Covid-19: suspensão de aulas alerta sobre transmissão em escolas

Cinco instituições da Região Metropolitana de Fortaleza suspenderam atividades presenciais após suspeitas ou confirmações da doença entre funcionários e alunos. Especialistas recomendam medidas de prevenção

Legenda: Decisão vale para o corpo docente e auxiliares da administração escolar
Foto: Camila Lima

Pelo menos quatro escolas particulares de Fortaleza e uma do município do Eusébio, na Região Metropolitana, tiveram funcionamento alterado após a retomada de atividades presenciais, por confirmação ou suspeita de casos de Covid-19 entre alunos e funcionários. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que foi notificada dos casos nos estabelecimentos de ensino, mas que a Vigilância Sanitária do Estado não interditou nenhum deles. Ainda assim, três escolas interromperam todas as aulas, enquanto duas paralisaram turmas específicas.

Ainda segundo a Pasta estadual, 9.274 exames de RT-PCR - o de biologia molecular, considerado "padrão ouro" para detecção da doença - já foram analisados para diagnóstico da Covid-19 em profissionais da rede privada em Fortaleza. Desse total, 24 deram positivos, o que representa uma positividade de 0,26%.

Em comunicado à imprensa, o Sindicato da Educação da Livre Iniciativa do Ceará (Sinepe-CE) declarou que, "entre estes casos, nenhum foi relacionado à atividade escolar, uma vez que os testes foram realizados antes do retorno às aulas presenciais", garante o documento.

A entidade afirmou ainda que orienta "que todas as instituições de ensino e seus profissionais cumpram de maneira rigorosa o Protocolo Setorial" da educação e que "mantenham as autoridades informadas de casos suspeitos e confirmados". Aponta ainda que "praticamente todos os setores econômicos" possuem "transmissão residual", mas que as escolas "são o único com testagens em massa e constantes".

A equipe da Vigilância Epidemiológica e Sanitária da Sesa também acompanha as escolas de acordo com o protocolo de retomada das atividades escolares. Dentro do cronograma de inspeção, "são realizadas vistorias para verificar o cumprimento das medidas de prevenção e controle da Covid-19". Esse acompanhamento vem sendo realizado de acordo com as determinações dos decretos com a liberação das atividades, conforme a Secretaria.

A infectologista Mônica Façanha, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), reforça que toda forma de interação pode facilitar a transmissão do vírus. Na escola, indica, é preciso verificar se o distanciamento físico mínimo de 1,5 metro pode ser seguido entre alunos e professores e alunos e alunos. "Essa tem sido a grande preocupação", alerta.

Quanto ao isolamento de algumas turmas, a especialista explica ser uma conduta adequada para controle da doença.

"É a mesma lógica da meningite, em que a transmissão também é por gotículas. Os contactantes ficam isolados porque tanto algum deles pode ter sido fonte como pode ter sido infectado. Não tem necessidade de fechar todo o colégio se as outras pessoas não estiveram a menos de dois metros das possíveis fontes", afirma Mônica Façanha.

Desde o dia 1º de outubro, conforme o Sinepe-CE, 150 escolas particulares desenvolvem atividades presenciais. Segundo decreto do Governo do Estado, os estabelecimentos de ensino podem fechar totalmente por 14 dias caso haja registros de Covid-19 nas instituições e não for detectado vínculo entre os estudantes e/ou profissionais contaminados pelo vírus. A Sesa lembra que, havendo casos identificados na escola, a instituição precisa entrar em contato com a Vigilância em Saúde do Município "imediatamente".

Como forma de resguardar também a saúde dos alunos, algumas escolas da Capital chegaram a criar mapas de sala para, caso alguém manifeste qualquer sintoma, os contatos próximos sejam rastreados e apurados com mais facilidade pela instituição. Além disso, há salas vazias reservadas para um primeiro isolamento e triagem de enfermeiras que acompanham as atividades escolares.

Medidas

O Comitê Científico do Consórcio Nordeste enfatiza que a opção de abrir escolas "deve ser acompanhada de medidas de mitigação e prevenção da doença". Dentre elas, a medição diária da temperatura de todos alunos, o uso obrigatório de máscaras, o distanciamento físico e a higienização das mãos, dentre outras. Além disso, defende a capacidade de identificar, isolar e testar (preferencialmente com RT-PCR) qualquer pessoa na escola que apresentar sintomas, além de seus contatos.

A primeira a suspender totalmente as aulas foi a Escola Professor Clodomir Teófilo Girão, no Eusébio, na Região Metropolitana, depois de oito funcionários testarem positivo para Covid-19. Na segunda-feira, o Colégio Antares também suspendeu as aulas presenciais após testagem positiva de dois funcionários. Já na quinta-feira, o Colégio 21 Educar, no bairro José Walter, paralisou após relatar dois colabores infectados.

Também na quinta, o Colégio 7 de Setembro, no Centro, comunicou a suspensão das aulas presenciais em duas turmas do ensino infantil III. A medida é preventiva, de acordo com a direção da unidade, e foi tomada após quatro estudantes manifestarem sintomas gripais.

Já nesta sexta, o Colégio Santa Cecília também paralisou as aulas numa turma do 9º ano do Ensino Fundamental, após um aluno apresentar febre e dor de cabeça. A coordenação informou que, com a divisão por grupos, a mesma turma deverá ter aulas novamente em 19 de outubro, mas o acesso só será definido após o diagnóstico do aluno em questão.

Rede pública

Nas escolas públicas, as aulas presenciais ainda não retornaram. As redes municipais de Fortaleza e mais oito municípios da Região Metropolitana confirmaram que as atividades só devem retornar nessa modalidade em 2021. Na rede estadual, ainda não há uma definição.

Segundo a vice-governadora do Estado, Izolda Cela, há duas ações se desenrolando no momento para contribuir com a decisão. Uma delas é a conclusão das vistorias nas estruturas dos prédios escolares, que possibilitará um diagnóstico mais preciso de quantas e quais das unidades estão aptas à retomada.

Outra é o resultado de um levantamento que está sendo realizado com os estudantes das unidades estaduais e os familiares, perguntando sobre o desejo e a condição de retorno dos alunos.

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