Saúde mental: cuidados devem ser constantes para evitar surgimento de transtornos

Buscar formas de relaxamento e autocuidado são estratégias para superar o período de pandemia. Especialista comenta impactos no cotidiano da população

Legenda: Se afastar um pouco do excesso de informações é uma forma de autocuidado
Foto: LDprod/Shutterstock

A pouco menos de um mês para completar um ano da confirmação dos primeiros casos de Covid-19 no Ceará, o período de pandemia segue presente no cotidiano dos brasileiros. Em meio ao aumento do número de internações - até ontem (19), a taxa de ocupação nas UTIs do Estado era de 88,97%, de acordo com a plataforma IntegraSus - o impacto na saúde mental da população é uma realidade. 

Segundo Alessandra Xavier, professora do curso de psicologia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), a Organização Mundial da Saúde (OMS) já demonstrou que a pandemia deflagra problemas como ansiedade e depressão nos indivíduos. Para Alessandra, as pessoas estão sendo submetidas a duas situações: medo e perda. No caso, perdas financeiras, amorosas, de projetos, entre outras. 

Em pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo (USP) no início deste mês, 63% dos cerca de 1500 respondentes relataram sintomas de ansiedade, enquanto 59% apresentaram sinais de depressão. 

Alessandra destaca que é preciso que haja recursos externos e internos para a manutenção da saúde mental. Os externos são representados pelas instituições que garantem assistência e direitos, como a rede hospitalar, os Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), entre outros, além das pessoas que integram o convívio social, como amigos e familiares. Já os internos são as habilidades de cada um em desenvolver autoestima e pedir ajuda quando necessário, por exemplo. 

A psicóloga, contudo, destaca que esses recursos internos não são inatos a todos. “Muita gente não teve a chance de ter isso construído ao longo da sua vida e algumas pessoas não têm esses recursos, vão precisar das interações, de cuidado com outros seres humanos para construir. Outras pessoas têm, mas diante de uma experiência que impacta, como uma pandemia, esses recursos podem ficar em dúvida ou o meio abalados.” 

Atenção a si

Para quem já possuía acompanhamento, como com medicação e terapia, Alessandra ressalta que os cuidados devem permanecer sendo realizados. O longo período da situação de pandemia pode, inclusive, colocar as pessoas em situações de transtorno de estresse agudo, aponta a professora. Por conta disso, podem surgir problemas como dificuldade de sono, em se alimentar, irritabilidade e dores musculares. “Precisamos ampliar o equilíbrio psíquico. Temos o aumento das situações agressivas e difíceis, a gente precisa aumentar as situações de cuidado.”

A especialista também aponta que é importante que os indivíduos tenham atitudes cuidadosas e protetivas, ao buscarem atividades ou ações que sejam benéficas para o dia a dia. Seja aprender algo novo, restabelecer contatos, ou simplesmente não fazer nada, pois há um “excesso de telas” no cotidiano, além do grande número de informações às quais se tem acesso. “Tomar um banho tranquilo, ficar deitado com calma, poder experimentar um pouco essa sensação de não fazer nada, porque tem uma ideia que a pessoa tem que fazer tudo, o tempo todo, tem que ser produtivo”, conta. Não é hora de relaxar os cuidados com a saúde mental. 

 

 

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