Ceará está em segundo entre os mais católicos
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Embora com 81.08% e 74.25% de sua população católica, Ceará e Fortaleza registram sincretismo
A tradição de catolicismo da população, as romarias em Juazeiro do Norte e em Canindé e a nova organização da Igreja, que estimula a formação de redes comunitárias nas paróquias, buscando, assim, engajar um maior número de fiéis, são fatores apontados por religiosos e leigos para colocar o Estado do Ceará e sua capital, Fortaleza, em segundo lugar no País em número de católicos.
"No trabalho desenvolvido em rede nas paróquias, as pessoas se engajam, se comprometam e assumem o batismo e demais sacramentos da igreja", lembra o padre Gilson Soares, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Nordeste1.
As causas para o forte catolicismo entre os cearenses "são multifatoriais", acredita o padre Brendan Coleman Mc Donald, que é vice-presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso do Ceará e Vigário Paroquial da Igreja São Raimundo e da Área Pastoral, Planalto de Pici, em Fortaleza.
Embora enfatize que os católicos praticantes são fiéis à sua religião, padre Brendan reconhece que "há, ainda, bastante sincretismo, com pessoas frequentando mais de uma religião". Informa que, nos últimos anos, houve um verdadeiro êxodo de adeptos da Igreja Católica para as Igrejas Evangélicas.
Contudo, para o Padre Gilson Soares, não é preocupante o fato de a religião estar perdendo fiéis em âmbito nacional. "O que é fundamental é a permanência dos católicos convictos".
Com isso, embora o Brasil registre queda no número de fiéis, de acordo com pesquisa divulgada no último dia 24 do mês passado, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 81.08 da população cearense é católica e 74.25% é o percentual de adeptos na capital, ficando ambos em segundo em número de adeptos. O Estado do Piauí é o primeiro em número de católicos, chegando a "quase 90%" de sua população, ou seja, 87,93%; já Teresina, a capital piauiense, também lidera com percentual é 80,66%.
As romarias em Juazeiro do Norte e em Canindé, movidas pela veneração ao Padre Cícero Romão e a São Francisco de Assis, são determinantes, cita padre Gilson. "Também estamos cada vez mais conscientes da importância das missões para engajar os fieis", frisa.
Há alguns anos, adianta, a Igreja trabalha sua ação pastoral em rede nas comunidades. Essa organização nas paróquias faz as pessoas se envolverem mais com a religião e assumirem o batismo e os demais sacramentos. "Outubro, por exemplo, é o mês das missões. As diretrizes da Igreja e a programação da ação pastoral serão redirecionadas para as urgências e as necessidades dos fiéis".
Mais homens
Mais especificamente na capital cearense, o Terço dos Homens é um fenômeno importante para chamar a população masculina a participar das ações da igreja, considera padre Gilson, que também é pároco da paróquia do Senhor do Bomfim, no Monte Castelo, "e isso se reflete no número de católicos na cidade", afirma, reforçando o que apontou a pesquisa da FGV sobre a predomínio dos homens católicos em Fortaleza. Ele explica que, no terço, os fiéis são chamados a participar do momento de leitura sobre a palavra de Deus e da partilha. O servidor público Eduardo Antônio Norberto Feitora, além de católico praticante, é hoje coordenador da Comunidade Ahavá, palavra hebraica que significa amor de Deus. Fundada em 2007 e com sede no Vila União, a nova comunidade reúne cerca de 200 integrantes. "Começamos nossa caminhada para Deus no Shalom e o próprio Senhor foi dando os sinais. Ao lado de minha esposa, segui um novo caminho. O cerne da nossa vocação é o amor", reitera. Para ele, dois fatores contribuem para a forte presença do catolicismo no Ceará, as romarias em Juazeiro e a busca pela misericórdia divina para enfrentar as dificuldades da vida.
Também o professor titular do doutorado e mestrado em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, lembra que o ser humano é basicamente um ente desamparado e, em suas aflições, padece de forte inclinação ao apelo à religiosidade.
Quanto às perspectivas para futuro para a religião no Ceará e na capital e à dimensão que assume hoje a religiosidade para os cearenses comenta: "penso que a adesão ao catolicismo tende a diminuir na medida em que cresce a secularização da cultura e o desencantamento do mundo tradicional".
