Em 2020, Ceará registra mais de 4,8 mil acidentes e 10 óbitos causados por animais peçonhentos

O mês com maiores números de casos é janeiro. Os casos reduziram a partir de março por causa da pandemia do novo coronavírus

Até o mês de agosto, o Ceará contabilizou 4.878 acidentes e 10 óbitos causados por animais peçonhentos. As ocorrências devem-se a fatores como período de reprodução dos animais, clima e até invasão de seus habitats naturais, aponta a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Entre os animais notificados, os principais causadores desses acidentes são os escorpiões e as serpentes.  

O mês com maior número de ocorrências foi janeiro, com 1.185 registros. O assessor técnico da Sesa, Ivan Luiz de Almeida, explica que o período é conhecido por ter muitos acidentes do tipo. “No começo do ano, com a chegada das chuvas, como esses animais não são aquáticos, eles procuram outros lugares para se alimentar”. 

De julho até agosto, há um crescimento de acidentes causados por serpentes, consideradas as espécies com peçonha mais letal, pois este é o período em que elas se reproduzem, o que aumenta as chances de ter algum contato com pessoas que frequentam ambientes rurais e que não fazem o uso adequado de Equipamento de Proteção Individual (EPI). Só neste ano, o total de ocorrências causadas por esses animais foi 862.  No caso dos escorpiões, os acidentes acontecem o ano todo. Eles são os mais comuns no Estado, com 3052 ocorrências até agosto de 2020.   

Dentre as cidades cearenses, Fortaleza foi a que mais teve vítimas, sendo 1.240 ao total. Na Capital, foram divulgadas 3 mortes. Tauá e Assaré ocupam o segundo lugar em número de mortes, notificando 2 em cada município. O índice de óbitos, segundo o assessor técnico da Sesa, é um reflexo do intenso trabalho de conscientização realizado. “As pessoas procuram notificar esses acidentes com mais frequência. Tivemos também uma educação, conscientização sobre o assunto, voltada para escolas, instituições e Vapt-Vupts".

Outro fator que influenciou a queda dos casos ao longo dos meses foi o isolamento social, medida protetiva contra o vírus da Covid-19. Para Ivan, como as atividades externas diminuíram, o contato das pessoas com esses animais perdeu a frequência. “Nós não tivemos férias escolares, as pessoas não fizeram piqueniques, não foram pescar. Então reduziu sim os acidentes”. 

Prevenção 

A melhor forma de evitar o aumento dos casos é seguir as orientações necessárias para que haja uma distância segura entre os animais e as pessoas. Porém, como o contato não acontece apenas em ambientes externos, é preciso atentar também para alguns hábitos dentro de casa.   

Para impedir a presença de escorpiões nos lares, o indicado é não acumular entulho, telhas ou tijolos, não pôr a mão em buracos e deixar a cama 10 cm longe das paredes. Como o escorpião é um animal noturno, é importante usar chinelos no banheiro, pois é onde ele procura alimento, como as baratas. 

Já com as serpentes, a segunda maior causa de acidentes, o ideal é sempre utilizar botas e luvas de couro na zona rural, evitar colocar mão em folhagens ou troncos, e principalmente, evitar o confronto. “Quando você avista a serpente, ela já te avistou muito antes, então tem que se afastar devagar. Se você tiver em uma mata fechada e ouvir um barulho de chocalho, o melhor é não confrontar”, alerta Ivan. 

O que fazer?  

Se mesmo assim houver um acidente, a recomendação é lavar o ferimento somente com água e sabão, procurar uma Unidade de Saúde e tentar manter a vítima calma. Nunca deve-se optar por lavar a lesão com cachaça ou fazer o paciente ingerir a bebida, fazer torniquete, chupar ou furar o ferimento. Esses atos podem atrapalhar o diagnóstico feito pelo médico.  

Ivan orienta que, em alguns casos específicos, o animal que causou o acidente pode ser levado para que a identificação seja feita mais rapidamente, o que adianta o processo de diagnóstico do soro que o paciente deve receber. 

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Redação 30 de Outubro de 2020