Debates enfocam prática e teoria

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Os novos rumos da comunicação e a antiga discussão sobre teoria e prática foram temas do Mundo Unifor

Teoria e prática. Inimigas ou aliadas? A academia e o mercado de trabalho costumam ser vistos como pólos opostos, mas os dois mantêm uma relação de complementaridade. É o mercado oferecendo subsídios para serem estudados na academia e esta, em troca, possibilitando novas formas de ver e pensar o trabalho, a sociedade, enfim, a realidade em que vivemos.

A inter-relação entre os estudos acadêmicos e a rotina dos profissionais na atualidade foi tema do Mundo Unifor dessa quarta-feira, como parte da Mostra de Humanidades - Seminário Academias na Academia: Conhecimento e Sociedade. O campo da Comunicação Social e as mudanças sofridas na prática e também nas pesquisas científicas com a introdução das novas tecnologias foram o alvo das discussões na manhã de ontem, no Teatro Celina Queiroz.

Para falar sobre os novos rumos da Comunicação, passando pela importância de se estudar teoria — questionamento que atormenta muitos estudantes — , foi convidado o professor Giovandro Marcus Ferreira, que também é coordenador da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Giovandro Ferreira destacou que as pesquisas desenvolvidas dentro das universidades são uma forma de diminuir o fosso criado entre os mundos do trabalho e acadêmico.

Ferramenta de aprendizagem

“Estudar teoria serve para conhecer melhor nossas experiências, nosso cotidiano. A teoria vem mostrar a relação entre determinados fenômenos e a nossa vida”, observou o professor.

Na atualidade, com a chegada das novas tecnologias, os estudos de comunicação abandonaram seu caráter mais teoricista e estão se dedicando, sobretudo, a uma abordagem mais prática, associando a tecnologia à pedagogia, como uma ferramenta de aprendizagem, explica. “Há uma tendência de sair do fascínio das tecnologias que são transformadas em demiurgos (deuses), como se elas pudessem resolver tudo”, afirmou o doutor em Comunicação e Ciência da Informação.

Como pensar a sociologia da profissão, o que é ser jornalista, o que é ser publicitário e quais as rotinas com a introdução das novas tecnologias foram alguns pontos abordados pelo professor da Facom. “A representação que nós temos da realidade passa pelos meios de comunicação, daí a importância de se estudar a teoria aplicada à técnica do dia-a-dia”, explicou Giovandro Ferreira.

As discussões sobre a prática da Comunicação na atualidade prosseguiram pela manhã com a abordagem sobre a TV Digital, realizada pela mestranda da Universidade de Brasília (Unb) Paola Oliveira, sobre o Rádio, com a professora de Comunicação da Unifor Andréa Pinheiro e sobre Comunicação Integrada, com os profissionais do Departamento de Comunicação da Companhia Energética do Ceará (Coelce).

PROFISSIONALIZAÇÃO
Moradores são beneficiados


A comunidade do Dendê não está sendo apenas beneficiada com eventos do Mundo Unifor, mas também contribuindo para eles. Na tenda da Vice-Reitoria de Extensão, é possível conferir o resultado do projeto Centro de Formação Profissional, que desde 2002 já capacitou mais de 3.600 moradores do Dendê.

Entre eles, Jaluza Silva Neri, de 21 anos. Ela participou das oficinas de auxiliar de garçom, manicure, produção de sabonetes e velas perfumadas e de informática. Na casa dela, as velas perfumadas contribuem para a renda da família. “Temos vela a partir de R$ 3,00”, diz ela, mostrando os produtos expostos no estande.

Durante o Mundo Unifor, as oficinas oferecidas à comunidade estão sendo ministradas também para alunos e estudantes. Ontem, foi dia de aprender as técnicas de mosaico e finas receitas de cremes franceses. Além de conferir palestras sobre Orientação Profissional e Jovem Voluntário.

