Maternidade-Escola orienta grávidas a procurarem outras instituições

Com excesso de sete crianças na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, atendimento no hospital especializado está restrito a pacientes de ginecologia ou com até 20 semanas de gestação

Por conta da superlotação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, o atendimento na Emergência da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), que faz parte do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC) filiada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está restrito a pacientes de ginecologia ou com até 20 semanas de gestação. A instituição recomenda que as grávidas priorizem outros locais que possam oferecer o suporte necessário.

De acordo com o gerente de Atenção à Saúde da Meac, Carlos Augusto Alencar Júnior, a unidade está sem fontes de oxigênio. A situação, diz ele, se resolverá quando as crianças que estão internadas lá melhorem e, assim, liberem pontos. "Estamos impossibilitados de receber outras pessoas. Não conseguimos dar a atenção que elas precisam e, por isso, não podemos descuidar das que estão conosco", explica.

Ele afirma que a rede de atenção engloba o Hospital Geral Doutor César Cals, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o Hospital e Maternidade Doutora Zilda Arns; o Hospital São Camilo Cura d'Ars e os Gonzaguinhas da Barra do Ceará, do José Walter e de Messejana, que têm UTIs neonatais e podem receber as pessoas que precisam de atendimento.Atualmente, a Maternidade-Escola tem 21 leitos de UTI. Sete pacientes a mais do que o lugar comporta estão dividindo o mesmo espaço, o que representa um excesso quanto ao número de pessoas que estão internadas.

Carlos Alencar diz que a preocupação não é o quantitativo, e sim o estado em que algumas delas se encontram. "Aqui tem criança no médio risco com indicação para a UTI, mas não tem suporte de oxigênio. Não é só o número a mais, é a gravidade a mais. O suporte que elas precisam e não têm", lamenta o obstetra.

Prejuízos

Ele afirma que, devido à superlotação, o remanejamento de pacientes a outras instituições torna-se necessário. Entretanto, reconhece a complexidade da situação, uma vez que muitas crianças que são atendidas no local vêm do Interior. Conforme o gestor, o problema não se resolverá apenas com a abertura de novos leitos de UTI, mas também com a formação de profissionais que exerçam o trabalho. "Isso que é difícil. Devem ser técnicos extremamente especializados", completa.

Carlos Alencar declara que ainda não há uma data estabelecida para que o contexto seja normalizado, mas garante que deve acontecer o mais rápido possível. "A gente analisa o período. Pode ser que amanhã a gente retome. É complicado", finaliza.

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Redação 01 de Dezembro de 2020