Doença rara tem novos casos

De uma simples visita de férias à terra natal, em julho, os cearenses Karyne e Handerson Castro não esperavam muito além do normal. Em Aquiraz, compraram um arabaiana, também conhecido como olho-de-boi, peixe que estavam acostumados a comer. A iguaria custou, porém, mais caro que o valor pago na venda: após consumir a carne, o casal foi diagnosticado com síndrome de Haff, conhecida como a "doença do xixi preto".

"Nós moramos em São Paulo, trouxemos o peixe congelado pra cá, inteiro. A gente comeu numa quarta-feira e aí sentimos muita dor no corpo, uma indisposição muito grande, mas a gente nunca imaginou que fosse o peixe", relata Karyne, de 39 anos.

A advogada conta que, no domingo seguinte, sua sogra preparou a outra parte do peixe para o almoço. Seis horas depois, Karyne, seu marido e sua sogra começaram a sentir fortes dores, e então foram até o Hospital Israelita Albert Einstein.

A princípio, a suspeita dos médicos era de que fossem casos de H1N1. O trio, contudo, não apresentava febre. "Quando fomos fazer xixi, a urina estava escura, aí eles investigaram e deram o diagnóstico. Passamos uma semana internados", lembra.

Também denominada Mialgia Aguda a esclarecer, a síndrome de Haff tem origem desconhecida, mas suspeita-se que seja causada por uma toxina relacionada ao consumo de frutos do mar. "Como a condição é rara, ainda não foi identificada qual é essa toxina, e nem todas as pessoas que comem o determinado peixe desenvolvem os sintomas", explica Guilherme Henn, presidente da Sociedade Cearense de Infectologia.

A característica mais marcante da doença, porém, é uma mudança na tonalidade da urina, que varia entre vermelho escuro e castanho.

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Em 2017, a Sesa registrou 10 casos confirmados da Mialgia Aguda a esclarecer. Já em 2018, até a manhã da última quinta-feira (4), nenhum caso havia sido notificado no Ceará.

Em nota, a Secretaria informa que entrou em contato com o Centro de Informações Estratégicas e Vigilância em Saúde do Estado de São Paulo "para solicitar mais informações sobre os pacientes cearenses que tiveram sintomas da síndrome de Haff a esclarecer após comprarem peixe em Fortaleza e consumi-lo em São Paulo".

Desde sua internação, no dia 6 de agosto, Karyne e Handerson realizaram exames até a última semana de setembro para acompanhar o quadro da doença, que já é de melhora.

As filhas do casal, de 6 e 4 anos de idade, também consumiram o peixe, mas não apresentaram quaisquer sintomas.

"Fiquei totalmente traumatizada pra comer peixe, não consigo nem ver gente comendo. Mas acho que é uma questão de tempo, vai passar. Quando eu voltar pra Fortaleza, vou querer comer camarão", diz a advogada.

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