Após definição de entidades médicas, Cremec analisa protocolo para triagem de pacientes de UTI no CE

A idade dos pacientes, ressalta documento digulgado por entidades médicas, não deve ser utilizada como critério único de triagem

Legenda: A taxa de ocupação de leitos UTI Covid nesta sexta (9) chegou a 93%
Foto: Agência Diário do Nordeste/Helene Santos

Logo após entidades médicas divulgarem um protocolo com recomendações para triagem de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), nesta quinta-feira (9), o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) deu início à avaliação dos critérios que deverão ser adotados pelas unidades hospitalares do Estado.      

As recomendações, elaboradas pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), são direcionadas aos profissionais que atuam na linha de frente. O documento foi avaliado e aprovado pela Associação Médica Brasileira (AMB). 

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Os especialistas alertam que as recomendações devem ser seguidas excepcionalmente em momentos de crise. "Ou seja, quando mesmo as medidas de contingência estão sendo insuficientes para acomodar o aumento da demanda de recursos que estão se esgotando", informa a AMB. 

Vice-presidente do Cremec, Inês Melo detalha que a discussão foi iniciada na tarde de sexta, com representantes das entidades no Ceará, mas ainda não há uma data prevista para a conclusão e divulgação do resultado. O objetivo desta análise, segundo ela, é adequar o protocolo de recomendações à realidade local. 

O papel do Conselho é avaliar se todas essas medidas que estão sendo indicadas seguem, do ponto de vista técnico e científico, os princípios bioéticos”, tendo como objetivo central “salvar o maior número de vidas”
Inês Melo
Vice-presidente do Cremec

A idade dos pacientes, ressalta o documento, não deve ser utilizada como critério único de triagem. “Esse protocolo foi encaminhado hoje para nós e vamos, sim, avaliar e fazer recomendações, dar sugestões porque medicina não é matemática”, diz Inês.

As recomendações vêm em um período crítico da pandemia e, de acordo com ela, devem nortear um número maior de profissionais da saúde não intensivistas ou paleativistas em todo o Ceará. Em especial, aqueles mais jovens, ainda não acostumados a lidar com o atendimento de pacientes graves nas emergências. 

Os profissionais das secretarias de saúde do Ceará também integram as discussões. A reportagem questionou a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) sobre os desdobramentos envolvendo a triagem de pacientes em UTIs no território cearense, a partir do novo documento, mas não obteve a resposta até a publicação desta matéria.  

Critérios fundamentados 

Mesmo com as recomendações lançadas hoje pela AMB, Inês Melo ressalta que já existem critérios de indicação de pacientes em leitos de UTI "muito bem fundamentados” por resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). E que não mudam, mesmo diante da “catástrofe” enfrentada pelo sistema de saúde com a pandemia de Covid-19. 

Na divulgação do documento, a ANB endossa, inclusive, que o protocolo “busca alinhamento com os critérios da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº. 2.156, de 28 de outubro de 2016 cujo racional normativo prioriza a oferta de vagas de UTI a pacientes com maior probabilidade de recuperação, recomendando que pacientes com baixa expectativa de recuperação e próximos da morte recebam, preferencialmente, cuidados paliativos”. 

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