Esta última, destaca Rogério Barros, chefe da Divisão de Responsabilidade Social, apresentou outro projeto desenvolvido pela instituição. Nele, estão inscritos hoje mais de 300 alunos que, duas vezes por semana, visitam voluntariamente seis instituições. Entre elas, o Hospital Albert Sabin, o Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami), a Associação Peter Pan e o Hospital São José.

Já no Centro de Formação Profissional, os estudantes de diferentes cursos da Unifor recebem uma bolsa para ministrar as oficinas. A de mosaico, por exemplo, é de responsabilidade de Tainara Santos, de 21 anos, do curso de Arquitetura e Urbanismo. “Aprendi as técnicas em uma disciplina do curso e sempre tive interesse de trabalhar em uma comunidade. No Dendê, o esforço das pessoas é um estímulo”, conta.

A programação na tenda da Vice-Reitoria de Extensão prossegue até amanhã. Hoje, serão ministradas oficinas de bijuterias, produção de velas e gastronômica, das 8 às 21 horas. No intervalo, a partir das 17 horas, a professora Gilma Holanda ministrará novamente a palestra Jovem Voluntário. Já amanhã, o diferencial é a apresentação de capoeira.

Outros três eventos do Mundo Unifor beneficiam a comunidade, com prestação gratuita de serviços de saúde e jurídicos. No Espaço da Cidadania, a expectativa é de que sete mil pessoas sejam atendidas. Enquanto o projeto Criança Feliz contemplará, amanhã, com atividades lúdicas e de saúde, 200 crianças e aproximadamente 80 idosos atendidos na Clínica Odontológica da Unifor.

DEBATES
Cultura e arquitetura ratificam a diversidade

No Mundo Unifor, a diversidade de eventos, nas áreas de cultura, ciência e tecnologia, não deixa ninguém parado. Ontem à tarde, enquanto no palco aberto a banda Zhora animava o Campus, na Tenda do Livro, autores participaram de uma sessão de autógrafos. Já em frente, no auditório da biblioteca, a arquiteta e professora Zilsa Santiago ministrava palestra sobre “Acessibilidade ao meio ambiente construído”.

Na segunda e última tarde de lançamento de livros durante o Mundo Unifor, foram apresentadas as obras dos autores Henrique Figueiredo Carneiro (“Que Narciso é esse? Mal-estar e resto”), Gisneide Nunes Ervedosa (“De Eros e Ágape: como lágrima dourada no oceano de silêncio”), Lagore (“20 anos de busca: a auto-análise é possível, uma história de busca”) e Tércia Montenegro (com os contos “Cartografia do Instante” e “Na Praia”).

Mas a movimentação na Tenda do Livro é constante, com a visitação do público nos estandes montados por editoras e livrarias, principalmente no intervalo das palestras. Na ministrada pela arquiteta e professora Zilsa Santiago, no auditório da biblioteca, uma demonstração das principais barreiras físicas (arquitetônicas, urbanísticas e de transporte), especialmente para os portadores de necessidades especiais.

Nas escolas, por exemplo, o difícil acesso às entradas e a descontinuidade das calçadas e das rampas são demonstrações da falta de acessibilidade. “Até 1996, os projetos arquitetônicos das escolas não eram acessíveis. Depois foram feitas reformas, mas há unidades consideradas acessíveis onde a escada é o único meio de acesso”, exemplifica a professora.

SALA DE NOTÍCIAS
Canal Futura grava programa na Unifor

O programa Sala de Notícias, do Canal Futura, gravará, hoje, uma edição especial na Unifor. Os debates, dessa vez, serão sobre as políticas de desenvolvimento para o Nordeste e as desigualdades regionais no País.

A edição avaliará dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE. Nela, cerca de seis milhões de pessoas ultrapassaram a linha da pobreza em 2006. Em comparação aos anos anteriores, houve redução do número, porém, nos Estados que já são ricos. No Nordeste, a queda foi menor.

O debate contará com o sociólogo Gustavo Feitosa e a economista Cleide Bernal, o coordenador da Articulação do Semi-Árido Brasileiro, Felipe Pinheiro e o superintendente do Escritório Técnico de Estudos do NE, Sydrião Alencar.

Naiana Rodrigues
Repórter