Plataforma idealizada no Ceará auxilia cientistas na busca de remédios contra Covid

Ferramenta da UFC em parceria com universidades internacionais acelera testes de substâncias que possam combater o coronavírus

Medicamentos
Legenda: Ferramenta da UFC facilita testes de potenciais substâncias no combate ao coronavírus
Foto: Castorly Stock / Pexels

Em quase 2 anos de pandemia, ainda não existe medicamento comprovadamente eficaz contra a Covid. Para auxiliar cientistas do mundo todo na busca de um fármaco, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de instituições internacionais criaram uma plataforma que auxilia e facilita a testagem de substâncias.

A ferramenta, nomeada como DINC-COVID, é online e aberta gratuitamente para qualquer cientista que deseje testar e identificar moléculas potencialmente eficazes no combate ao coronavírus.

Geancarlo Zanatta, doutor em Bioquímica, professor do Departamento de Física da UFC e um dos criadores da plataforma, explica que a ideia veio no início de 2020, diante do “boom” na área computacional em busca de remédios contra a doença pandêmica.

Essa ferramenta nova traz de forma simples um conceito complexo de ser implementado, facilitando a descoberta de novos medicamentos.
Geancarlo Zanatta
Professor da UFC e um dos criadores da plataforma

O professor explica que para testar a interação de uma substância com o organismo humano, cientistas costumam fazer simulações estáticas, que não levam em conta o movimento das proteínas do corpo. Já a DINC-COVID considera esse movimento, tornando as simulações mais próximas do real.

A técnica permite que a indústria farmacêutica otimize a busca por novos medicamentos, investindo tempo e recursos somente naquelas que apresentarem resultados mais promissores contra o “organismo-alvo” nas simulações.

Plataforma do Ceará auxilia na busca de novos medicamentos contra a Covid
Legenda: Utilização da plataforma DINC-COVID, que auxilia na busca de novos medicamentos contra a Covid
Foto: Reprodução

A pesquisa e a criação da plataforma só foram viáveis devido ao apoio de cientistas das Universidades de Rice (EUA), de Houston (EUA) e de Edimburgo (Reino Unido), já que Geancarlo, da UFC, não conseguiu financiamento nem equipe para o estudo no Brasil.

“É um trabalho complicado, que precisa de mão de obra qualificada. Nos EUA, gostaram da ideia e colocaram uma equipe pesada para desenvolver. Mesmo assim, levou um ano para tudo ficar pronto”, pontua o professor.

539
pessoas de 53 países já haviam acessado a plataforma, até 12 de novembro, para testar interações de moléculas com o coronavírus.

Democratizar a ciência

Os resultados do trabalho foram publicados na revista Computers in Biology and Medicine, no último mês de outubro. “Já tivemos três citações, mas nenhuma apresentando medicamento ainda. Uma delas fala sobre a necessidade de técnicas mais robustas para enfrentar o vírus, e cita a DINC como exemplo”, orgulha-se o pesquisador da UFC.

Geancarlo relembra que, ao idealizar a ferramenta, pensou, a princípio, em desenvolvê-la para realizar os próprios testes, já que estuda a interação entre medicamentos e proteínas do organismo há anos – mas que optou por democratizar o acesso, para que o mundo todo pudesse buscar o medicamento anticovid.

Nossa proposta era fazer algo a nível expert, utilizada desde o mega pesquisador num laboratório grande, com muito dinheiro; ao pequeno colaborador que trabalha numa cidade do interior e que quer testar uma molécula que isolou.

Com a divulgação em periódicos científicos e na imprensa internacional, o professor espera que mais pesquisadores utilizem a ferramenta e, por ventura, encontrem fármacos capazes de combater a Covid-19.

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza

Assuntos Relacionados