Locais com grande circulação de pessoas e infectados têm maior risco para Covid-19, diz especialista

De acordo com pesquisa da UFMG, hospitais e transporte público são espaços na categoria de alto risco

Ônibus são lugares propensos para contaminação pela lotação
Legenda: Ônibus são lugares propensos para contaminação pela lotação
Foto: VC Repórter

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que lugares como o transporte público e hospitais são os mais arriscados em relação ao contágio do novo coronavírus. Os motivos, segundo comenta o infectologista cearense Kenny Colares, são cruciais para entender: no primeiro, as aglomerações diárias facilitam a transmissão, enquanto no segundo local, a grande quantidade de pessoas doentes traz a certeza da presença do vírus.

 

“O risco não está nos locais em si, está nas aglomerações nele, por exemplo. Quanto mais a gente tiver a aglomeração, mais vamos ter esse vírus circulando. Ambientes fechados como os ônibus e metrôs, que possuem alto risco, sempre estão com várias pessoas cotidianamente. Já nas unidades de saúde, muitas pessoas doentes ocupam o mesmo espaço”, explica o especialista.

No levantamento feito pela UFMG, 101 amostras foram colhidas em lugares como pontos de ônibus, corrimãos, entradas de hospitais e bancos de praças de Belo Horizonte. Em todos os casos, a característica em comum seria a alta circulação de transeuntes durante o dia. Para a coleta, a técnica de swab, com cotonete alongado buscando o material em repouso presente em superfícies, foi utilizada. De acordo com o estudo, do colhido, 17 amostras continham traços do vírus causador da Covid-19.

Segundo Colares, isso mostra a importância dos cuidados recomendados atualmente em meio à pandemia. “Se diminuímos a concentração de pessoas os locais, a transmissão é menor, obviamente. Tanto é que o “remédio” indicado para o problema atual é o distanciamento social", relata ao lembrar da necessidade de evitar a exposição desnecessária.

Nas categorias de médio risco, mostra o estudo, estão os bancos, elevadores, cinemas e academias. Já os de baixo risco são farmácias, vias públicas, veículos particulares e as casas. 

Além disso, o infectologista aponta que a circulação de ar faz toda diferença para entender como o vírus pode se espalhar. Este, inclusive, é outro problema do transporte público: na maioria das vezes, não possibilitam uma ventilação adequada. Nesse sentido, ele afirma que o ambiente domiciliar é exatamente o mais indicado para se proteger da infecção. No entanto, nem todas as realidades do país são similares. 

"Na maioria das vezes, a gente sabe que existem casas espaçosas, com muita circulação de ar. Mesmo assim, nem todo mundo tem acesso a isso. Sabemos claramente da existência de famílias de várias pessoas que compartilham dois compartimentos em uma residência. Infelizmente, até nisso a população com menos recursos financeiros acaba sendo prejudicada".

Outros cuidados

Ainda de acordo com o profissional, objetos vindos de locais como os supermercados, como frutas, verduras e caixas, também podem ser vetores, justamente por estarem presentes em locais onde um número alto de pessoas se concentram durante o dia.

"A gente deve imaginar as superfícies que as pessoas tocam e pensar também como a transmissão ocorre por meio das nossas mãos. Ou seja, o local que você sabe que as pessoas tocam, supondo o caso em que haja a constatação do vírus, se você tocar os olhos, a boca, o nariz sem a higienização já existe a possibilidade de ter pego o vírus", reitera.