Bairros têm saneamento precário
Cerca de 7,3 mil pessoas convivem em área com índice abaixo de 3% de esgotamento, segundo dados do Ipece
Embora Fortaleza tenha apresentado leve aumento, de 7,76pontos percentuais em dez anos, no índice de cobertura de saneamento básico, ainda existem locais na Capital com atendimento precário, como o bairro Pedras, com o pior índice, 0,54%. Em situação semelhante estão o Parque Presidente Vargas (2,41%) e o Curió (2,76%). É o que aponta o Informe 44 do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) - Perfil Municipal de Fortaleza. Os 7.636 moradores da região - conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2010 -, têm de conviver, dia e noite, independentemente de chuva, com ruas banhadas pelo esgoto a céu aberto.
É o caso do operador de marketing Edilson de Lima Viana, 52. "Eu moro mesmo na brisa", destaca, apontando para o esgoto na porta de sua residência, na R. Nelson Coelho, no Curió. Ele conta que, mesmo dentro de casa, o mau cheiro incomoda, sem falar nos ratos e insetos atraídos pela fossa estourada. Inconformado, disse que já ligou para a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), que visita o local, mas o problema retorna. "Aqui sempre foi assim. O problema é que não tem saneamento básico", denuncia.
Chuva
A queixa é a mesma do entregador Luís Henrique Diniz, 20. Segundo ele, quando chove, a situação fica ainda pior. "As fossas abrem direto. Mas, quando chove, agrava, ninguém sabe o que é esgoto e o que é água", reclama. O jovem, que trabalha fazendo entregas, comenta que tem dificuldade de trafegar pelas ruas. Próximo dali, no José de Alencar, conhecido como Alagadiço Novo, bairro que está entre os dez com pior índice de cobertura de esgotamento (7,27%) de Fortaleza, mais ruas são banhadas por fossas, que geram um verdadeiro esgoto a céu aberto na porta da casa das pessoas. Para agravar a situação, muito lixo é acumulado ao longo das vias, a exemplo do que ocorre na Av. Odilon Guimarães. "Esgotamento sanitário a gente nem se ilude, é um sonho. Aqui nunca teve saneamento básico. É todo tempo assim, quando chove e quando não chove", diz o comerciante José Machado Ximenes, 43.
Marta Maria Fernandes, proprietária de um pequeno restaurante na avenida, bem ao lado de um ponto de lixo, reclama que é prejudicada pelo mau cheiro do esgoto e de resíduos depositados pelos próprios moradores.
Em dez anos, o índice de cobertura de esgotamento sanitário na Capital cresceu apenas 7,76 pontos percentuais. Era de 49,24% em 2005, saltando para 57% neste ano. Considerando todo o Estado, a expansão e a cobertura são ainda menores. Em uma década, o índice no Ceará aumentou só 5,01%. Era de 33,86%, em 2005 e passou para 38,87% em 2015, conforme informações da Cagece. O órgão esclarece que o crescimento observado no alcance da rede de saneamento ao longo dos últimos dez anos é reflexo dos constantes investimentos realizados em ações de expansão dos sistemas operados, com o objetivo de chegar à universalização dos serviços prestados.
Em relação aos problemas de esgoto a céu aberto nos bairros Curió e Alagadiço Novo, a Cagece esclarece que, com exceção de alguns conjuntos habitacionais que possuem sistemas isolados, não há esgotamento sanitário na região. A Companhia acrescenta ainda que está captando recursos para elaboração de projeto de engenharia e posterior execução de obras para atender a região.