Familiares de idoso que morreu eletrocutado aguardam há 76 dias por retirada de poste

Conforme determinação do juiz de primeiro grau da 25ª Vara Cível de Fortaleza, a Enel tinha um prazo de 30 dias para retirar o poste a partir do dia 2 de julho; há 46 dias segue descumprindo a medida

Legenda: Apesar do tratamento médio no Instituto Doutor José Frota (IJF), o idoso não resistiu aos ferimentos e faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória
Foto: Arquivo pessoal

A companhia Enel Distribuição Ceará já soma 46 dias de descumprimento da determinação do juiz da 25ª Vara Cível de Fortaleza, Antônio Teixeira de Souza, pela retirada do poste de energia responsável por causar a morte de Ahail Gentil Moura, 83 anos, após descarga elétrica, em janeiro deste ano. A medida foi determinada no dia 2 de julho, dando 30 dias para a empresa retirar o poste. Desde o dia 2 de agosto, a Enel segue sem cumprir a determinação judicial, conforme explica o advogado da família, Haylton de Souza Alves.

Em nota enviada ao Sistema Verdes Mares nesta quinta-feira (17), a Enel Distribuição Ceará declara que “os padrões da rede elétrica estavam de acordo com as normas técnicas e de segurança”, tendo recorrido a decisão judicial em julho. No momento, aguarda o julgamento do recurso. 

família abriu ação no dia 29 de abril, pedindo pela retirada do poste de energia próximo ao apartamento em que atualmente moram a esposa e filhos do falecido. O aposentado recebeu forte descarga elétrica enquanto pintava parede do prédio residencial, no Bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza. Mesmo tendo sido levado ao hospital, não resistiu aos ferimentos e morreu.

No dia 10 de setembro, o desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto negou o pedido de efeito suspensivo da Enel, em documento oficial do Tribunal de Justiça do Ceará.

“O desembargador aponta que a decisão do primeiro grau está correta, ou seja, o prazo de 30 dias permanece, no caso, até dia 2 de agosto. Então, a empresa já se encontra descumprindo a decisão judicial”, explicita o advogado da família. 

Acrescenta também que a família irá exigir o pagamento da multa pelo descumprimento dessa decisão do juiz do primeiro grau. A Enel está sob pena de multa diária de R$ 1 mil, sendo limitada até R$ 100 mil.

Perda

Para a filha do idoso Ahail Gentil, Aline Ramos, a família tem se sentido indignada com a situação, uma vez que aponta o descumprimento da decisão judicial por parte da Enel. “Queremos tirar o poste de lá porque nossa família ainda mora no local e a gente não quer mais uma vítima. Não vamos esperar a segunda morte acontecer”, declara.

Após quase oito meses da morte do pai, Aline sente como se “não houvesse justiça no país”. A dor da perda é imensurável para os filhos e, por isso, segue lutando e batalhando para que outros acidentes não voltem a acontecer. Agora, deseja que “a nossa justiça seja maior do que o poder financeiro de uma empresa como essa”, afirma.

Choque elétrico

Segundo familiares, o primeiro choque elétrico sofrido pelo aposentado ocorreu no início de 2017, quando sua mão foi atingida ao se encontrar próximo da mureta de proteção da área, dentro de sua própria residência. O poste de alta tensão, próximo ao apartamento, começou a ser visto como um grande risco pelos familiares.

Em janeiro deste ano, Ahil foi novamente atingido por uma forte descarga elétrica emanada pelo poste, dentro de sua residência. O choque causou queimaduras de primeiro, segundo e terceiro grau em mais de 80% do seu corpo.

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Redação 20 de Outubro de 2020