Serenatas virtuais aproximam famílias no Dia das Mães durante pandemia da Covid-19 no Ceará

Música e mensagens de conforto ajudam a celebrar a data em que muitas famílias estão distantes para evitar o contágio pelo novo coronavírus

Escrito por Redação, metro@svm.com.br

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Legenda: Agenda de cantor já possui 30 mães para homenagens neste domingo (10).
Foto: Reprodução

Diante do impedimento dos encontros presenciais, como forma de evitar a propagação do novo coronavírus, artistas cearenses aproximam filhos e mães por meio de serenatas virtuais no Dia das Mães, celebrado neste domingo (10). Os encontros por vídeochamadas são feitos com músicas, dedicatórias e mensagens de conforto ao distanciamento físico.

"É tão especial que eu não sei nem explicar. Não imaginava que podia ser um negócio tão especial", relata a cantora Rebeca Câmara que definiu uma lista com oito homenageadas depois de conversas por meio das redes sociais onde as lives musicais são rotineiras durante a quarentena. Os momentos são preenchidos por cinco músicas e conversas com as homenageadas.

A artista aprende algumas músicas que não faz parte da sua rotina de ensaios e acrescenta que o momento é especial não apenas no Dia das Mães, mas para todos que estão precisando de uma mensagem carinho. "Rola uma conversa, as vezes uma sala de bate papo com a família", reforça. Ela continua com suas aulas de música de forma virtual e destaca a importância do isolamento.

O grande desafio desse momento é olhar com bons olhos o que você pode conseguir fazer e resignificar

Renato Assunção trocou o ambiente dos bares, onde se apresentava, pela sala de casa para entrar em contato com as famílias durante o período de isolamento social. “Antes era presencial e agora, com essa pandemia, eu adaptei esse serviço para ser virtual. Eu coloco flores em cima da mesa, estou fazendo a semana toda, mas ontem e hoje são mais (ligações)”, relata.

As atividades começaram às 6h com uma lista de 30 pessoas para as homenagens com três músicas, uma mensagem das famílias e uma conversa que dura por volta de 15 minutos. São comumente pedidas as canções Como é grande o meu Amor por Você, do Roberto Carlos; Mãe, um Pedaço de Céu, do Leonardo Sullivan e Um Milhão de Vezes, do artista Rafinha. Os momentos são registrados em vídeo.

Quem adotou a ideia foi a coordenadora de merchandising Kelma Parente, de 44 anos, que está desde o início da quarentena, no início de março, sem contato com a mãe. “Ela se emocionou bastante, é uma forma diferente de homenagem neste momento. Se tudo estivesse normal eu estaria lá fazendo um almoço enorme, ela gosta de música e na radiola dela estaria ouvindo Roberto Carlos”, reflete.

O hábito de ouvir música da dona Marta Parente, de 70 anos, ajudar a lembrar sua própria mãe e o seus filhos, como ela conta.  “Jamais eu esperava coisa parecida, quando ele começou dizendo que era dos meus filhos eu me emocionei porque tem um sentimento muito suave, muito carinhoso”, lembra sobre a serenata.

A idosa mora com dois irmãos e mantém o distanciamento dos três filhos e dos dois netos para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Da experiência, ela busca força para superar a distância e a falta do abraço da família nos encontros tradicionais da data.

“Essa emoção que a gente tem, principalmente, porque é um dia diferente, que fica aquele vazio, aquela esperança e aquela vontade (de estar junto) que ficam voando”

Aline Citó, de 46 anos, também optou pela serenata virtual mesmo morando na mesma casa que a mãe. Por continuar suas atividades no trabalho, em uma indústria farmacêutica, ela busca o isolamento físico para proteger Maria Citó, de 68 anos, conhecida como Zezé. “Vi nas redes sociais e tive a ideia de fazer para minha mãe porque o presente que eu queria dar vai ter ficar para um outro momento”, conta.

Uma das músicas escolhidas pela filha foi  “Bom dia, meu Amor”, de José Ribeiro, que a mãe comumente escuta. Zezé relata a falta dos netos, dos encontros semanais com as amigas e de jogar baralho. “A minha mãe já foi acometida por câncer, mas hoje ela é uma pessoa muito saudável e, desde quando ela teve a primeira vez, ela passou a viver a vida intensamente, a ter vida social ativa”, lembra.