Pesquisadoras criam App que previne Incontinência Urinária

O Continence App contou com profissionais da saúde, da comunicação e da Informática

Pesquisadoras do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram, no começo do segundo semestre deste ano, um aplicativo para celular voltado à prevenção da incontinência urinária, a perda involuntária de urina. O "Continence App" é gratuito e está em fase de testes, mas já pode ser baixado. 

Para a sua criação, 22 puérperas já haviam usado, bem como profissionais da saúde e da Tecnologia da Informação (a fim de sugerir melhorias estéticas ao aplicativo). Ele vai ao encontro da nova tendência da medicina, a de aplicativos de promoção da saúde. 

Fatores
O aplicativo surgiu durante o desenvolvimento do projeto de mestrado da estudante Dayana Saboia. Segundo ela, o principal fator da condição, que se dá sobretudo em mulheres, é a fraqueza dos músculos vaginais. "Se dá pela própria gestação, que danifica os músculos, além disso, a passagem do bebê, em parto vaginal, causa diversas lesões que podem levar à incontinência".

Atualmente, um grupo de cerca de 340 mulheres na fase pós-parto estão sendo monitoradas pela equipe do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva (NEPPSS), de onde Dayana é vinculada. As mulheres são advindas do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC). 

As 340 puérperas foram divididas em dois grupos, um com acesso ao sistema de prevenção comum, e outro com acesso ao aplicativo. Ao fim do mês de outubro (quando completar o período de 3 meses), a equipe vai avaliar a eficácia do app, em relação ao número de queixas das mamães. 

O App
A navegação é dividida em 4 seções. A primeira é “Conhecendo o Assunto”, que informa sobre anatomia e qual sua importância na prevenção da incontinência. É uma forma de sensibilizar a mulher em relação ao parto vaginal, o maior em número de casos. A segunda parte, “Semana Zero”, traz princípios básicos para o treinamento dos músculos do assoalho pélvico. Desta forma, a terceira etapa, “Programa de exercícios”, consiste no cronograma deste treinamento. 

A última seção é a “Comportamento Saudável”, que consiste na promoção de dicas para uma vida saudável, já que outros fatores como a obesidade, o índice elevado de peso e a tosse crônica podem influenciar no desenvolvimento da condição. 

Incontinência
Dados mundiais falam de incidência de 30% a 40% por cento de mulheres no mundo. Entre as pessoas com idade superior a 60 anos, acredita-se que de 30% a 60% tenham incontinência. Entre puérperas, esse número também é considerável, de acordo com a professora de Enfermagem da UFC e vice-líder do NEPPSS, Camila Vasconcelos. “Outro grande desafio é que as mulheres só procuram o médico quando a condição já está séria”, destaca. 

Existem diversos tipos de incontinência urinária. Os mais comuns são a incontinência urinária de esforço (perda de urina ao tossir, espirrar, fazer atividade física e outras situações de esforço), hiperatividade da bexiga (desejo súbito e compulsivo de urinar, urinar mais de 8 vezes por dia e necessidade de acordar à noite para urinar) e incontinência urinária mista (quando os sintomas da incontinência se misturam).
 

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Redação 01 de Dezembro de 2020