FIQUE POR DENTRO
Crenças indígenas
A religião é determinante na cultura da maior parte da população do estado. A Igreja Católica foi a única reconhecida pelo governo até 1883 quando, na capital do Estado, foi fundada a Igreja Presbiteriana de Fortaleza. A religiosidade católica adota vários elementos de origem popular e apresenta influências de crenças indígenas.
Durante todo o século XX, várias igrejas se instalaram no Ceará e, no fim desse período, houve um aumento considerável de pessoas de outras religiões.
O catolicismo tem uma extensa rede de igrejas e organizações religiosas em todo o Ceará. A Província Eclesiástica de Fortaleza, encabeçada pela Arquidiocese de Fortaleza, lidera oito dioceses: Quixadá, Iguatu, Tianguá, Crato, Crateús, Limoeiro do Norte, Sobral e Itapipoca.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Missas têm excelente frequência
Padre Brendan coleman mc donald
Acredito que há vários motivos para o Ceará e sua capital terem despontado na pesquisa: a fé católica foi sempre muito forte nos Estados do Nordeste e não há tradição para mudar de religião; a dedicação em tempo integral dos bispos, padres diáconos, movimentos leigos (como os carismáticos), comunidades eclesiais de base etc.; o Plano Pastoral de Conjunto da CNBB Regional NE1.
Também é preciso ressaltar a transmissão de bons programas católicos pela televisão; o aumento do nível de escolaridade e formação cristã dos fiéis católicos; a seriedade e dedicação dos dirigentes dos novos programas de Iniciação Católica, Primeira Comunhão, Crisma e preparação para o Casamento; o aumento do número de Círculos Bíblicos; o melhoramento dos conteúdos das homilias pregadas nas missas; as novenas e festas de padroeiros tradicionais (religiosidade do povo) etc.
Acredito que a classe média e pobre têm o maior número de adeptos, mas há uma boa representação da classe alta também. Aumentou o número de intelectuais e universitários nestes últimos anos.
Nos últimos anos, houve um verdadeiro êxodo de fiéis da Igreja Católica para as Igrejas Evangélicas. A maioria dessas pessoas eram "católicos não praticantes". Em meados da década de noventa, o êxodo parou mais ou menos. Hoje, vejo o futuro numérico da Igreja com otimismo. As missas têm excelentes frequências. Os números para a iniciação cristã (católica), preparação e recebimento dos sacramentos aumentaram muito.
* Doutor em Educação,Psicologia e Teologia
REFÚGIO
Religião é alento para pelejas da vida
"Hoje, para a gente enfrentar a barra de viver, é preciso ter uma fé muito forte, uma religião", assim o universitário Caio Magno, 22 anos, justifica sua opção em participar ativamente do Terço dos Homens na Capela Mãe Rainha, localizada na Paróquia Nossa Senhora do Bomfim, no bairro do Monte Castelo desde quando foi fundado, no dia 25 de fevereiro de 2004. Ali, o Terço acontece todas as quartas-feiras, das 20 às 21 horas, e reúne cerca de 120 homens.
O crescimento do uso de droga na sociedade, a violência, o desemprego, os problemas sociais e familiares foram algumas das questões apontadas pelo jovem para impulsioná-lo a procurar refúgio na fé católica.
"Participar do Terço é uma forma de fortificar a fé. É preciso se apegar a algo", cita, completando ter vindo de uma família que pratica o catolicismo. E mais: Caio ressalta que "esse negócio de estar mudando de religião não tem nada a ver". Mas frisa ter respeito pela religião dos outros.
Além das orações, dos cânticos e louvores, o Terço dos Homens também inclui atividades nas comunidades. Segundo o coordenador do outro integrante, João Bezerra, no próximo sábado o grupo vai em comissão implantar um novo núcleo no Município de Horizonte. "Esse é um trabalho missionário e que busca alicerçar a fé", observa.
Evangelho
Outro fiel do Bairro do Monte Castelo, Aristides Barreto Neto, observa que "no mundo atual fica mais difícil não ter Deus no coração". Entretanto, ressalta considerar católico não apenas quem vai a Igreja, "mas aquele que vive a liturgia, os preceitos do evangelho".
Carmem Silva Lira, dona de casa da Comunidade Católica Shalom em Fortaleza, acredita que as igrejas da capital apresentam grande frequência de fieis. "Quem vem, geralmente, tem mais convicção", cita.
MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER
A tradição de catolicismo da população, as romarias em Juazeiro do Norte e em Canindé e a nova organização da Igreja, que estimula a formação de redes comunitárias nas paróquias, buscando, assim, engajar um maior número de fiéis, são fatores apontados por religiosos e leigos para colocar o Estado do Ceará e sua capital, Fortaleza, em segundo lugar no País em número de católicos.
"No trabalho desenvolvido em rede nas paróquias, as pessoas se engajam, se comprometam e assumem o batismo e demais sacramentos da igreja", lembra o padre Gilson Soares, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Nordeste1.
As causas para o forte catolicismo entre os cearenses "são multifatoriais", acredita o padre Brendan Coleman Mc Donald, que é vice-presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso do Ceará e Vigário Paroquial da Igreja São Raimundo e da Área Pastoral, Planalto de Pici, em Fortaleza.
Embora enfatize que os católicos praticantes são fiéis à sua religião, padre Brendan reconhece que "há, ainda, bastante sincretismo, com pessoas frequentando mais de uma religião". Informa que, nos últimos anos, houve um verdadeiro êxodo de adeptos da Igreja Católica para as Igrejas Evangélicas.
Contudo, para o Padre Gilson Soares, não é preocupante o fato de a religião estar perdendo fiéis em âmbito nacional. "O que é fundamental é a permanência dos católicos convictos".
Com isso, embora o Brasil registre queda no número de fiéis, de acordo com pesquisa divulgada no último dia 24 do mês passado, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 81.08 da população cearense é católica e 74.25% é o percentual de adeptos na capital, ficando ambos em segundo em número de adeptos. O Estado do Piauí é o primeiro em número de católicos, chegando a "quase 90%" de sua população, ou seja, 87,93%; já Teresina, a capital piauiense, também lidera com percentual é 80,66%.
As romarias em Juazeiro do Norte e em Canindé, movidas pela veneração ao Padre Cícero Romão e a São Francisco de Assis, são determinantes, cita padre Gilson. "Também estamos cada vez mais conscientes da importância das missões para engajar os fieis", frisa.
Há alguns anos, adianta, a Igreja trabalha sua ação pastoral em rede nas comunidades. Essa organização nas paróquias faz as pessoas se envolverem mais com a religião e assumirem o batismo e os demais sacramentos. "Outubro, por exemplo, é o mês das missões. As diretrizes da Igreja e a programação da ação pastoral serão redirecionadas para as urgências e as necessidades dos fiéis".
Mais homens
Mais especificamente na capital cearense, o Terço dos Homens é um fenômeno importante para chamar a população masculina a participar das ações da igreja, considera padre Gilson, que também é pároco da paróquia do Senhor do Bomfim, no Monte Castelo, "e isso se reflete no número de católicos na cidade", afirma, reforçando o que apontou a pesquisa da FGV sobre a predomínio dos homens católicos em Fortaleza. Ele explica que, no terço, os fiéis são chamados a participar do momento de leitura sobre a palavra de Deus e da partilha. O servidor público Eduardo Antônio Norberto Feitora, além de católico praticante, é hoje coordenador da Comunidade Ahavá, palavra hebraica que significa amor de Deus. Fundada em 2007 e com sede no Vila União, a nova comunidade reúne cerca de 200 integrantes. "Começamos nossa caminhada para Deus no Shalom e o próprio Senhor foi dando os sinais. Ao lado de minha esposa, segui um novo caminho. O cerne da nossa vocação é o amor", reitera. Para ele, dois fatores contribuem para a forte presença do catolicismo no Ceará, as romarias em Juazeiro e a busca pela misericórdia divina para enfrentar as dificuldades da vida.
Também o professor titular do doutorado e mestrado em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, lembra que o ser humano é basicamente um ente desamparado e, em suas aflições, padece de forte inclinação ao apelo à religiosidade.
Quanto às perspectivas para futuro para a religião no Ceará e na capital e à dimensão que assume hoje a religiosidade para os cearenses comenta: "penso que a adesão ao catolicismo tende a diminuir na medida em que cresce a secularização da cultura e o desencantamento do mundo tradicional".
