Adeus aos entes queridos em cemitério vertical

Escrito por Redação,

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Com sepultamento simbólico e o guardar dos corpos em gavetas, o ritual da morte conta com outros significados

Sempre que sente vontade, como explica, o aposentado Francisco Vandir Santana, 72 anos, dirige-se ao Cemitério Memorial Fortaleza, no bairro Canindezinho. Lá, há nove meses, está sepultada sua esposa, que, conforme descreve, “é como se ficasse guardada”. Afinal, diferente dos espaços convencionais, o chamado cemitério vertical não enterra seus mortos como nos acostumamos a ver e presenciar.

Pelo contrário. Quando o corpo chega ao local, é realizado um sepultamento simbólico e, em seguida, o transporte do ente querido para alamedas, cujo vidro escuro traz uma flor, sempre branca, ao lado, e a foto de quem se foi à frente. “Achei uma opção diferente das que já existiam. Muita gente diz que prefere ser enterrado. Não sei, achei que é como se lá ela ficasse guardada”, compartilha, ainda emocionado, o aposentado Vandir Santana.

Segundo recorda Vandir, suas visitas, freqüentes à companheira, já contam 45 desde novembro último. “Vou sempre porque me sinto bem, à vontade, tranqüilo”, comenta. Na época, de acordo com ele, sua escolha foi guiada pelo fato de muitos túmulos estarem sendo violados. Motivo esse, aliás, ressaltados pelo sócia-proprietária do cemitério, Maria de Lourdes Oliveira.

“Os clientes que nos procuram são os interessados em oferecer um diferencial para o ente que se foi. Até porque, diferente dos demais espaços, não há problemas com mudança de clima ou com a insegurança dos túmulos serem violados. Além disso, dependendo da necessidade, fazemos sepultamentos no horário de meia-noite, de madrugada”, destaca Maria de Lourdes.

Conforme detalhou, diferente do que muitos pensam, a proposta do cemitério vertical não é deixar os corpos sepultados na posição vertical. O diferencial é que, em vez de serem enterrados, os restos mortais são separados em gavetas, que, no caso, são sobrepostas umas às outras. Segundo a empresária, “o prédio é vertical, mas os corpos não ficam nessa posição”, esclarece.

Ainda como revelou a empresária, a inspiração, para o que afirma ser o primeiro cemitério vertical desse porte no Norte e Nordeste, baseou-se nos modelos desses cemitérios adotados nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, além de países como a Itália. Conforme Maria de Lourdes, o objetivo foi, justamente, unir a tecnologia, com os recursos possíveis, a um ritual tão antigo como a morte.

RECURSOS
Cuidados com os que vão e com os parentes que ficam

Segundo a empresária Maria de Lourdes, um dos objetivos do cemitério é oferecer tranqüilidade no momento da dor. Para isso, ela diz que há diferentes medidas. Uma delas é o detector de vida. Como justifica, seu uso, apesar de ainda não ter havido solicitação, serve para pacientes que sofram de catalepsia. A partir do aparelho, instala-se um alarme na gaveta. Com qualquer movimento, é acionado oxigênio para o corpo e soa o alarme.

Há, ainda, espaço para meditação, salas de vídeo, velador para guardar as velas e capela ecumênica. Parentes distantes, em outro país ou estado, podem acompanhar o sepultamento por meio da internet, com o uso de senha. Como disse, ainda não existe crematório no ambiente. Porém, antecipou, no fim do ano ele começará a ser construído junto com o prédio anexo.

Mais informações:
Cemitério Memorial Fortaleza
Rua Paulo Afonso, 1191 - Canindezinho
(85) 3289.5500/ 3383.9174
www.credurna.com.br

JANINE MAIA
Repórter