'Eu espero que a Justiça seja feita', diz filha de aposentado morto há um ano após descarga elétrica

Vítima chegou a ficar internada cinco dias após ser eletrocutado, porém não resistiu a uma parada cardiorrespiratória

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Legenda: Ahil Gentil Moura, de 83 anos, em janeiro de 2020, quando fazia a pintura da casa onde morava e ser atingido por uma descarga elétrica
Foto: Arquivo Pessoal

O reparo da pintura de casa acabou de forma trágica para Ahil Gentil Moura, de 83 anos, em janeiro de 2020, ao receber uma descarga elétrica de um poste durante a realização do serviço. Após um ano da morte do idoso, a filha dele, a cabeleireira Aline Ramos, de 38 anos, ainda possui marcas emocionais do incidente e deseja que, pelo menos, o caso seja concluído: "Eu espero que a Justiça seja feita".

O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) informou em nota que o caso não há indiciado pois está na fase de inquérito policial e é investigado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). 

"Os autos estão na Delegacia para o cumprimento de diligências no prazo de 90 dias a contar do dia 20 de novembro de 2020. Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público poderá ofertar ou não a denúncia. Se ofertada, a Justiça pode aceitá-la ou não. Em caso de aceitação, dá-se prosseguimento para processar e julgar o feito", informou o TJCE.

Já a Polícia Civil disse que o inquérito policial continua com diligências em andamento e que a Instituição "aguarda respostas de ofícios enviados à concessionária de energia elétrica. Com a conclusão das diligências, o caso será remetido ao Poder Judiciário".

Poste

De acordo com Aline, o pai dela era proprietário do prédio residencial, onde também morava, e no qual o poste estava instalado a um metro de distância da parede do imóvel. Com uma boa saúde física, Ahil gostava de praticar exercícios e fazia, por conta própria, os reparos no imóvel. No dia 8 de janeiro, porém, o imprevisto aconteceu. 

"Ele foi pintar um murinho lá em cima da laje, uma área em comum para os condôminos. Ele estava entre quatro a seis metros e recebeu a descarga elétrica do poste. Pegou ele e queimou 85% do corpo dele. No momento, ele conseguiu se levantar ainda, ficou atordoado, não sabia o que tinha acontecido. A família toda foi para lá, inclusive eu", afirmou Aline.

Em seguida, a vítima chegou a ser levada para uma unidade de saúde onde ficou internada por cerca de cinco dias, o que gerou esperança para a família em relação à recuperação de Ahil, porém, no dia 13 de janeiro, o aposentado veio a falecer após sofrer uma parada cardiorrespiratória. 

Desdobramentos 

Aline conta que após o ocorrido, a família solicitou à Justiça a retirada do poste de alta tensão que causou o incidente, pedido acatado pela Enel Distribuição Ceará em 2020. Além disso, a cabeleireira afirmou que espera uma indenização da companhia que, segundo, ela, não prestou apoio algum à família do idoso.

"Eles nunca conversaram com a gente, nunca houve contato. O único contato que a gente teve foi pela imprensa, e eles disseram que meu pai não deveria estar lá, que estava errado. Como uma pessoa não pode estar na casa dele, né? A gente pediu (a indenização) até para concluir o sonho do nosso pai. Ela vai ser empregada no sonho do nosso pai, no qual ele morreu dando a vida dele", afirmou Aline. 

Aline afirmou que a estrutura final do prédio residencial do pai foi concluída antes da instalação do poste, que foi instalado no local sem a autorização da família. Ela alega ainda que os fios deveriam ter sido instalados com dispositivos de segurança, como mantas para a cobertura de cabos elétricos, o que não havia. 

Em nota, a Enel informou que "a rede de alta tensão próxima da casa foi construída e energizada em 2016 e não havia o último pavimento do prédio, onde aconteceu o acidente". A empresa afirmou ainda que os padrões da rede elétrica do local estavam de acordo com as normas técnicas e de segurança, mas fez a realocação da estrutura no último mês de novembro.

A Companhia afirmou ainda que "na época, a obra de extensão da rede de alta tensão foi devidamente autorizada pela Prefeitura de Fortaleza, que deve ser informada sobre qualquer tipo de intervenção urbana na cidade". Em relação ao processo judicial, a empresa informou que ele está em andamento e aguarda julgamento.

Após um ano, Aline espera agora o desfecho do caso. Pelo trauma de ter encontrado o pai eletrocutado e desorientado, a mulher afirma ainda ter pesadelos sobre o ocorrido e que precisou passar por acompanhamento psicológico. 

"Eu espero que a Justiça seja feita, que eles arquem com as consequências, pois o meu pai foi tirado da gente de uma forma muito trágica, foi muito traumático para toda a família. Todos nós estamos passando por um processo com psicólogos. Porque ver o seu pai em carne viva, com a pele no chão e olhando para você e perguntando 'o que foi que aconteceu comigo, minha filha?' É a perda e o trauma que ficou em nós", afirmou Aline.

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