Taxa de positividade em crianças com Covid no Sopai sobe para 35% em janeiro

O Hospital dispõe de leitos de enfermaria para internação do público infantojuvenil com Covid

A taxa de positividade para Covid entre crianças e adolescentes que demandam internação no Hospital Infantil Filantrópico (Sopai), em Fortaleza, tem crescido nos últimos meses. Em janeiro, de 220 pacientes destas faixas etárias que precisaram ser internados em leitos de enfermaria na unidade hospitalar, devido à apresentação de sintomas de síndrome gripal ou suspeita de Covid, 77 testaram positivos para a doença provocada pelo novo coronavírus.

O equivalente a 35% dos casos. Em outubro de 2020, 309 pacientes, nessas condições, foram testados, e 24 deram positivo. A taxa era de 7,7%. 

Na unidade, que tem 60 leitos de enfermaria usados como retaguarda pelo município de Fortaleza no atendimento infantil, as demandas aumentam desde o fim do ano passado. O pediatra e diretor técnico do Hospital, Fabrício César Aderaldo Menezes, explica que todos os pacientes que chegam para internação com sintomas de síndrome gripal e suspeita de Covid são submetidos ao teste.

Em outubro de 2020, a taxa de positividade entre esses público era de 7,7% e foi crescendo gradativamente para: 8,3% (novembro), 18% (dezembro) e 35% (janeiro). A idade dos pacientes é diversa e, conforme o pediatra, "temos de menores de um ano, pré-escolares, até adolescentes". 

"Sendo objetivo, houve sim um aumento claro do número de casos (de Covid). Os nossos leitos são de enfermaria, então, a gente testa todos os pacientes internados com essa suspeita. Temos percebido, desde novembro, um aumento sustentado dos casos positivos de Covid-19", explica o pediatra. 

De acordo com ele, a ocupação das vagas de internação é regulada via Central de Regulação de Leitos. "Já chegou ter um pico de 52 pacientes internados em dezembro", acrescenta.

Os pacientes infantis que chegam ao hospital com a doença, conforme o pediatra, apresentam diversidade nos quadros clínicos, com variedade de sinais e sintomas, que vão de dores abdominais a mal estar generalizado.

"Isso na pediatria é mais complicado porque existem formas diferentes de apresentação clínica. Então, a pessoa pode ter o sintoma e ficar suspeitando de uma infecção intestinal e é uma infecção por Covid. Pode ter um quadro infeccioso, que lembra mais uma virose que não é respiratória, como dor no corpo, e pode ser Covid". 

O médico avalia que o acréscimo de casos é efeito de uma série de fatores como quebra do isolamento social, diminuição dos cuidados com as medidas sanitárias e as aglomerações de fim de ano. Os casos atendidos na unidade não são aqueles de quadro grave que demandam, por exemplo, leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Mas, o médico ressalta que "o aumento no número de internamentos já é um indicador de aumento dos complicadores". 

hospital infantil
Legenda: Na unidade, que tem 60 leitos de enfermaria usados como retaguarda pelo município de Fortaleza, as demandas aumentam desde o fim do ano passado
Foto: Helene Santos

As transferências, segundo ele, são pontuais. Os principais motivos são: necessidade imediata de UTI ou de tratamento que necessite de hospital terciário. As internações de crianças e adolescentes com Covid, tem tido, geralmente, tempo inferior a 10 dias no Sopai, relata o médico. 

Conforme o Integrasus, dos 370.300 casos confirmados de Covid no Estado, até a manhã desse sábado (30), 23.249 são de pessoas de menos de 1 ano a 14 anos. Isto, equivale a 6,27% do total de casos.

"A gente tem que observar se vai se manter esse aumento. E minha preocupação são leitos de UTI. Porque no SUS temos poucos leitos de UTI pediátrica e principalmente UTIs, destinadas à Covid. E os leitos foram abertos pela necessidade, nas últimas duas semanas. O que a gente tem que tentar é fazer o máximo de diagnóstico possível, sempre observar a taxa de ocupação dos leitos de enfermaria e UTI pediátrica destinada à Covid e acompanhar a possibilidade de complicações. Quando o número absoluto de casos aumenta muito, o número proporcional de complicações também aumenta", reforça. 

Conforme dados do Integrasus, plataforma da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), neste sábado (30), no Ceará, os leitos de enfermaria infantil para a Covid estão com 52,25% de ocupação. Já os de UTI infantil estão com 68,89%. Em Fortaleza, os leitos de UTI infantil para Covid estão concentrados no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias).  

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