária, com saldo de US$ 48,7 milhões. "Se nós não tivéssemos a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) já em início de operação, certamente o nosso déficit seria muito maior do que esse registrado em abril", diz o economista e consultor internacional Alcântara Macedo.

Apesar das exportações da siderúrgica, o economista ressalta que a indústria leve do Ceará vem perdendo espaço nas exportações de confecção e calçados, que tradicionalmente ocupam as principais posições de itens enviados ao exterior. "Estamos perdendo mercado principalmente na área de confecção, porque a China tem uma maior competitividade de custos e preços do que nós", ele diz. Com relação ao setor calçadista, Macedo diz que as exportações do setor tendem a melhorar a partir de abril.

Produtos

Das exportações cearenses em abril, US$ 9,5 milhões foram de produtos básicos e US$ 83,3 milhões de produtos industrializados. Já do lado das importações, US$ 59,1 milhões foram de produtos básicos e US$ 108,7 milhões de bens industrializados.

No acumulado de janeiro a abril, os produtos semimanufaturados de ferro e aço, principal item da pauta de exportação, corresponderam a quase metade de tudo que o Estado enviou ao exterior, US$ 304,8 milhões, 49,2% do volume exportado. Em seguida aparecem a castanha de caju, com US$ 30,1 milhões (4,8%); os calçados de borracha, com US$ 29,1 milhões (4,7%); e o gás natural liquefeito, com US$ 21,1 milhões (3,4%).

"À medida em que a CSP avança sua produção de ferro, a balança comercial do Ceará vai saindo do vermelho e passa a ser superavitária, porque toda sua produção vai para o exterior e, como ela iniciou sua operação a alguns meses, a tendência é evoluir", diz Macedo.

Com a crescente aquisição de insumos, a CSP também vem sendo responsável pelo incremento das importações cearenses. No primeiro quadrimestre o principal item importado pelo Estado foi a hulha betuminosa, não aglomerada (US$ 206,6 milhões). Em seguida aparecem o gás natural liquefeito (US$ 91,3 milhões); outros trigos e misturas de trigo com centeio (US$ 49,5 milhões); e outras hulhas, mesmo em pó, mas não aglomeradas (US$ 18,7 milhões).

Países

No ano, o principal destino das exportações cearenses foi os Estados Unidos, com US$ 144 milhões, seguido pelo México (US$ 58,9 milhões), Turquia (US$ 54,4 milhões), Itália (US$ 50,6 milhões) e Argentina (US$ 34,4 milhões). Já o país que mais enviou produtos para o Ceará, foi a China (US$ 115,3 milhões). Em seguida aparecem os Estados Unidos (US$ 104,6 milhões), Colômbia (US$ 95,0 milhões), Austrália (US$ 89,8 milhões) e Nigéria (US$ 69,9 milhões).

Perspectiva

Para Alcântara Macedo, em 2017, o saldo da balança comercial do Estado ainda deve apresentar variações mensais, mas a partir de 2018, com o aumento da produção da CSP, os superávits serão mais frequentes. "No próximo ano, o Ceará terá resultados na exportação muito diferentes, mais consistentes".

Siderúrgica

"Se nós não tivéssemos a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) em início de operação, nosso déficit seria muito maior"

Alcântara Macedo
Economista e consultor internacional

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