24 famílias removidas de ocupação em escola no Centro vão para abrigo temporário no Quintino Cunha

Conforme ocupantes ouvidos pelo Sistema Verdes Mares no local, eles foram pegos de surpresa, sem saber que a desocupação ocorreria nesta terça-feira (30)

Legenda: As famílias irão, temporariamente, para abrigo no Quintino Cunha
Foto: Foto: Nícolas Paulino

Ocupada há cerca de um ano, a Escola Jesus, Maria e José está sendo desocupada nesta terça-feira (30). Vinte e quatro famílias foram removidas do local, que estava com estrutura deteriorada, e serão realocadas em um abrigo temporário no bairro Quintino Cunha. A ação foi realizada pela Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor), em razão de ser um prédio tombado pelo Município.

Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal de Fortaleza e Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) participam e auxiliam a ação, que bloqueou ruas do entorno para ajudar no processo. Conforme ocupantes ouvidos pelo Sistema Verdes Mares no local, eles foram pegos de surpresa, sem saber que a desocupação ocorreria nesta manhã. Eles estavam dormindo quando os agentes bateram no portão.

O medo das famílias, agora, é pelos dias que virão e pela sua própria segurança. Segundo representantes da Prefeitura de Fortaleza, a expectativa é que eles passem de 20 a 30 dias no abrigo temporário, antes que sejam viabilizados os processos para o aluguel social. "Mas vamos ficar 20 dias dentro de casa? Porque lá a gente não pode nem ir na bodega", questionou uma mulher, que preferiu não se identificar", referindo-se ao perigo na área no entorno do abrigo. 

Conforme José Lino Fonteles, supervisor do Núcleo de Habitação e Moradia (Nuham) da Defensoria Pública do Estado do Ceará, a segurança deve ser garantida na casa. "Efetivamente, percebemos problemas de Segurança Pública em toda a cidade. Vamos oficiar as autoridades públicas para que garantam a segurança das pessoas, e a Prefeitura de Fortaleza, para nos repassar um relatório detalhado de cada uma dessas famílias", afirmou. 

Segundo nota da Secultfor, "a desocupação tornou-se necessária frente às precárias condições do imóvel e os riscos decorrentes no período de chuvas" e deu-se em razão de cumprimento de "ação judicial de reintegração de posse, emitida pelo Poder Judiciário do Estado do Ceará". Ainda segundo o texto, a Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza (SDHDS) irá atuar para garantir moradia das famílias retiradas da escola. Elas serão colocadas no Programa Locação Social, da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor).

Risco

Com a quadra chuvosa intensa, o cenário de abandono e perigo se agravava na Escola Jesus, Maria e José. No último dia 15 de abril, a reportagem do Diário do Nordeste esteve no local e constatou risco de desabamento, infiltrações e outros problemas na estrutura do local. De acordo com a Secultfor, logo após a retirada das famílias, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf) e da Coordenadoria de Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza iniciaram trabalhos de reparo no edifício para conservar a escola, que é centenária. 

Você tem interesse em receber mais conteúdo da cidade de Fortaleza?