FIQUE POR DENTRO
Crenças indígenas
A religião é determinante na cultura da maior parte da população do estado. A Igreja Católica foi a única reconhecida pelo governo até 1883 quando, na capital do Estado, foi fundada a Igreja Presbiteriana de Fortaleza. A religiosidade católica adota vários elementos de origem popular e apresenta influências de crenças indígenas.
Durante todo o século XX, várias igrejas se instalaram no Ceará e, no fim desse período, houve um aumento considerável de pessoas de outras religiões.
O catolicismo tem uma extensa rede de igrejas e organizações religiosas em todo o Ceará. A Província Eclesiástica de Fortaleza, encabeçada pela Arquidiocese de Fortaleza, lidera oito dioceses: Quixadá, Iguatu, Tianguá, Crato, Crateús, Limoeiro do Norte, Sobral e Itapipoca.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Missas têm excelente frequência
Padre Brendan coleman mc donald
Acredito que há vários motivos para o Ceará e sua capital terem despontado na pesquisa: a fé católica foi sempre muito forte nos Estados do Nordeste e não há tradição para mudar de religião; a dedicação em tempo integral dos bispos, padres diáconos, movimentos leigos (como os carismáticos), comunidades eclesiais de base etc.; o Plano Pastoral de Conjunto da CNBB Regional NE1.
Também é preciso ressaltar a transmissão de bons programas católicos pela televisão; o aumento do nível de escolaridade e formação cristã dos fiéis católicos; a seriedade e dedicação dos dirigentes dos novos programas de Iniciação Católica, Primeira Comunhão, Crisma e preparação para o Casamento; o aumento do número de Círculos Bíblicos; o melhoramento dos conteúdos das homilias pregadas nas missas; as novenas e festas de padroeiros tradicionais (religiosidade do povo) etc.
Acredito que a classe média e pobre têm o maior número de adeptos, mas há uma boa representação da classe alta também. Aumentou o número de intelectuais e universitários nestes últimos anos.
Nos últimos anos, houve um verdadeiro êxodo de fiéis da Igreja Católica para as Igrejas Evangélicas. A maioria dessas pessoas eram "católicos não praticantes". Em meados da década de noventa, o êxodo parou mais ou menos. Hoje, vejo o futuro numérico da Igreja com otimismo. As missas têm excelentes frequências. Os números para a iniciação cristã (católica), preparação e recebimento dos sacramentos aumentaram muito.
* Doutor em Educação,Psicologia e Teologia
REFÚGIO
Religião é alento para pelejas da vida
"Hoje, para a gente enfrentar a barra de viver, é preciso ter uma fé muito forte, uma religião", assim o universitário Caio Magno, 22 anos, justifica sua opção em participar ativamente do Terço dos Homens na Capela Mãe Rainha, localizada na Paróquia Nossa Senhora do Bomfim, no bairro do Monte Castelo desde quando foi fundado, no dia 25 de fevereiro de 2004. Ali, o Terço acontece todas as quartas-feiras, das 20 às 21 horas, e reúne cerca de 120 homens.
O crescimento do uso de droga na sociedade, a violência, o desemprego, os problemas sociais e familiares foram algumas das questões apontadas pelo jovem para impulsioná-lo a procurar refúgio na fé católica.
"Participar do Terço é uma forma de fortificar a fé. É preciso se apegar a algo", cita, completando ter vindo de uma família que pratica o catolicismo. E mais: Caio ressalta que "esse negócio de estar mudando de religião não tem nada a ver". Mas frisa ter respeito pela religião dos outros.
Além das orações, dos cânticos e louvores, o Terço dos Homens também inclui atividades nas comunidades. Segundo o coordenador do outro integrante, João Bezerra, no próximo sábado o grupo vai em comissão implantar um novo núcleo no Município de Horizonte. "Esse é um trabalho missionário e que busca alicerçar a fé", observa.
Evangelho
Outro fiel do Bairro do Monte Castelo, Aristides Barreto Neto, observa que "no mundo atual fica mais difícil não ter Deus no coração". Entretanto, ressalta considerar católico não apenas quem vai a Igreja, "mas aquele que vive a liturgia, os preceitos do evangelho".
Carmem Silva Lira, dona de casa da Comunidade Católica Shalom em Fortaleza, acredita que as igrejas da capital apresentam grande frequência de fieis. "Quem vem, geralmente, tem mais convicção", cita.
MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER