Casal de cearenses separado pelas restrições para turistas na França luta para se reencontrar

Paloma Meneses e Pedro Marinho são um dos casais que fazem parte da campanha digital "Love Is Not Tourism" (Amor Não É Turismo); governo da França ainda não divulgou solução oficial para o problema

fotografia do casal
Legenda: Cearenses iam comemorar oito anos de namoro juntos, em julho
Foto: Arquivo Pessoal

Paloma Meneses, 24, residente no Ceará, estava com passagens marcadas para comemorar oito anos de namoro no mês de julho junto de seu companheiro, Pedro Marinho, 26, que faz doutorado na França. No entanto, as limitações de viagens impostas pela quarentena fizeram com que a comemoração do casal cearense fosse diferente. Longe um do outro, o casal aderiu à campanha "Love Is Not Tourism" (Amor Não É Turismo).

"Antes da quarentena nos víamos de três a quatro vezes no ano. A gente tinha tudo planejado para comemorarmos juntos, mas a pandemia nos pegou", conta. 

Os cearenses fazem parte do movimento digital que usa as hashtags "#LoveIsNotTourism" (amor não é turismo) e "#LoveIsEssential" (amor é essencial), que pedem a liberação de "viagens por amor" para os casais não-oficiais. A plataforma "Love Is Not Tourism", criada no último junho, agrega dados e petições oficiais aos países de todo o mundo pelas autorizações.

"Nós, do movimento, temos casais de vários países com um dos parceiros morando na França e todos os consulados dão uma resposta diferente. Fica todo mundo desesperado sem saber como vai ser solucionado no Brasil, onde a gente não recebeu resposta nenhuma", afirma.

Na última sexta-feira (7), a Comissão Europeia solicitou aos países europeus que permitissem a entrada de casais residentes europeus. Alguns países como Alemanha e Suíça já autorizaram a entrada dessas pessoas após a campanha.

Na semana passada, Jean-Baptiste Lemoyne, o secretário de Estado da França, anunciou em suas redes que um "sistema específico" seria implantado, mas não houveram atualizações. "Este vírus não gosta de amor, nós sim", disse o secretário.

fotografia do casal
Legenda: Casal tinha planejado passar o aniversário de oito anos de namoros juntos durante o mês de julho
Foto: Arquivo Pessoal

"Muitos países ouviram, graças a Deus, mas a França está se mostrando meio dura. Não há nada oficial, é estar pisando em ovos", afirma Paloma.

A estudante também teme que a permissão seja dada apenas para cidadãos europeus. "Ele paga seus impostos para a Europa, tem uma residência legal lá, deveria ter esse direito garantido também", reflete.


Distância e saudade

Pedro mora em Nice, na França, desde 2017. A última vez que a estudante viu seu companheiro foi em fevereiro deste ano. Logo após, a quarentena começou de forma rigorosa em todo o mundo. "A gente vai tentando driblar a situação da maneira que pode. Mas às vezes o desespero, a angústia bate. Você fica achando que seu relacionamento vai ficar por um fio", conta. 

Paloma conta que apesar dos dias de saudade, o apoio de um ao outro é fundamental para aguentar a distância. 

"O que mantém a gente junto é a esperança de que o amanhã vai ser melhor, de que a gente pode ter uma resposta pra nos vermos logo. Nos falamos todos os dias, sempre juntos mesmo à distância e se apoiando sempre", revela.

Você tem interesse em receber mais conteúdo internacional?