Cinco pessoas desaparecem durante viagem de lancha do Rio de Janeiro para Fortaleza

Último contato feito por um dos integrantes do grupo ocorreu na sexta-feira (29)

Um grupo de cinco homens está desaparecido desde a última sexta-feira (29) após iniciar uma viagem marítima. Eles estavam em uma lancha que saiu do Rio de Janeiro no dia 26 a caminho de Fortaleza. 

De acordo com a estudante de Psicologia Vitória Magalhães, 22 anos, o marido e empresário Domingos Sávio Ribeiro de Souza, de 58 anos, havia saído no dia 23 de janeiro de avião rumo ao Rio de Janeiro para buscar uma lancha, denominada "O Maestro". Ele se encontraria com o dono da embarcação, o empresário Ricardo José Kirts, que estava no local desde o dia 6 de janeiro e seguiria viagem de volta para Fortaleza em um grupo de cinco pessoas.

A previsão era de que a viagem de volta deveria durar de 15 a 20 dias. No dia 26 de janeiro, o grupo teria saído da Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, em direção a Vitória (ES), onde haveria outro ponto de abastecimento.

Legenda: Tripulação era composta por cinco pessoas. Na imagem, estão Domingos Souza (de branco à esquerda); Wilson dos Santos (de camisa verde), Ricardo (de branco à direita). Um mecânico (em roupas pretas) e uma pessoa conhecedora da rota (de azul) também seguiam viagem.
Foto: Arquivo pessoal

Em contato posterior, na quinta-feira (28), eles estavam no bairro da Urca, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para o conserto de um problema no motor, o qual deveria ser resolvido antes de a viagem ser continuada.

Em vídeo enviado às 10h da sexta-feira (29), Ricardo aparece preparando um churrasco na embarcação. No registro, ele aparece aparentemente despreocupado, dirigindo-se a um amigo que não participou da viagem. É possível ver, além da churrasqueira, embalagens de água e outros objetos a serem usados pela tripulação.

Legenda: Em nota, a Marinha do Brasil informou que soube do desaparecimento da embarcação, a qual, supostamente, teria sumido na altura de São João da Barra (RJ).
Foto: reprodução/Instagram

O último contato com a esposa veio nessa sexta. Às 18h30, Vitória diz que o marido enviou uma mensagem com uma localização marcando o Farol de São Thomé, no Rio de Janeiro. Mais tarde, às 22h, ele fez outro contato, mas sem pedido de socorro. "Ele só disse que o mar estava muito forte, que estava muito complicado, que eles estavam indo em direção a Vitória, que eles iam dormir pra continuar a viagem no outro dia", afirma, acrescentando que ele relatou haver "muito vento, ondas muito fortes, que a roupa e a comida estavam molhadas. Tudo tava molhado". Ela adiciona que não teve contato com o marido no sábado (30).

Também no dia 29, às 23h05, a esposa de Kirts, Tatiana Cruz, ligou para Domingos. Ele informou que o tempo estava "feio", com muito vento e temporal. Tatiana replicou perguntando se não seria melhor voltar para terra, mas o tripulante informou que "não tem como".

O desaparecimento

No domingo (31), a estudante ligou para a Marinha informando sobre o desaparecimento. A instituição destacou que um pedido de socorro havia sido feito nas proximidades do local indicado, porém não soube identificar se foi feito pelo grupo. Ainda no domingo, as buscas foram iniciadas.

Em nota, a Marinha informou que soube do desaparecimento da lancha, a qual, supostamente, teria sumido na altura de São João da Barra (RJ). A instituição alertou a estrutura responsável por Operações de Busca e Salvamento (SAR), que acionou um navio-patrulha e duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Também foi emitido um aviso com o objetivo de alertar e solicitar apoio a outras embarcações nas áreas próximas.

Ainda no texto, a Marinha ressalta que já se sabia da possibilidade de ventos fortes até as 6h da manhã desta segunda na região, mas aponta a ausência de registros de condições adversas para navegação na noite do incidente. Nesta segunda, a instituição confirmou que o socorro partiu do grupo.

A esposa do proprietário do barco permanece ao aguardo de mais informações sobre as buscas. "A única coisa que eu quero é que não parem as buscas, porque são seres humanos que estão ali", reivindica Tatiana, ressaltando conhecer todos da tripulação.

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