Reclamações sobre horários de ônibus aumentam 17% na Capital em 2020

Entre janeiro e junho deste ano a Prefeitura de Fortaleza recebeu 580 denúncias de atrasos e adiamentos de ônibus. O número é maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, com 492 reclamações

Usuários reclamam de paradas e ônibus lotados na Capital.
Legenda: Usuários reclamam de paradas e ônibus lotados na Capital. Na Central 156, canal de denúncias da Prefeitura, as queixas aumentaram durante a quarentena
Foto: Helene Santos

As denúncias relacionadas a horários dos ônibus aumentaram em Fortaleza em relação ao ano passado. Entre janeiro e junho de 2020, atrasos e adiamentos no transporte público da cidade acumularam 580 reclamações. É um crescimento de 17% quando se compara às denúncias no mesmo intervalo de tempo em 2019: à época, 492 casos foram registrados. 

 

 

Apesar do avanço nessas ocorrências, no geral, a quantidade de reclamações reduziu de 3.804 no ano passado para 2.977 neste ano. Os dados têm como base os atendimentos da Central 156, canal de denúncias disponibilizado pela Prefeitura de Fortaleza, e foram cedidos ao Sistema Verdes Mares pela Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP). 

A auxiliar administrativo Mônica Sousa, 47, é uma das usuárias descontente com o transporte público da Capital. Moradora do bairro Conjunto Ceará, conta que o deslocamento até o trabalho, no Centro de Fortaleza, está dificultoso. “Os ônibus diminuíram muito por causa da Covid-19. Antes, era no máximo sete minutos entre um e outro. Agora, chega até a 40 minutos na parada sem passar nenhum carro”, aponta. 

Na casa de Mônica, todos retornaram às atividades. O marido da auxiliar, que também trabalha no Centro da cidade, precisou mudar a rotina para essa nova realidade. “Ele saia daqui 7h30 para chegar no horário. Hoje em dia se não sair pelo menos 5h30 não pega nenhum ônibus e se pegar, vem lotado”, calcula. 

Mônica já denunciou a demora na Central de Atendimentos e aguarda a normalização do serviço. “Não tinha esse problema por aqui. Tava muito boa a oferta mas mudou tudo. Como que volta comércio e shoppings e não voltam os ônibus?”, questiona a auxiliar.

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Demanda

Conforme com as informações da SCSP, em ambos os períodos, o atraso foi a segunda maior queixa dos usuários de ônibus em Fortaleza, perdendo apenas para bloqueio de Bilhete Único, que contablizou 796 denúncias em 2019 e 864 casos em 2020.

Antônio Ferreira, vice-presidente da Empresa Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) avalia que o aumento nas reclamações já era esperado. “Era natural. Diminuiu a quantidade de ônibus, então, era natural essa resposta”, conta. 

Ainda segundo Antônio, a adequação das linhas para a demanda na quarentena poderia estar por trás dos atrasos. “Nós precisamos fazer um cálculo diário para saber qual a demanda da Capital. Tivemos uma queda brusca no número de usuários por dia. Antes, nós recebíamos 1 milhão de pessoas. Agora, fica na faixa de 350 mil”, avalia. 

O vice-presidente atribuiu as lotações nos coletivos aos picos de uso do transporte. “Nós temos três horários com intensa movimentação. De manhã, de 6h às 8h, ao meio-dia, e no fim da tarde, entre 17h e 18h. Nesses horários, pode acontecer lotação e nós estamos adequando a frota para esses momentos. Mas no restante do dia, a frota circula quase vazia”, calcula.

Adaptação

Mesmo com a retomada progressiva do comércio em Fortaleza, o uso dos ônibus ainda está abaixo do esperado. De acordo com Antônio, o fenômeno já era sentido nas catracas mas acelerou devido à pandemia. “As pessoas estão deixando de usar os ônibus, agora existem outros modais. O que já era uma coisa que vinha reduzindo, caiu muito. Nós voltamos com 70% da frota nas ruas mas a quantidade de usuários está na linha dos 40% do público de antes da quarentena”, aponta o vice-presidente.

Ainda não haveria previsão de quando o serviço de ônibus deve retornar plenamente na Capital, segundo Antônio. “Estamos estudando, avaliando todo o dia. Precisamos adequar a essa nova demanda. Nós tínhamos uma média antes da pandemia de 550 passageiros por veículo. Agora tá 250, 260. Precisamos avaliar”, conta.