Chegada da época mais quente no Ceará pode ocasionar crises alérgicas, afirma especialista

Segundo o otorrinolaringologista Paulo Manzano, crises alérgicas também podem ser "facilitadoras" para infecções como a covid-19

Este período é um perigo para problemas respiratórias
Legenda: Este período é um perigo para problemas respiratórias
Foto: Margarita Borodina

Após a quadra chuvosa no Ceará, ocorrida de fevereiro a maio, inicia-se um período mais quente e seco no Estado, que deve se prolongar no segundo semestre do ano. Então, pode haver o aparecimento de algumas viroses ou alergias ligadas ao aparelho respiratório, o que pode ser ainda mais arriscado diante da possibilidade de confundir sintomas com os da Covid-19.

O otorrinolaringologista Paulo Manzano alerta para os riscos de desenvolvimento e/ou aguçamento de alergias, como a rinite e a sinusite, no período mais quente, além da relação com a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. “A diminuição da umidade relativa do ar afeta mais as vias respiratórias, piorando a rinite e ocasionando infecções”, afirma. 

 

Nesse cenário de pandemia, o médico explica que há uma relação direta das alergias respiratórias com a infecção do novo coronavírus. “Qualquer alteração da mucosa respiratória, como ocorre nas alergias, é um facilitador da inalação de infecção, entre elas a Covid-19”, pontua Paulo Manzano.

Manzano acrescenta ainda que na umidade mais baixa já existe essa alteração pelo ressecamento da mucosa. “No caso de uma crise de rinite alérgica, especificamente, há toda uma inflamação da mucosa. Então, uma mucosa inflamada é uma mucosa desprotegida para as doença, já que o nariz serve como um tipo de ‘filtro’ do ar para os pulmões”, explica o otorrino. 

Em relação aos sintomas, o Paulo Manzano ressalta as diferenças entre as manifestações de alergia e da Covid-19. “Com o ressecamento da mucosa nas alergias, pode ocorrer sangramento. Em relação à Covid-19, é um quadro muito variável, mas não há esse sangramento. Os pacientes podem ser assintomáticos, ou apresentarem alguma alteração do olfato e do paladar, o que não ocorre em uma rinite, por exemplo. É importante estar atento à asma alérgica, com o sintoma da falta de ar, principalmente. Nesses casos mais graves, é importante ir ao médico”, alerta. 

Com as alergias, as pessoas tendem a coçar mais o nariz, olho e espirrar, podendo ocasionar uma contaminação pelo novo vírus caso não estejam tomando as devidas precauções, como usar máscara ou manter as mãos higienizadas. Conforme o especialista, é necessário mais cuidados durante o período mais quente, ainda somado com a pandemia.  

“Aumentar a hidratação, evitar atividades físicas ao ar livre durante esse dia mais quente, evitando assim constante exposição ao sol, além de manter um ambiente limpo, sem tapetes, cortinas ou pelúcias que acumulam poeira. É importante também ter uma boa alimentação, além de consultar um médico especialista sempre que achar necessário”, destaca.