Oito esculturas somem do Parque Pajeú
O mau cheiro é o cartão de visitas de uma das únicas áreas verdes do Centro de Fortaleza, o Parque Pajeú ou das Esculturas, como é mais conhecido, situado entre a Avenida Dom Manuel e a Rua 25 de Março. Para quem passa nas imediações, um lugar aprazível, com muito jardim e cortado pelo Riacho Pajeú. A surpresa fica para quem se encoraja a entrar e atravessa sua área de mais de 15 mil metros quadrados. A falta de manutenção fez do local um parque de escombros, que enfrenta ainda problemas como a insegurança e a presença de viciados em droga, como o crack.
O pior está por vir. As esculturas de importantes artistas cearenses ou estão em deplorável estado de abandono ou desapareceram. Foi o que aconteceu com oito das 16 peças ali instaladas em 1997, resultado de parceria entre a Prefeitura de Fortaleza e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).
Para ver de perto a situação desse espaço público, a Frente Parlamentar Ambientalista, da Câmara Municipal, articulada pelo vereador João Alfredo (PSol), visitou o local para conferir de perto as denúncias do médico e artista plástico, Hélio Rola, cuja obra Supercão, sumiu do mapa.
Além dela, as esculturas Arco-Íris, de Gilberto Cardoso; Caixa, de Sérgio Pinheiro; Mulher Reclinada, de Aldenir Martins; Pássaro, de Aderson Medeiros; Revoada, de Alberto Galvão; Série Kaosmo, de José Tarcísio e Saltando Arraia, de José Pinto, tiveram o mesmo fim. “Preferimos pensar que elas foram retiradas pela Prefeitura para serem recuperadas”, avisa João Alfredo.
Menos otimista, Hélio Rola acompanha a visita tendo em mãos o livro “Arte Pública de Fortaleza”, da arquiteta e professora Tânia Vasconcelos.
Para ele, é resultado do descaso do poder público. “Ainda bem que todos nós, os autores, temos respaldo em lei de direito autoral, que nos permite questionar e ganhar da Justiça o direito de ter nossas obras, mesmo as doadas, mantidas”.
As outras oito esculturas que permanecem no parque são Abstração em Branco, de Heloysa Joaçaba; Arboriforme, de Sérgio Lima; Árvore II, de José Guedes; Cones, de Sérvulo Esmeraldo; Ecos do Cangaço, de Patrícia Al´Kary; Pai Sol, de Emília Porto; Portal das Nuvens, de José Mesquita e Tótens, de Ascal.
Agora, a Frente Parlamentar quer explicações e vai se reunir, ainda em data a ser marcada, com representantes da CDL e da Prefeitura.
As assessorias de imprensa tanto da entidade de classe como da gestão municipal, via Secretaria Executiva Regional II (SER II), afirmam que só vão se pronunciar a respeito após o resultado do encontro com os vereadores.
FIQUE POR DENTRO
Parque é obra importante para a cidade
O Parque Pajeú foi criado em 1982 como fruto da urbanização das margens do Riacho do mesmo nome.
A partir de 1997, a Prefeitura de Fortaleza, a Câmara de Dirigentes Lojistas e os artistas plásticos cearenses transformaram o parque em uma grande área de exposição permanente de esculturas.
O Decreto de nº 5565/80, de 24 de abril de 1980 foi de Declaração de Utilidade Pública para desapropriação, entre a Avenida Dom Manuel e a Rua 25 de Março, nas proximidades da Rua Pinto Madeira.
O Parque das Esculturas conta com uma área de, aproximadamente, 15.335 metros quadrados de área.
Atualmente, a CDL cuida da limpeza e da jardinagem.
LÊDA GONÇALVES
Repórter