Em novembro, uso no transporte público tem aumento próximo de 79% na capital em relação a maio

Apesar do crescimento gradual desde fim do lockdown, porcentagem diária da utilização de ônibus e metrô ainda permanece abaixo da média registrada em janeiro, conforme aplicativo Moovit

Legenda: Com o fim do lockdown em Fortaleza, a utilização do transporte público voltou a apresentar um crescimento progressivo ao longo das semanas
Foto: José Leomar

Para além das mudanças causadas no sistema público de saúde, a pandemia também teve impactos no uso de transporte público em diversas capitais do Brasil. Fortaleza apresentou redução de 78,5% na utilização de ônibus e metrô durante o lockdown, no dia 18 de maio, em comparação com a média de janeiro deste ano. Já em novembro, no último dia 11, essa diminuição foi de apenas 16,4%, segundo dados do aplicativo de mobilidade urbana Moovit

Apesar do percentual seguir em queda em relação à média registrada antes da pandemia, houve um aumento de aproximadamente 79% na utilização durante esse período de maio até novembro. Em Fortaleza, a partir de 16 de março, começou a ser registrada uma rápida queda na utilização de ônibus. A data coincide com o período de descoberta dos primeiros casos do vírus no Ceará.

O movimento de queda também se repete em outras capitais, como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, Fortaleza foi a capital que apresentou a maior porcentagem de redução. Conforme o gerente geral do Moovit no Brasil, Pedro Palhares, a queda acentuada no período posterior ao aparecimento dos primeiros casos da Covid-19 nas capitais se deve às medidas tomadas para garantir o distanciamento social e prevenir o combate do coronavírus.

“As pessoas tiveram que ficar em suas casas, só trabalhadores essenciais estavam nas ruas”, relembra Pedro. 

Com o fim das medidas rígidas e lockdown e o retorno gradual do comércio, Pedro aponta uma volta na utilização do transporte público. “A partir disso, foram liberados os trabalhos, algumas escolas, as pessoas começam a voltar ao normal. Precisam trabalhar”, declara. 

Em meio a esse cenário, a espera é que o crescimento continue, chegando talvez a atingir a média alcançada em janeiro. “Se for pegar o crescimento da curva, deve voltar à normalidade até o final do ano”.

Dificuldades

O consultor técnico de iluminação, Israel Freitas, 25 anos, tem utilizado ônibus desde o fim do lockdown em Fortaleza e aponta ter percebido o crescimento na quantidade de passageiros. Dentre as maiores dificuldades enfrentadas está o problema da superlotação e a longa espera pelos ônibus, e o sentimento é de “frustração”. 

“A gente acaba ficando exposto à insegurança e o ônibus superlotado gera aglomeração. A gente tenta se prevenir ao máximo fora de casa, mas no deslocamento, a gente fica exposto”, compartilha.

Em Fortaleza, o tempo de deslocamento médio no transporte público incluindo caminhadas, espera e deslocamento é de 53 minutos, conforme relatório global do Moovit analisando viagens realizadas em 2019. O número se concentra abaixo do de outras cidades do Nordeste, como Salvador e Recife, com respectivamente, 55 e 62 minutos.

A capital cearense também se mantém atrás dessas duas cidades em relação ao tempo de espera, contabilizando taxa de 19,91 minutos, enquanto Salvador registra 22,93 minutos e Recife, 24,88.

Crescimento no uso

Ainda segundo os dados, a utilização de ônibus em Fortaleza chegou a apresentar um aumento de 23,5% no dia 12 de março, enquanto registrou uma queda de 70,6% em 1º de abril, cerca de 20 dias depois. Até o início de junho, a porcentagem de utilização manteve a queda entre próximo de 66% até 78%.

Com o fim do lockdown em Fortaleza, no dia 20 de maio, e o retorno gradual das atividades, a utilização do transporte público voltou a apresentar um crescimento progressivo ao longo das semanas. Apesar disso, ainda manteve o percentual de decréscimo em comparação com a média. No dia 9 de junho, estava com porcentagem de 63,3% abaixo do registrado anteriormente, esse número subiu para 54,2% no dia 30 de junho. 

Um mês depois, a taxa era de 41,6%, enquanto nos meses de agosto, setembro e outubro foi registrado, respectivamente, 37,5%, 25,5% e 20,9% no último dia de cada mês. Em novembro, a porcentagem de queda apresentou seu menor número, de 16,4% no dia 12.

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