Dia Mundial do Doador de Sangue: cearenses mantém rotina de doação em meio a pandemia

Hemoce comemora dia com programação especial de lives e iluminação vermelha em monumentos do Ceará

Escrito por Redação,

Metro
Família costuma doar regularmente
Legenda: Rosa Serafim incentivou o marido, filho e a irmã a se tornarem doadores de sangue
Foto: Arquivo pessoal

Há quase 18 anos como doadora de sangue, a mediadora Rosa Serafim, de 36 anos, decidiu pela doação após precisar de sangue durante o parto do primeiro filho. Mas, antes mesmo dela criar o hábito, o marido, Max, já incentivava. Hoje, o casal, o filho e a irmã dela doam com frequência. 

Comemorado nesta segunda-feira (14), o Dia Mundial do Doador de Sangue significa um ato de amor para a família. “Esse ato salva vidas, salvou a minha e a do meu filho. Da mesma forma que eu fui salva por uma doação, eu e a minha família fazemos esse trabalho contínuo por gratidão”, coloca Rosa. 

Mesmo no período de pandemia de Covid-19, a família não deixou de doar. “Tivemos receio, claro, mas , agora, em 2021, já fomos fazer duas doações, apesar de tudo. Entre ficar em casa e ajudar quem está precisando, nós escolhemos correr esse risco, mas com todos os cuidados possíveis: distanciamento, álcool em gel e máscara”, conta a mediadora.

Filho mais velho do casal doou aos 16 anos
Legenda: Filho mais velho do casal doou aos 16 anos
Foto: Arquivo pessoal

Da mesma forma, há 15 anos, o supervisor de limpeza, Pedro Vieira, de 62 anos, começou a doar plaquetas. "Eu estava no meio do trabalho e uma pessoa me disse sobre essa doação. Eu fui atrás de me informar e desde então passei a doar", conta.

"A doação é um modo de agradecer a Deus pela saúde da gente. E eu ajudo doando"
Pedro Vieira
doador de sangue e plaquetas

Na família, Pedro tenta promover a atitude e incentivar os filhos. "Tem muita gente com medo de agulha e de ver sangue. O meu filho tinha muito medo, mas já estou convencendo ele a ir doar", afirma. Mesmo durante a pandemia, o idoso não parou de doar. 

Programação

Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, recebeu iluminação em vermelho em alusão ao Junho Vermelho
Legenda: Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, recebeu iluminação em vermelho em alusão ao Junho Vermelho
Foto: Reprodução

Em homenagem ao Dia Mundial do Doador de Sangue, o Instituto Pró-Hemoce, do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), desenvolveu a campanha “Junho Vermelho”. Em alusão à campanha, vários prédios no Ceará estão iluminados na cor vermelha para sensibilizar e chamar a atenção da sociedade para a importância da doação de sangue. 

Na Capital, o Paço Municipal e o Palácio da Abolição receberam iluminação diferenciada. Já no interior do Estado, as estátuas de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e do Cristo, em Sobral, também atenderam à solicitação do Hemoce.

Nesta segunda-feira (14), o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) e o Instituto Pró-Hemoce (IPH) prepararam a campanha “Tudo começa quando você estende a mão”, em homenagem aos doadores. Às 19h, acontece uma live via instagram com a participação de doadores, além da da coordenadora da Captação de Doadores, Nágela Lima.

No mesmo dia, nas unidades em Fortaleza, uma cabine fotográfica vai registrar o momento da doação e receber a foto com a identidade da campanha atual. Ainda no dia 14 de junho, haverá ações em parceria com o Instituto Pró-Hemoce, a Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e os Mercadinhos São Luiz.

Doações durante a pandemia

De acordo com a coordenadora de Captação de Doações do Hemoce, Nágela Lima, com a pandemia, o Hemoce precisou criar estratégias para garantir doações no período de isolamento. "Ampliamos os locais de coleta externa em todo o Estado, assim como os horários de atendimento, além de implantar o distanciamento e disponibilizamos uma ferramenta de agendamento para o doador", diz.

No período mais rígido, de lockdown, Nágela conta que foi realizada uma parceria com uma rede de supermercado para garantir doações. "Naquele momento, as pessoas não podiam sair de casa e quando saíam, iam para supermercados e farmácias. Se a gente tivesse ficado apenas com as doações na sede, talvez teria sido mais dificil", reflete. 

Na avaliação da coordenadora, as estratégias fizeram com que o Hemoce não sofresse com o desabastecimento na crise. "As pessoas não se aglomeram e têm segurança para doar. A gente conseguiu manter o estoque de sangue do estado todo dentro da margem de segurança. Inclusive, em alguns momentos, nós enviamos bolsas para alguns estados, como São Paulo". 

Contudo, se comparado com 2019, o ano passado registrou menos doações. "Nós percebemos uma redução pequena. Mas, em nenhum momento, essa redução trouxe impacto no estoque", relata. 

Vacina, Covid-19 e doação de sangue

Por causa do período de vacinação contra Covid-19, a coordenadora pede que os doadores fiquem atentos ao prazo de aptidão para a doação após a vacinação. "Quem tomou a CoronaVac fica dois dias sem doar. Já no caso da AstraZeneca e da Pfizer, ambas precisam de sete dias de inaptidão", pontua.

No caso de quem se infecta, após 30 dias do primeiro sintoma de Covid-19, segundo Nágela, se o paciente já estiver sem sintomas ou sequelas, ele já pode se candidatar para a doação de  sangue. "É preciso estar bem de saúde para doar. Se o candidato está com algum sintoma gripal, precisa ficar 30 dias sem doar". 

Seja doador  de sangue

Para se candidatar à doação de sangue, é preciso estar saudável, bem alimentado, pesar acima de 50 kg, ter entre 16 e 69 anos e apresentar um documento oficial com foto. Os menores de idade devem portar o termo de consentimento padrão assinado pelos pais ou responsável legal. 

O Hemoce está recebendo os doadores com hora marcada para evitar aglomerações nas unidades. Os voluntários podem agendar um horário pelo site: doador.hemoce.ce.gov.br ou pelos telefones de contato de cada unidade. Em Fortaleza, os doadores podem ligar para (85) 3101.2305 ou (85) 9.9681.7597 – WhatsApp.

Assuntos Relacionados